Testamos: Chevrolet S10 High Country 2021 une conforto e robustez

A Chevrolet S10 é um dos veículos mais testados pelo Garagem360. Ela já foi avaliada com o motor flex, bem como com o propulsor diesel nas configurações Midnight (que não existe mais) e High Country. Acontece que a picape passou por um novo facelift – o segundo desde 2012, ano que estreou essa geração – e recebeu uma atualização na turbina do propulsor turbodiesel.

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Por isso, a versão High Country volta a ser testada, marcando a segunda passagem da configuração mais completa da S10 – e a quarta avaliação da picape média pela nossa equipe.

Chevrolet S10 High Country 2021: visual invocado e mais agilidade

Visualmente, a maior mudança da S10 Hign Country 2021 é na dianteira. Em vez da tradicional gravata dourada no centro da grade, há o nome da Chevrolet escrito em letras garrafais e pintada em preto brilhante. O logotipo ainda está presente, mas em um tamanho minúsculo e deslocado para a parte abaixo dessa barra e à direita (para quem olha de frente) do centro da dianteira.

Confesso que prefiro o visual anterior, pois mal dá para ler o nome da fabricante e parece que falta uma peça na grade, já que é tudo preto. Além disso, a gravata da Chevrolet é um dos logos mais reconhecíveis e elegantes da indústria. Por isso é um pouco estranho vê-lo deslocado e em um tamanho tão pequeno. Já a lateral e a traseira da picape segue basicamente igual ao modelo 2020, exceto pelas novas rodas de polegadas pintadas em preto.

Outra mudança foi no motor, mas sem alterar a potência do propulsor 2.8 turbodiesel de 200 cv (a 3.400 rpm) e 51 kgfm (2 mil rpm). O que mudou foi a turbina, que passa a ser igual a da versão americana da S10 – que por lá chama Colorado. Ao acelerar a picape, nota-se uma maior agilidade para vencer a inércia. E olha que se trata de um veículo de mais de duas toneladas. Como a nova turbina promete acelerações mais progressivas, o condutor nota que a picape está mais prazerosa ao volante, parecendo até mesmo mais potente que no modelo anterior.

Vida a bordo

Em termos de espaço, nenhuma novidade. Tudo segue igual aos demais modelos da picapes que já foram avaliados. Dessa forma, vale uma pincelada rápida: a ampla cabine permite que até cinco adultos viajem bem. E mesmo sendo um veículo 4×4, o túnel central não é dos maiores, o que sempre é positivo. As únicas ressalvas para quem viaja atrás é que o encosto é um pouco reto, assim como acontece na maioria das picapes, e o assento é baixo, fazendo com que os joelhos fiquem mais altos que o quadril, posição que causa um certo cansaço após horas a bordo. Na dianteira, motorista e carona vão bem, mas apenas o condutor tem ajuste elétrico no banco.

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Entretanto, a posição de dirigir da S10 sempre me causa desconforto. Por conta da minha altura (1,87 m) e pela ausência de ajuste de profundidade do volante, preciso dirigir mais próximo da direção para não cansar os braços. Só que isso faz com que meus joelhos fiquem mais dobrados que o habitual. Com isso, após algumas horas dirigindo a picape, uma dor no joelho direito começa a ser sentida e só melhora quando desço da S10. Caso houvesse ajuste de profundidade, seria mais fácil achar uma posição mais confortável. E por ser a versão mais completa e que custa mais de R$ 230 mil, a ausência deste item é um ponto negativo considerável.

Apesar desse desconforto na posição de dirigir, o interior da picape é agradável. Há bastante uso de couro, como nos bancos que são completamente revestidos com o material e nas portas. O painel da S10 segue atual e ganhou a central multimídia MyLink atualizada. Com tela de oito polegadas, ela conta com espelhamento sem fio para Android Auto e Apple CarPlay, além de oferecer conexão WiFi por meio de um modem 4G. Como a picape tem uma proposta de uso em campos e fazendas, ter essa conexão pode ser algo positivo, já que o sinal é mais forte que o dos smartphones.

Veredito

A versão High Country une a robustez da S10 com uma certa sofisticação. Além de mudar o visual e trocar a turbina, o pacote de segurança da picape foi reforçado e agora todas as versões contam com seis airbags. O modelo mais caro, por sua vez, também oferece frenagem automática de emergência.

Mesmo sendo uma boa picape e oferecendo bons níveis de conforto, ela é recomendada apenas para quem realmente precisa transportar grandes quantidades de carga. O comprimento de quase seis metros e a largura, que supera os dois metros contando os retrovisores, são inconvenientes para rodar em grandes centros urbanos. É difícil se manter dentro de uma faixa de rolamento, por exemplo, sem contar no sacrifício que é encontrar uma vaga para estacionar. No caso de shoppings ou supermercados, a frente ou a caçamba ficam fora das vagas. Para quem precisa de uma picape, mas não quer esse tamanhão todo, pode se dar bem com uma Fiat Toro ou Renault Duster Oroch, por exemplo, já que são menores e até mais baratas.

Agora para quem vive no campo e precisa de uma picape média, esta versão da S10 pode dar conta do trabalho e ainda entregar um certo requinte e conforto aos ocupantes. Há alguns pequenos deslizes, como a já citada ausência do ajuste de profundidade da coluna de direção, além da falta do detector de ponto cego nos retrovisores e de saída de ar e porta USB para quem vai atrás. Mas são detalhes que não apagam os méritos da picape, que mesmo com quase 10 anos de estrada, segue sendo uma das principais concorrentes de sua categoria.

Ficha técnica

Chevrolet S10 High Country 4X4 Diesel

Motorização: 2,8l turbo diesel 4 cilindros em linha de 200 cavalos a 3.600 rpm

Torque máximo líquido: 51 kgfm a 2 mil rpm

Transmissão: automática de 6 velocidades

Tanque de combustível: 76 L

Consumo: 9,6 km/l cidade/estrada (pelo computador de bordo)

Dimensões: 5,36 m (comprimento); 1,87 m (largura carroceria); 1,83 m (altura)

Entre-eixos: 3,09 m

Caçamba: 1,48 m (comprimento); 1,53 m (largura); 1134 kg (capacidade máxima)

Peso: 2.016 kg

Preço sugerido: R$ 234.360 (R$ 236.260 como a testada, de acordo com o site da Chevrolet)

Pontos positivos: espaço interno, melhoria da agilidade e potência do motor

Pontos negativos: ausência do ajuste de profundidade do volante e que prejudica a posição de dirigir, ausência de saída de ar e porta USB para a traseira e falta do aviso de ponto cego

Leo AlvesJornalista formado na Universidade Metodista de São Paulo e participante do curso livre de Jornalismo Automotivo da Faculdade Cásper Líbero, sou apaixonado por carros desde que me conheço por gente. Já escrevi sobre tecnologia, turismo e futebol, mas o meu coração é impulsionado por motores e quatro rodas (embora goste muito de aviação também). Já estive na mesma sala que Lewis Hamilton, conversei com Rubens Barrichello e entrevistei Christian Fittipaldi.
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