Honda e Hyundai voltaram ao centro das discussões no mercado automotivo.
Enquanto a montadora japonesa enfrenta um prejuízo bilionário global, um rival direto começa a ganhar força em mercados importantes, inclusive no Brasil.
A situação ficou ainda mais delicada após uma mudança brusca na estratégia de eletrificação da empresa.
O impacto foi tão grande que a Honda registrou um resultado negativo histórico em suas contas.
E, olhando para os números do mercado brasileiro, não parece que a situação vai melhorar tão cedo.
A perda foi de aproximadamente US$ 3,6 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 18,5 bilhões em conversão direta.
O principal motivo foi uma reestruturação de US$ 15,7 bilhões ligada à estratégia de veículos elétricos da montadora.
Como parte dessa mudança, a Honda decidiu cancelar três modelos elétricos que seriam produzidos nos Estados Unidos:
Honda 0 SUV
Honda 0 Saloon
Acura RSX
Vale lembrar que a Acura é a marca de luxo da Honda.
A decisão reflete uma revisão da estratégia da empresa diante das mudanças no mercado de carros elétricos.
Demanda por elétricos também pesa o cenário da Honda
Fábrica da Honda – Foto: divulgação
Outro fator que contribuiu para o cenário negativo foi a queda na demanda por veículos elétricos em alguns mercados.
O CEO da Honda, Toshihiro Mibe, afirmou que o cenário atual torna difícil manter a rentabilidade nesse segmento.
Após o anúncio dos resultados, as ações da empresa listadas nos Estados Unidos chegaram a cair 8% nas negociações pré-mercado.
Como sinal da gravidade da situação, executivos da empresa decidiram reduzir voluntariamente seus salários.
O presidente Toshihiro Mibe e o vice-presidente Noriya Kaihara cortarão 30% dos salários por três meses, enquanto outros executivos terão reduções de cerca de 20%.
Brasil não deve ajudar a reverter o cenário
Se depender do mercado brasileiro, a recuperação da Honda pode não ser tão rápida.
Dados da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) mostram que a marca não tem conseguido posições de destaque entre os carros mais vendidos.
No mês de fevereiro, por exemplo, os modelos da Honda ficaram apenas em posições intermediárias.
21º Honda HR-V — 2.948 unidades
27º Honda WR-V — 2.630 unidades
Esses números mostram que, pelo menos no Brasil, a montadora ainda não conseguiu repetir o sucesso de outros períodos.
Creta aumenta pressão sobre a Honda
A situação fica ainda mais complicada quando se observa o desempenho dos concorrentes diretos.
Um dos principais rivais do Honda HR-V, o Hyundai Creta, aparece em posição muito mais confortável no ranking.
10º Hyundai Creta — 5.045 unidades
No ranking do varejo, a diferença também chama atenção.
3º Hyundai Creta — 3.597 unidades
15º Honda HR-V — 2.036 unidades
Ou seja, o SUV da Hyundai vem ocupando uma fatia maior do mercado.
Hyundai aposta em novas versões e bônus
Além do bom desempenho nas vendas, a Hyundai também tem reforçado a estratégia comercial do Creta.
Entre os atrativos estão condições especiais para compra, como bônus de até R$ 8.000 na troca de seminovo.
Esses fatores ajudam a manter o Creta competitivo dentro do segmento.
Como vimos acima, o prejuízo bilionário da Honda mostra como o mercado automotivo global passa por mudanças rápidas, especialmente na transição para veículos eletrificados.
Ao mesmo tempo, no Brasil, a marca enfrenta dificuldades para ganhar espaço entre os SUVs mais vendidos.
Enquanto isso, rivais como o Hyundai Creta seguem avançando no ranking, aumentando ainda mais a pressão sobre a montadora japonesa.
E você, como avalia o cenário da montadora no mercado brasileiro? Comente e compartilhe a sua opinião com outros leitores do Garagem360.