Tiggo 5X enfrenta 1ª crise com sinal de R$ 5 mil; quem está com a razão?

Saiba mais detalhes sobre a polêmica envolvendo o Tiggo 5X e como isso pode prejudicar a relação com o consumidor

O lançamento do CAOA Chery Tiggo 5X 2027 gerou forte procura nas concessionárias, mas também abriu espaço para a primeira polêmica envolvendo o SUV compacto.

A discussão surgiu após consumidores questionarem nas redes sociais, conforme explicamos nesta reportagem, a exigência de R$ 5 mil de sinal para reservar o veículo, sem garantia do preço final anunciado.

A situação ganhou repercussão e levantou uma dúvida importante entre interessados no modelo: afinal, quem está com a razão nessa história: consumidores ou montadora?

Para entender melhor o caso, é preciso analisar dois pontos principais: a explicação da CAOA Chery e o que determina o Código de Defesa do Consumidor.

Logo abaixo, explicamos com mais detalhes. Acompanhe!

O que diz a CAOA Chery?

A CAOA Chery confirmou que existe um sistema de reserva para o Tiggo 5X 2027 e explicou como funciona esse processo de negociação.

Segundo a montadora, em um comunicado enviado ao site Auto+ há uma diferença importante entre os veículos que foram vendidos durante o período inicial de lançamento e aqueles que foram apenas reservados nas concessionárias.

De acordo com a empresa, os carros negociados entre 24 de fevereiro e o início de março tiveram a venda formalizada com assinatura de contrato.

Nesses casos, o valor acordado no momento da compra é mantido e não pode sofrer alteração posterior.

Quando o carro é apenas reservado?

A situação muda quando o cliente apenas realiza a reserva do Tiggo 5X 2027.

Nesse caso, ainda não existe um contrato de compra e venda do veículo.

O pagamento funciona apenas como uma garantia de posição na fila de entrega mediante o pagamento de um sinal.

A montadora afirma que, nesse tipo de negociação, o carro ainda não foi produzido nem faturado para o consumidor.

Por esse motivo, o preço definitivo só é confirmado no momento em que o veículo é faturado pela concessionária.

Isso significa que, caso a tabela de preços da montadora seja alterada antes da entrega, o novo valor pode ser aplicado ao consumidor.

CAOA Chery Tiggo 5x – Foto divulgação

Orientação às concessionárias

Segundo a própria empresa, as concessionárias foram orientadas a informar previamente os clientes sobre a possibilidade de alteração de preço.

A justificativa é que o processo de reserva não caracteriza uma venda formal, já que o contrato definitivo e o faturamento do carro ainda não aconteceram.

Por esse motivo, o valor do CAOA Chery Tiggo 5X 2027 pode sofrer ajustes até a conclusão da negociação, dependendo da tabela vigente no momento da entrega do SUV.

A resposta oficial da montadora foi enviada ao site Auto+, que entrou em contato com a empresa após o surgimento das críticas.

O que diz o Código de Defesa do Consumidor

Para avaliar se esse tipo de prática é permitido, é necessário observar alguns pontos da legislação brasileira.

O artigo 30 do Código de Defesa do Consumidor estabelece que toda informação ou publicidade divulgada por uma empresa passa a integrar o contrato de compra.

Na prática, isso significa que, se um produto é anunciado com determinado preço, o consumidor poderia exigir o cumprimento da oferta.

Porém, existe uma ressalva importante. Muitas empresas utilizam a expressão “preço público sugerido”, indicando que o valor divulgado funciona apenas como referência de tabela.

No site oficial da Caoa Chery, o preço do Tiggo 5X aparece exatamente com essa observação, o que indica que o valor final pode variar conforme a negociação ou a disponibilidade nas concessionárias.

Tiggo 5X – Foto: divulgação

Quando a oferta não é cumprida

Outro ponto relevante está no artigo 35 do CDC.

Ele determina que, caso uma empresa anuncie um produto e depois se recuse a cumprir aquilo que foi divulgado, o consumidor pode escolher entre três caminhos:

  • exigir o cumprimento da oferta

  • aceitar um produto equivalente nas mesmas condições

  • cancelar a negociação com devolução integral do valor pago

No caso do Tiggo 5X, no entanto, a situação tende a ser interpretada de forma diferente.

Reserva não significa compra do veículo

Esse é o ponto central da discussão.

Do ponto de vista jurídico, reservar um carro mediante sinal não significa que a compra foi concluída.

A venda só é formalizada quando existe contrato definitivo e faturamento do veículo pela concessionária.

Até esse momento, o cliente está apenas garantindo uma posição na fila de entrega do modelo.

Quem está com a razão?

Diante dessas informações, a situação acaba sendo mais complexa do que parece à primeira vista.

Se o consumidor foi informado previamente sobre a possibilidade de alteração de preço, a prática tende a ser considerada legal, já que a operação é tratada como reserva e não como venda definitiva.

Por outro lado, se a comunicação não foi clara ou se houver publicidade sem ressalvas sobre possíveis mudanças de valor, a situação pode gerar questionamentos com base no Código de Defesa do Consumidor.

Em outras palavras, o ponto central da discussão está na transparência da informação repassada ao cliente durante o processo de reserva.

E você, como avalia este cenário? Comente e compartilhe a sua opinião com outros leitores do Garagem360
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Matheus Azevedo
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