Pioneira entre chinesas tira dois carros de linha no Brasil e muda estratégia para apostar em picapes

Na contramão da invasão chinesa, uma das primeiras marcas da China a chegar ao Brasil está encolhendo.
A JAC Motors tirou de linha dois de seus três carros de passeio, fechou concessionárias e agora aposta todas as fichas em um único caminho, as picapes.
A queda de uma pioneira
Enquanto marcas chinesas como BYD e Geely colocam vários modelos entre os dez mais vendidos do país, a JAC, que chegou ao Brasil bem antes delas, caminha no sentido oposto.
A empresa que um dia inaugurou 50 lojas em um único dia viu sua rede minguar: das cinco concessionárias que ainda listava, a de Brasília fechou e uma das duas de São Paulo será unificada.
Sobraram apenas três pontos de venda físicos no Brasil inteiro, um retrato do tamanho da reestruturação.
Quais carros saíram de linha
A poda foi profunda na linha de passeio. A JAC descontinuou o sedã E-J7 e o SUV E-JS4, dois dos três automóveis que vendia.
As concessionárias confirmaram que os modelos não estão mais em est
oque e não há previsão de novos lotes.
Resta apenas o subcompacto elétrico E-JS1, que já foi o carro elétrico mais barato do país, mas cujo futuro também é incerto. Na prática, a marca está se retirando quase por completo do segmento de carros de passeio.
Nova aposta: picapes e o foco na Hunter
Se de um lado a marca encolhe, de outro ela se reinventa. A JAC decidiu concentrar esforços onde enxerga mais lucro e menos briga com os elétricos baratos: o segmento de picapes.
A estrela dessa nova fase é a JAC Hunter, uma picape média turbodiesel com 191 cv, tração 4×4 e capacidade de carga de 1,4 tonelada, que parte de cerca de R$ 219.900.
A proposta é ambiciosa: brigar com gigantes consagradas como Toyota Hilux, Ford Ranger e Chevrolet S10. A marca também se apoia na sua linha de caminhões elétricos, área em que já tem presença consolidada.

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Loja física de menos, internet de mais
Há ainda uma segunda mudança de estratégia por trás do fechamento de lojas.
Segundo a JAC, a redução da rede física acompanha uma aposta em vendas online e a distância, modelo que a marca diz vir desenvolvendo há cerca de dois anos.
A ideia, na teoria, é alcançar clientes de todas as regiões sem precisar de uma concessionária em cada cidade, apoiada em 142 oficinas credenciadas para a assistência.
Na prática, porém, uma rede tão enxuta acende um alerta para quem tem ou pensa em comprar um JAC: vale checar antes onde será possível fazer revisões e encontrar peças na sua região.
O caso da JAC serve de lembrete de que o rótulo “marca chinesa” não é garantia de sucesso automático no Brasil. Ser pioneira não bastou, e a empresa aposta agora na sobrevivência por meio de um nicho mais rentável.










