O Fiat Uno de R$ 9 milhões: Entenda o caso do veículo recordista de multas em SP
Relembre o caso do Fiat Uno apreendido em SP com R$ 9 milhões em débitos. Entenda como a falta de indicação de condutor transformou multas comuns em uma dívida milionária.
Em uma fiscalização de rotina na Avenida Senador Teotônio Vilela, zona sul de São Paulo, a Polícia Militar e o Detran-SP realizaram uma das apreensões mais impressionantes da história do trânsito paulista. Um Fiat Uno Mille, aparentemente comum, escondia uma dívida acumulada de R$ 9.038.872,87 (aproximadamente R$ 15,2 milhões em valores corrigidos para 2026).
O Fiat Uno de R$ 9 milhões: Entenda o caso do veículo recordista de multas em SP
O montante, que supera em centenas de vezes o valor de mercado do próprio carro, era composto quase inteiramente por multas municipais, somando 1.614 infrações — a maioria por excesso de velocidade e desrespeito ao sinal vermelho.
Muitos se perguntam como um carro popular pode acumular uma dívida milionária. A explicação reside na legislação para Pessoas Jurídicas (PJ). O veículo estava registrado em nome de uma empresa que cometeu uma falha estratégica grave: a não indicação do condutor.

Funciona assim:
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Quando um carro de empresa é multado e o motorista não é identificado, a lei prevê a Multa por Não Indicação de Condutor (NIC).
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O valor dessa multa é multiplicado pelo número de vezes que aquela mesma infração se repetiu nos últimos 12 meses.
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Exemplo prático: Se o veículo avança o sinal vermelho (R$ 293,47) dez vezes no ano sem identificar quem dirigia, a décima multa NIC custará R$ 2.934,70 isoladamente.
Destino do veículo e da dívida
Como era de se esperar, o Fiat Uno foi enviado ao pátio e destinado a leilão. No entanto, o leilão de um carro desse porte arrecada apenas uma fração irrisória da dívida.
Pela lei, o valor arrecadado no arremate é usado para abater as custas de pátio e uma pequena parte dos débitos. O saldo devedor remanescente (que no caso do Uno ainda seria de quase R$ 9 milhões) não desaparece: ele permanece vinculado ao CNPJ da empresa proprietária, que fica impedida de licenciar outros veículos e pode sofrer cobranças judiciais e bloqueios de contas.
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Sou Robson Quirino. Formado em Comunicação Social pelo IESB-Brasília, atuo como Redator/ Jornalista desde 2009 e para o segmento automotivo desde 2019. Gosto de saber como os carros funcionam, inclusive a rebimboca da parafuseta.