Morte terrível foi responsável por mudança nos cintos de segurança 

No começo dos anos 2000, a GM passou por uma crise no país, quando precisou fazer o maior recall automotivo já registrado aqui. Após o relato de vários acidentes, dois com vítimas fatais, os órgãos de defesa do consumidor obrigaram a empresa a realizar a mudança nos cintos de segurança. 

troca no cinto de segurança
Mudança no cinto de segurança se deu por peças que poderiam se soltar. Foto: Freepik

Peças que se soltavam foi a razão da mudança nos cintos de segurança

O problema foi identificado em unidades do Corsa produzidas entre 1994 e 1999. Os modelos apresentavam falhas na suspensão, o que poderia levar ao desgaste prematuro do sistema. 

Em uma possível freada ou colisão, os cintos de segurança poderiam se soltar, não cumprindo sua função. Em decorrência disso, em acidentes os passageiros não estavam totalmente seguros. 

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Após investigações do Ministério Público, o recall foi anunciado pela General Motors. A marca convocou todos os proprietários para comparecer a uma das concessionárias para substituir o kit de peças da base de fixação inferior do cinto de segurança. 

O kit incluía um rebite de pouco mais de 15 cm acoplado ao jogo de fixação do cinto. Depois de feito, o rebite era soldado e parafusado para não se soltar durante as frenagens. O parafuso ainda foi protegido com uma espécie de chapéu para evitar que ficasse visível. 

Números do Recall

No total, o recall da General Motors envolveu cerca de 1,3 milhão de carros, fazendo desse episódio um dos mais significativos da indústria automobilística do país.

– Cerca de 1,06 milhão de veículos da linha Corsa passaram pelo maior recall automotivo já registrado no país;

– A falha envolvia problemas na suspensão dianteira do veículo, que poderiam causar desgaste prematuro do sistema e possíveis acidentes graves;

– Como parte do recall, a General Motors convocou todos os proprietários do veículo para substituir a suspensão dianteira gratuitamente e oferecer um serviço de atendimento especializado em suas concessionárias;

– Além do recall no Brasil, mais de 264 mil carros da linha Corsa foram exportados para a América Latina e Europa e também precisaram passar pelo recolhimento;

– Outro modelo da General Motors, o Tigra, também precisou passar por recall no país, com aproximadamente 2.627 modelos importados desde 1998 da Alemanha em questão.

recall
Recall envolveu mais de 1,3 milhões de unidades

Procon também se manifestou

O Procon também notificou a GM, alegando que a GM não orientou corretamente os proprietários que chegaram a questionar ao órgão que não tinha um número para esclarecer possíveis dúvidas. 

Além de apontar falhas na comunicação, divulgação dos locais para a realização do recall, quais os modelos que deveriam passar pela revisão e os trâmites para quem comprou o carro de segunda mão. 

Na ocasião, o Procon acusou que a montadora deixou a responsabilidade da troca para os consumidores e que ela já sabia do problema desde 1999, mas não se manifestou. 

Apesar de problemático, o recall foi um marco na indústria  automotiva do país, acendendo o debate sobre a importância da segurança dos veículos disponibilizados no mercado brasileiro. Também foi importante para alertar os consumidores a manterem seus carros em bom estado de conservação. 

Robson QuirinoSou Robson Quirino. Formado em Comunicação Social pelo IESB-Brasília, atuo como Redator/ Jornalista desde 2009 e para o segmento automotivo desde 2019. Gosto de viagens rápidas, mas sonho em viajar em um cosmic car para o espaço sideral.
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