Há 5 anos, Michael Schumacher sofria acidente de esqui; relembre a carreira do heptacampeão
No dia 29 de dezembro de 2013, o mundo era surpreendido pelo acidente de Michael Schumacher. Sete vezes campeão mundial de Fórmula 1.
No dia 29 de dezembro de 2013, o mundo era surpreendido pelo acidente de Michael Schumacher. Sete vezes campeão mundial de Fórmula 1, recordista em número de vitórias e um dos maiores esportistas do mundo, o alemão teve um grave trauma na cabeça, entrou em coma e segue em recuperação, mesmo passados cinco anos.
Para preservar o ex-piloto, a família Schumacher nunca revelou qual é o verdadeiro estado de saúde. Nas últimas semanas, surgiram notícias que ele estaria respirando sem a ajuda de aparelhos. A informação, porém, não foi confirmada por ninguém próximo ao piloto. Nem mesmo seu filho Mick Schumacher, que vai guiar pela Fórmula 2 em 2019, fala sobre o pai.
Carreira Michael Schumacher
Apesar do mistério sobre a saúde do alemão, a carreira de Schummy no automobilismo sempre merece ser relembrada. Nascido em 3 de janeiro de 1969, o alemão ganhou seu primeiro kart do pai aos 4 anos. Dois anos depois, veio o primeiro título. Algum tempo depois, em 1987, Schumacher fatura os títulos alemão e europeu de kart, migrando para os monopostos em 1988.
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Após entrar para o programa de jovens pilotos da Mercedes-Benz, ele passou a guiar pela equipe Sauber – que ainda não estava na F-1 – pelo campeonato mundial de endurance, o WEC da época. Seus primeiros passos na categoria foi em 1990, onde ele venceu a última prova do ano, no México. O que talvez Schumacher não sabia é que sua vida mudaria completamente em 1991.
Estreia na F-1
Durante o GP da Bélgica de 1991, a Jordan precisava de um substituto para Bertrand Gachot. O piloto conseguiu a proeza de ser preso na Inglaterra por conta de uma confusão com um taxista, com direito a spray de pimenta contra o motorista. Porém, o assento vago quase foi oferecido ao sueco Stefan Johansson, mas a Sauber-Mercedes pagou 150 mil dólares para que Schumacher fosse o escolhido.
Dessa forma, em 25 de agosto daquele ano, o alemão chegava à categoria máxima do automobilismo, aos 22 anos. A corrida, porém, acabou logo na primeira volta para Schumacher, que abandonou por conta de uma quebra em seu carro nº 32. Mesmo assim, seu desempenho no treino classificatório, onde largou em sétimo, despertou o interesse de um nome poderoso na categoria.
Benetton
Eddie Jordan até queria que Schumacher fechasse um acordo definitivo com sua equipe. Porém, Flavio Briatore, então dirigente na Benetton, ofereceu um assento no time já para a próxima corrida, que seria na Itália. Schummy entrou no lugar de Roberto Pupo Moreno e fez dupla com Nelson Piquet, no último ano do tricampeão na categoria.
Em 1992, Schumacher conseguiu seus primeiros resultados expressivos na categoria. No mesmo autódromo de sua estreia, ele conquistou sua primeira vitória na categoria. No ano seguinte, voltou a vencer, dessa vez em Portugal.
Campeão do mundo
Os olhos do mundo estavam voltados para a Williams e Ayrton Senna em 1994. A equipe, que havia dominado as duas temporadas anteriores, trouxe o tricampeão mundial para ser seu piloto principal. Só que quando a temporada começou, o brasileiro percebeu que a Benetton de Schumacher seria seu principal adversário. Senna até conseguiu a pole das três corridas que disputou, mas foi o alemão quem venceu as três provas.
O trágico GP de Ímola, que vitimou Roland Ratzenberger nos treinos e Senna na corrida, impediu a disputa entre o brasileiro e o germânico. Em um campeonato marcado por graves acidentes, irregularidades nos carros da Benetton e por uma manobra controversa do alemão na última prova, Schumacher se sagrou campeão do mundo pela primeira vez.
Em 1995, Schummy e a equipe italiana dominaram a categoria e ele conquistou seu segundo, e último, título pela escuderia. Para 1996, um novo desafio foi proposto para o piloto, que decidiu partir para outra equipe da Itália, e que enfrentava um longo jejum de conquistas.
Era Ferrari
Desde 1979, quando Jody Scheckter foi campeão do mundo, um piloto não ganhava um campeonato pela Ferrari. Reza a lenda que o plano original dos italianos era contar com Ayrton Senna para 1996. Sem o brasileiro, a equipe então fechou com Schumacher, naquele que se tornaria o maior casamento da categoria.
Logo em seu primeiro ano, o alemão já levou o carro vermelho ao lugar mais alto do pódio, no GP da Espanha de 1996. Em 1997, brigou pelo título com Jacques Villeneuve, da Williams, até a última prova, quando protagonizou uma cena vergonhosa. Numa tentativa de ultrapassagem, o alemão jogou seu carro para cima do canadense. Com o toque, ele levou a pior e abandonou. Villeneuve seguiu na corrida e conquistou o único título de sua carreira. Por conta disso, Schumacher não ficou nem com o vice-campeonato, já que foi excluído da tabela de classificação final por atitude antidesportiva.
Nos anos seguintes, Mika Häkkinen foi bicampeão com a McLaren. Em 1999, porém, a Ferrari voltou a ser campeã de construtores, na temporada que foi marcada por acidente grave de Schumacher no GP da Inglaterra. O alemão quebrou a perna e só retornou ao time no final daquele ano.
A sorte do alemão e da equipe italiana iam começar a mudar em 2000. Naquele ano, Rubens Barrichello passou a dividir o box ferrarista, sendo o primeiro brasileiro a guiar pela escuderia. E, depois de quatro temporadas, Schumacher encerrava definitivamente o jejum da Ferrari e conseguia seu primeiro título no carro vermelho.
Depois disso, ele não parou mais de vencer e enfileirou títulos e recordes. Em 2003, ao se sagrar hexacampeão, Schumacher se tornou o maior campeão da história da categoria, superando o pentacampeão Juan Manuel Fangio. O alemão ainda dominaria a temporada de 2004, conquistando seu sétimo e último título.
Após um ano fraco da Ferrari em 2005, Schumacher voltou a disputar um título em 2006. Dessa vez o rival foi Fernando Alonso e sua Renault. O alemão até tentou, mas viu o espanhol se sagrar bicampeão do mundo no Brasil. Naquela prova, vencida pela Ferrari de Felipe Massa, o alemão se despediu da categoria pela primeira vez.
Volta pela Mercedes
Quando Massa se acidentou na Hungria, em 2009, Schumacher chegou a ser anunciado como seu substituto. Porém, os médicos vetaram o retorno do alemão. No ano seguinte, com a volta da Mercedes à categoria, o heptacampeão topou retornar aos cockpits, mesmo aos 41 anos. Foram três temporadas pelos prateados, sempre ao lado de Nico Rosberg.
Pela Mercedes, Schumacher fez 58 provas e conseguiu um pódio |Foto: f1photos.org on Foter.com / CC BY-NC-ND
Mesmo sem conquistar nenhuma vitória, ele ajudou no processo de estruturação da equipe, que hoje domina a categoria. No final de 2012, aos 43 anos, Michael Schumacher se despediu em definitivo da categoria como maior campeão (7 títulos), recordista em vitórias (91) e em poles (68) – este, superado por Lewis Hamilton em 2017.
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E como o assunto é a F1, relembre alguns dos carros mais históricos da categoria.
- Carros Históricos F1: Lotus 49: em 1967, Colin Chapman apresentou ao mundo o inovador Lotus 49; ele trouxe novos conceitos para a F1, sendo o primeiro carro a exibir uma marca de patrocínio; também ajudou a popularizar os aerofólios na categoria, além de mudar a posição dos radiadores da frente para as laterais, conceito usado até hoje |Foto: jimculp@live.com / ProRallyPix via VisualHunt.com / CC BY-NC-ND
- Lotus 72: outra obra prima de Colin Chapman, o Lotus 72 inovou a aerodinâmica da F1; foi o carro que deu ao brasileiro Emerson Fittipaldi seu primeiro título na categoria, em 1972 |Foto: Plbmak via Visual Hunt / CC BY-NC-ND
- McLaren M23: lançado durante a temporada de 1973, o bólido foi responsável pelo primeiro título de pilotos da equipe um ano depois, nas mãos de Emerson Fittipaldi, que se sagrou bicampeão do mundo; em 1976, deu a James Hunt seu único título de pilotos; foi aposentado em 1977 | Foto: Sum_of_Marc via Visual Hunt / CC BY-NC-ND
- Lotus 79: Colin Chapman realmente era um visionário e, em 1978, apresentou o inovador Lotus 79, que tinha seu assoalho em formato de asa invertida, sendo o primeiro carro da categoria com o recurso; o resultado foi o título de pilotos, com o norte-americano Mario Andretti, e o de construtores para a escuderia | Foto: bobaliciouslondon via Visualhunt.com / CC BY
- Renault RS10: em 1979, a Renault entrou pela primeira vez na F1; embora nunca tenha sido campeã do mundo, a máquina foi a responsável por inaugurar a primeira era turbo da categoria, que durou até 1988 |Foto: bibendum84 via Visual Hunt / CC BY-SA
- Lotus 99t: último carro guiado por Ayrton Senna na Lotus, o 99t foi o primeiro a utilizar a suspensão ativa; apesar de a inovação não ter feito muito sucesso, ajudou o piloto brasileiro a conquistar suas últimas vitórias pela equipe |Foto: BYSER via VisualHunt / CC BY
- McLaren MP4-4: em 1988, a McLaren contratou Ayrton Senna para ser seu piloto, ao lado do bicampeão do mundo Allain Prost, formando uma das maiores rivalidades da história da categoria; arrasador, o MP4-4 sobrou naquela temporada, vencendo 15 das 16 corridas que disputou, fechando com chave de ouro a era turbo e dando ao brasileiro seu primeiro título|Foto: atomicjam via Visualhunt / CC BY-NC
- Williams FW14b: o inglês Nigel Mansell, em 1992, pôde, enfim, comemorar seu título mundial de pilotos; o FW14b venceu 10 das 16 corridas daquele ano, e trouxe inovações como suspensão ativa, cujo conceito foi ampliado depois do Lotus 99t, transmissão semiautomática e controle de tração |Foto: Dan Mumford via Visual Hunt / CC BY-NC-ND
- Ferrari F2002: símbolo do domínio que a Ferrari teve no começo dos anos 2000, o F2002 reinou absoluto na temporada daquele ano, vencendo 15 das 17 corridas disputadas e deu ao alemão Michael Schumacher seu quinto título |Foto: alessio mazzocco via Visualhunt / CC BY-NC
- Ferrari F2004: mais um carro dominante da Ferrari, o F2004 ajudou Schumacher a conquistar seu sétimo e último título, o quinto consecutivo; com o bólido, o alemão venceu 13 das 18 provas daquela temporada| Foto: emperornie via Visual hunt / CC BY-SA
- Red Bull RB7: Sebastian Vettel conquistou seu segundo título a bordo de uma máquina demolidora, em 2011; o RB7 venceu 12 das 19 corridas (sendo 11 com Vettel), além de conseguir 18 das 19 poles possíveis | Foto: nic_r via Visual hunt / CC BY-SA
- Mercedes-Benz F1 W05 Hybrid: primeiro carro campeão da nova era turbo da categoria, o bólido que deu o segundo título mundial para Lewis Hamilton conquistou 16 das 19 corridas de 2014, sendo pole em 18 das 19 etapas | Foto: nhayashida via VisualHunt.com / CC BY
- Mercedes-Benz F1 W06 Hybrid: carro vencedor de 2015, deu o terceiro título de pilotos ao inglês Lewis Hamilton, o W06 foi tão dominante que conseguiu 16 vitórias em 19 etapas e 18 poles | Foto: nhayashida via VisualHunt.com / CC BY
Jornalista formado na Universidade Metodista de São Paulo e participante do curso livre de Jornalismo Automotivo da Faculdade Cásper Líbero, sou apaixonado por carros desde que me conheço por gente. Já escrevi sobre tecnologia, turismo e futebol, mas o meu coração é impulsionado por motores e quatro rodas (embora goste muito de aviação também). Já estive na mesma sala que Lewis Hamilton, conversei com Rubens Barrichello e entrevistei Christian Fittipaldi.