Mercado automotivo: vendas sobem, mas frota brasileira é a mais velha em uma década
Setor automotivo prevê alta de 3% para 2026, mas frota brasileira atinge idade média de 11 anos. Entenda por que o carro novo ficou distante e os riscos da frota antiga.
O setor automotivo brasileiro atravessa um momento de contrastes profundos. Enquanto os números de licenciamentos dão sinais de recuperação, com um fechamento de 2025 positivo, os dados sobre a idade dos veículos em circulação acendem um alerta: o brasileiro está demorando muito mais para trocar de carro, resultando em uma frota cada vez mais envelhecida.
Mercado automotivo: vendas sobem, mas frota brasileira é a mais velha em uma década
De acordo com dados recentes, o mercado encerrou o último ano com uma alta de 2,1%, somando 2,69 milhões de unidades vendidas. O fôlego extra veio de um dezembro histórico, impulsionado por programas governamentais de sustentabilidade e grandes renovações de frotas por locadoras.
A Fenabrave projeta que 2026 será um ano de expansão em todos os nichos, com destaque para o transporte de carga. Confira as metas:
- Carros e Leves: Alta prevista de 3% (2,63 milhões de unidades).
- Caminhões: Liderança no crescimento com 3,5% de avanço.
- Ônibus: Expansão estimada em 3%.

O X da Questão: Por que a frota envelheceu?
Apesar do crescimento nas vendas, a idade média dos veículos no Brasil saltou para quase 11 anos. Para se ter uma ideia do abismo, em 2015, quase 40% da frota era composta por carros “jovens” (até 5 anos); hoje, esse número despencou para apenas 22,3%.
Os principais motivos para o brasileiro segurar o carro antigo na garagem são:
Preços Proibitivos: O custo do carro 0km disparou devido a impostos e câmbio.
Crédito Caro: Juros elevados tornam o financiamento um desafio para a classe média.
Renda Estagnada: O poder de compra ainda não acompanha a valorização dos automóveis.

Riscos e Reflexos no Dia a Dia
Um carro com mais de 16 anos — categoria que hoje representa quase 24% da frota — traz impactos diretos para a sociedade:
Segurança: Veículos antigos carecem de tecnologias modernas (como mais airbags e controles de estabilidade) e sofrem com o desgaste natural de componentes críticos.
Poluição: Modelos defasados emitem muito mais gases poluentes que os motores atuais.
Mercado de Usados: Modelos como Gol e Palio seguem extremamente valorizados, sendo a única alternativa viável para quem precisa de mobilidade, mas não consegue acessar o mercado de novos.
Enquanto as motos mostram um leve rejuvenescimento e os elétricos crescem em ritmo acelerado (embora ainda sejam um nicho), o “grosso” da frota brasileira segue envelhecendo, demandando atenção para políticas que facilitem a renovação e a segurança viária.
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Sou Robson Quirino. Formado em Comunicação Social pelo IESB-Brasília, atuo como Redator/ Jornalista desde 2009 e para o segmento automotivo desde 2019. Gosto de saber como os carros funcionam, inclusive a rebimboca da parafuseta.