Ford negocia com chinesa BYD para salvar estratégia de híbridos após crise dos elétricos
Em uma movimentação que sinaliza uma mudança profunda no tabuleiro automotivo mundial, a Ford Motor Company está em negociações avançadas com a gigante chinesa BYD. Segundo fontes familiarizadas com o assunto ouvidas pelo The Wall Street Journal, a parceria visa o fornecimento de baterias da BYD para a nova linha de veículos híbridos da Ford, em um momento em que o mercado de carros 100% elétricos enfrenta um colapso de demanda.
Ford negocia com chinesa BYD para salvar estratégia de híbridos após crise dos elétricos
O acordo, caso seja finalizado, marca uma ironia estratégica: a Ford recorreria à tecnologia de sua maior rival chinesa — a mesma que vem causando receio em Detroit por sua capacidade de produzir veículos sofisticados a preços imbatíveis.
A Ford está em plena correção de rota. Após registrar custos previstos de US$ 19,5 bilhões relacionados às suas operações de veículos elétricos (EVs), a montadora americana decidiu reduzir sua aposta em modelos puramente a bateria. O novo foco agora são os sistemas híbridos e híbridos plug-in (PHEV).

Para sustentar essa expansão, a Ford precisa de escala e baixo custo de produção — especialidades da BYD. No quarto trimestre do ano passado, as vendas de híbridos da Ford já saltaram 18%, somando 55 mil unidades, o que reforça a urgência por baterias de alta performance e custo competitivo.
Detalhes da Parceria
Ainda que as discussões estejam em andamento, alguns pontos cruciais já foram delineados:
- Fábricas Globais: A Ford deve importar as baterias da BYD para suas unidades produtivas fora dos Estados Unidos, evitando, por enquanto, as tensões tarifárias diretas em solo americano.
- Histórico de Cooperação: As empresas não são estranhas uma à outra. Desde 2020, a Ford utiliza baterias BYD na China via sua joint venture com a Changan. Além disso, o novo Ford Bronco PHEV já utiliza células da subsidiária da BYD, a Findreams.
- Expansão da BYD: Enquanto a Ford recua nos elétricos, a BYD viu suas remessas de baterias crescerem 47% no último ano, expandindo fábricas na Europa, Sudeste Asiático e Brasil.

Desafios e Perspectivas
Embora o acordo resolva o problema imediato de suprimentos da Ford, ele também expõe a dependência ocidental da cadeia de suprimentos chinesa. A BYD, que começou como fabricante de baterias antes de se tornar uma potência automotiva, detém vantagens de custo que a Ford dificilmente conseguiria replicar sozinha no curto prazo.
A Ford estabeleceu a meta de que veículos eletrificados (híbridos e elétricos) representem 50% de suas vendas globais até 2030. A tecnologia da BYD pode ser o oxigênio necessário para que a montadora americana alcance esse objetivo sem comprometer ainda mais suas margens de lucro.
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Sou Robson Quirino. Formado em Comunicação Social pelo IESB-Brasília, atuo como Redator/ Jornalista desde 2009 e para o segmento automotivo desde 2019. Gosto de saber como os carros funcionam, inclusive a rebimboca da parafuseta.