Especial fabricantes nacionais: o pioneiro Romi-Isetta

Se hoje o Smart For Two é referência em termos de carro pequeno, há 60 anos quem ocupava esse posto era o Romi-Isetta. Perto de qualquer modelo, o automóvel de porta única é minúsculo. Seu comprimento é de apenas 2,28 m, 41 cm menor que o Smart. Se lhe falta tamanho, charme e importância histórica transbordam no simpático clássico, que é o primeiro carro produzido no Brasil, em 1956.

“O Romi-Isetta foi o primeiro carro de passageiros produzido no Brasil. O pioneiro da série foi concluído em 29 de junho de 1956. De um tempo para cá, muita gente tem repetido uma lenda que, segundo ela, o Romi-Isetta não teria sido o pioneiro, mas sim a perua Universal, da Vemag. Trata-se de um mal-entendido”, conta Eugenio Chitti, filho de Carlos Chitti, que foi um dos responsáveis por trazer o modelo ao País e um dos fundadores da Romi.

O foco desse especial do Garagem360 é relembrar a história das fabricantes brasileiras. A Romi é uma industria 100% tupiniquim, mas o Romi-Isetta é um veículo com dupla nacionalidade: o projeto é italiano, mas os modelos eram fabricados no Brasil.

Em 1955, Carlos Chitti conheceu em uma revista italiana um veículo que estava despertando a atenção das pessoas do país europeu. Com formato aerodinâmico em gota, o Iso Isetta conquistou Chitti, que viu no veículo uma oportunidade de causar uma revolução no mercado brasileiro.

Além do design, outro ponto que chama a atenção no Romi-Isetta é seu projeto mecânico inovador. Ele usa um motor de moto, que o tornava extremamente econômico.

Após algumas visitas para a Itália e um contrato assinado, no dia 30 de junho de 1956 o primeiro Romi-Isetta deixava a linha de produção em Santa Bárbara d’Oeste, no interior de São Paulo. Apesar disso, somente em meados de setembro daquele ano é que as vendas começaram para valer.

Entra a BMW

Na Europa, em 1955, a alemã BMW comprou o projeto do Isetta da Iso. Isso fez com que Carlos Chiti procurasse os bávaros para uma negociação, visando produzir mais modelos no País, incluindo as picapes, furgões e a versão para quatro passageiros do carrinho.

Apesar do avanço nas conversas, a empresa alemã acabou recuando por conta da crise financeira que enfrentava e a família Romi-Isetta nunca foi formada no Brasil.

Ascenção e queda

Embora tenha feito relativo sucesso no Brasil, estrelando inclusive programas de TV da época, o Romi-Isetta saiu de linha em 1961, após cinco anos de produção e cerca de três mil unidades fabricadas. Em seus três últimos anos (1959 a 1961), o modelo utilizou o motor BMW, mas mesmo assim ele perdeu espaço para a concorrência, que na época já era composta pela DKW-Vemag, Volkswagen, Simca e Willys.

Assim, o pequeno valente carro de uma só porta e motor de moto deixou de circular nas ruas e avenidas brasileiras, ao menos como zero quilômetro. “Considero o Romi-Isetta um passo de extrema importância para o processo de industrialização do País, pelo fato também de ter sido pioneiro. Ele também anteviu problemas graves de nossas cidades, como a falta de espaço e mobilidade. Há mais de 60 anos, o carro já apresentava soluções para essas questões”, declara Eugenio Chitti.

Passados quase 60 anos do fim da produção, o Romi-Isetta ainda possui uma legião de fãs no Brasil. O próprio Eugenio é dono de um exemplar 1956, que ilustra essa reportagem.

Questionado sobre o veículo faria sucesso se fosse lançado hoje no Brasil, Chitti não tem dúvidas. “As grandes cidades do mundo, cada vez maiores, têm problemas de mobilidade urbana. Acredito que a solução para esta questão passa por veículos como o Romi-Isetta. Para cumprirem com esse objetivo, políticas públicas voltadas ao incentivo deste tipo de carro se fazem necessárias. Um exemplo vem do Japão, onde os minicarros (K-Cars) tem suas vendas incentivadas por este tipo de política”, finaliza.

A partir de hoje, toda segunda-feira, o Garagem360 publica uma nova parte do especial das fabricantes brasileiras. Ao logo das semanas, as icônicas Gurgel, Puma, Aurora e a recente Troller terão suas histórias relatadas aqui.

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Leo Alves
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Leo Alves

Jornalista formado na Universidade Metodista de São Paulo e participante do curso livre de Jornalismo Automotivo da Faculdade Cásper Líbero, sou apaixonado por carros desde que me conheço por gente. Já escrevi sobre tecnologia, turismo e futebol, mas o meu coração é impulsionado por motores e quatro rodas (embora goste muito de aviação também). Já estive na mesma sala que Lewis Hamilton, conversei com Rubens Barrichello e entrevistei Christian Fittipaldi.

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