Carros elétricos já são 1 em cada 5 novos veículos de app — e avanço acende alerta para furtos

Os carros elétricos já respondem por mais de um a cada cinco novos veículos incorporados às frotas de motoristas de app no Brasil, impulsionados pelos modelos chineses e pela economia de combustível.
Mas esse avanço acelerado trouxe um efeito colateral preocupante: os furtos e roubos de eletrificados dispararam, e a cobiça dos criminosos tem um alvo bem específico, a bateria.
Carros elétricos tomam conta dos apps
O primeiro dado que chama atenção é a velocidade com que os elétricos estão dominando o transporte por aplicativo. Esse segmento se tornou uma das principais portas de entrada da eletrificação no país.
Os carros elétricos já superam 20% dos novos veículos que entram nas frotas de motoristas de aplicativo, ou seja, mais de um a cada cinco carros novos usados nesse tipo de trabalho.
O movimento é puxado principalmente pelos modelos chineses acessíveis, como os da BYD e da Geely, que atraem os motoristas justamente pela promessa de custo por quilômetro muito menor que o dos carros a combustão.
Plataformas como a Uber, inclusive, registraram crescimento expressivo na presença desses veículos, com altas que superaram os três dígitos em pouco tempo.
Por que os motoristas de app aderiram aos carros elétricos?
A escolha pelos elétricos entre quem roda o dia inteiro tem uma lógica financeira difícil de ignorar. Para o motorista de aplicativo, cada real economizado por quilômetro faz diferença no fim do mês.
Quem roda centenas de quilômetros por dia sente na pele a economia com energia frente aos combustíveis fósseis, além da manutenção mais simples e barata desses veículos.
Programas de financiamento facilitado para profissionais do transporte, como o Move Brasil, também ajudaram a colocar mais elétricos nas mãos de taxistas e motoristas de app, acelerando a renovação das frotas com modelos a bateria.
Os furtos dos carros elétricos disparam
Todo esse crescimento veio acompanhado de um problema sério. À medida que os elétricos se multiplicam nas ruas, eles entraram de vez na mira dos criminosos.
Entre janeiro e maio de 2026, o estado de São Paulo registrou 107 ocorrências de roubos e furtos de carros elétricos e híbridos, ante 53 no mesmo período de 2025, um salto de cerca de 101%.
O mais preocupante é que esse aumento supera o próprio ritmo de expansão da frota eletrificada, que cresceu 71,7% no intervalo, passando de 445,9 mil para 765,9 mil unidades.
Ou seja, o crime está crescendo mais rápido que o número de carros.
A bateria dos carros elétricos é o verdadeiro alvo
Diferentemente do que acontece com carros a combustão, o interesse dos criminosos nos elétricos tem um foco muito claro. E não é o carro inteiro que vale mais.
O principal alvo dos desmanches é a bateria de alta tensão, peça que pode representar entre 30% e 50% do valor total do carro.
Para se ter ideia, no BYD Dolphin, um hatch de cerca de R$ 150 mil, a reposição do conjunto de baterias é estimada em mais de R$ 70 mil, praticamente metade do preço do veículo.
Esse valor no mercado paralelo de peças é o que transforma os elétricos em presas atraentes para quadrilhas especializadas.
Uma mudança no perfil do crime
Além do aumento no volume, os dados revelam uma alteração importante na forma como esses crimes acontecem. O tipo de delito mudou de um ano para o outro.
A diferença é notável. Em 2026, os furtos passaram a representar 85% das ocorrências, enquanto os roubos ficaram com apenas 15%.
No ano anterior, os roubos eram a maioria.
Isso indica que os criminosos estão agindo mais quando o carro está estacionado e sem o dono por perto, e não em abordagens diretas, o que sugere um planejamento voltado ao desmanche e à retirada de componentes específicos, como a bateria.
A capital de São Paulo concentra a grande maioria dos casos, com dezenas de registros.
Os desmanches especializados
A evolução do crime chegou ao ponto de surgirem operações dedicadas exclusivamente a esse tipo de veículo. As quadrilhas se profissionalizaram.
Em julho, a Polícia Militar de São Paulo desmantelou um desmanche especializado em veículos elétricos na Zona Leste da capital, onde foram encontrados diversos componentes, ferramentas de desmontagem e até um modelo da BYD roubado poucas horas antes da operação.
O reflexo no seguro dos carros elétricos
Toda essa insegurança tem um preço, e ele recai sobre o bolso do proprietário. As seguradoras já sentiram o impacto do aumento das ocorrências.
No Rio de Janeiro, a frequência de roubos e furtos de elétricos e híbridos plug-in chegou a 3,85% da frota segurada, quase o dobro dos 2,17% registrados entre veículos a combustão.
Essa diferença tende a pressionar o valor dos seguros para carros eletrificados, encarecendo a manutenção de um veículo que, em tese, deveria ser mais econômico no dia a dia.
Sou jornalista formado pela UNIFG, tenho 26 anos e combino a vivência da grande redação com a dinâmica da comunicação digital. Minha trajetória inclui uma sólida experiência – com mais de 6 anos - como redator, onde atuei em diversas editorias, como Esportes, Entretenimento e Cidades. Além do jornalismo online, possuo forte atuação em Assessoria de Imprensa e Social Media. Tenho experiência pela criação de estratégias de conteúdo para redes sociais, o que inclui a produção e edição de vídeos em ferramentas como CapCut e Canva. Essa bagagem multimídia me confere versatilidade, agilidade e a capacidade de traduzir pautas complexas em conteúdos dinâmicos para diferentes plataformas e públicos. Linkedin: Manuel Dias










