Nova picape elétrica de R$ 150 mil da Ford nem chegou e já enfrenta sufoco das chinesas

A Ford aposta suas fichas em uma picape elétrica compacta que promete custar o equivalente a cerca de R$ 150 mil, um preço agressivo para os padrões da marca.
O problema é que, mesmo antes de chegar às ruas, o projeto já nasce sob a sombra da concorrência chinesa, que ditou o ritmo e forçou a montadora americana a repensar tudo, do zero.
E o próprio comando da empresa não esconde a dimensão do desafio.
Um preço que só existe por causa da China
O novo modelo faz parte de uma plataforma que a Ford chama de Universal EV.
O lançamento está previsto para 2027, começando por uma picape de porte médio com preço inicial anunciado em torno de US$ 30 mil, mas que ainda promete entregar o que o comprador de elétrico espera hoje.
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No câmbio atual, esse valor gira em torno de R$ 150 mil.
O motivo dessa guinada em direção a um carro barato tem endereço claro.
A Ford está desenvolvendo essa plataforma de baixo custo como resposta direta à intensa pressão de preços vinda das montadoras chinesas e de novos rivais domésticos.
A verticalização da BYD, que lhe permite produzir carros elétricos de boa qualidade a preços que as marcas ocidentais tradicionais não conseguem alcançar, é justamente o que a plataforma da Ford tenta enfrentar.
O CEO da Ford que voltou “humilhado” da China
As declarações do presidente-executivo da Ford, Jim Farley, dão a medida do quanto a empresa se sente pressionada.
Ao relatar suas viagens ao país durante o Aspen Ideas Festival, Farley classificou a experiência como a coisa mais humilhante que já viu, elogiando abertamente a tecnologia, o custo e a qualidade dos elétricos chineses.
Segundo o executivo, a companhia está em uma competição global com a China que vai além dos elétricos, e, nas palavras dele, se essa disputa for perdida, a Ford não terá futuro.
A preocupação nasceu da observação direta da concorrência.
Farley contou ter ido à China seis ou sete vezes em um único ano para estudar os rivais, e destacou como grande diferencial a tecnologia embarcada muito superior desses veículos, com sistemas de gigantes como Huawei e Xiaomi presentes em praticamente todos os carros.
Em entrevista à rede CBS, Farley comparou a ameaça chinesa ao Japão dos anos 1980 “com esteroides” e afirmou que a China tem capacidade instalada suficiente em suas fábricas atuais para atender todo o mercado norte-americano e tirar as montadoras ocidentais do jogo.

A aposta de sobrevivência
Não é exagero dizer que o projeto é uma questão de vida ou morte para o negócio elétrico da Ford.
A empresa amargou um prejuízo de US$ 19,5 bilhões em dezembro e encerrou a produção da F-150 Lightning elétrica, o que significa que não pode se dar ao luxo de ver a nova estratégia fracassar.
Para chegar ao preço-alvo sem perder dinheiro, a Ford recorreu a métodos pouco convencionais.
A montadora afirma que uma combinação de peças fundidas em grandes blocos, no estilo de peças de Lego, pensamento inspirado na Fórmula 1 e até um programa de recompensas ajudará a atingir a meta de custo.
Na prática, a simplificação é radical: a marca pretende substituir 146 peças separadas por apenas dois grandes componentes de alumínio fundido e cortar cerca de 1,2 mil metros de fiação em relação ao Mustang Mach-E.
A escolha da bateria também segue a cartilha imposta pelos chineses.
A Ford vai adotar a química de lítio-ferro-fosfato, conhecida pela sigla LFP, mais barata, mais estável e mais durável que as baterias de níquel usadas no Ocidente, prometendo as células mais baratas dos Estados Unidos.
Curiosamente, nem essa independência é total. Ainda que produza as baterias em solo americano, a Ford usa tecnologia licenciada da chinesa CATL para fabricá-las.
Sou jornalista formado pela UNIFG, tenho 26 anos e combino a vivência da grande redação com a dinâmica da comunicação digital. Minha trajetória inclui uma sólida experiência – com mais de 6 anos - como redator, onde atuei em diversas editorias, como Esportes, Entretenimento e Cidades. Além do jornalismo online, possuo forte atuação em Assessoria de Imprensa e Social Media. Tenho experiência pela criação de estratégias de conteúdo para redes sociais, o que inclui a produção e edição de vídeos em ferramentas como CapCut e Canva. Essa bagagem multimídia me confere versatilidade, agilidade e a capacidade de traduzir pautas complexas em conteúdos dinâmicos para diferentes plataformas e públicos. Linkedin: Manuel Dias









