Venda de elétricos praticamente dobra no Brasil durante crise do petróleo; IEA projeta 29% do mercado global em 2026

As vendas de carros elétricos no Brasil aceleraram com força em 2026 e ficaram perto de dobrar entre março e junho na comparação com o mesmo período de 2025.
O movimento ocorreu em meio à nova crise do petróleo, que elevou o custo dos combustíveis e reforçou a procura por alternativas eletrificadas em vários mercados.
A Agência Internacional de Energia (IEA) aponta que o Brasil está entre os países que registraram uma das maiores altas recentes, ao lado de Austrália, Índia, Coreia do Sul e Vietnã.
Para 2026, a entidade agora projeta que os elétricos representem 29% de todas as vendas globais de carros, um ponto percentual acima da estimativa anterior.
Brasil entra no grupo de mercados que praticamente dobraram
O avanço brasileiro ganhou destaque porque aconteceu mesmo com um mercado mundial de automóveis pressionado.
No primeiro semestre, as vendas totais de carros recuaram cerca de 5% no mundo, puxadas principalmente pela China e pelos Estados Unidos.
Já os elétricos reagiram no segundo trimestre. As vendas globais desses modelos cresceram 35% em relação aos três primeiros meses do ano, e 50 países registraram recordes trimestrais.
Em mais de 90 mercados houve crescimento na comparação anual.
No recorte usado pela IEA, a categoria considera veículos 100% elétricos e híbridos plug-in. Isso é importante porque o salto não representa apenas carros movidos exclusivamente a bateria.
Petróleo mais caro aumenta o peso do custo de uso
A disparada do petróleo ajudou a mudar a conta para parte dos consumidores.
Desde o início do conflito no Oriente Médio, o Brent acumulou alta superior a 25% em determinado momento, pressionando gasolina e diesel em vários países.
Segundo a IEA, veículos rodoviários respondem por quase metade do consumo mundial de petróleo.
Por isso, períodos de maior volatilidade tornam a economia de uso dos elétricos mais relevante, principalmente para quem roda muitos quilômetros por ano.
O preço de compra ainda pode ser maior em diversos mercados, mas gastos menores com energia e manutenção ajudam a reduzir a diferença ao longo do tempo.
Motoristas de aplicativo, por exemplo, tendem a sentir essa conta com mais intensidade por causa da quilometragem anual elevada.
IEA eleva projeção global para 29% em 2026
A nova estimativa mostra que a eletrificação continua avançando mesmo com a desaceleração chinesa e a queda das vendas nos Estados Unidos.
A China deve ter estabilidade no volume de elétricos em 2026, embora esses modelos possam superar 60% das vendas locais.
Outro fator é a expansão das exportações chinesas.
No primeiro semestre, o país enviou ao exterior quase o mesmo volume de elétricos exportado durante todo o ano de 2025, ampliando a oferta em mercados emergentes.
Para o Brasil, o dado mais importante é que a procura não está crescendo isoladamente.
O país entrou em um grupo de mercados que reagiu rapidamente à combinação de combustível caro, maior oferta de modelos e políticas de incentivo.
Por fim, isso pode manter a pressão competitiva sobre os carros a combustão nos próximos meses.









