Testamos: novo Chevrolet Tracker tem desempenho de sobra com motor turbo

Testes 21 de dezembro de 2017 Maria Beatriz Vaccari e Leo Alves 0

O novo Chevrolet Tracker passou por algumas mudanças que ajudaram o modelo a se destacar entre os concorrentes e a conquistar um estilo mais próprio. A reformulação do design dianteiro, por exemplo, deu mais personalidade ao SUV compacto, acabando com aquela história de que ele tinha cara de “mini Captiva”. A GM também acertou ao trocar o propulsor 1.8 Ecotec antigo pelo forte 1.4 turbo de 153 cavalos. De quebra, o sistema ainda usa recursos como o desligamento automático durante as paradas para economizar combustível – a média de consumo é de 9 km/l.

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Durante os testes realizados pela equipe do Garagem 360, o Tracker mostrou que o conjunto do motor trabalha muito bem com o câmbio automático. O veículo estava sempre com a marcha certa engatada e não oscilou nenhuma vez durante subidas ou ultrapassagens. Basta pisar um pouquinho no acelerador para que ele reduza uma ou duas marchas e encha o motor.

Durante a condução, o motorista nem sente o peso do carro – a direção é leve, mas não tão molenga a ponto de passar uma sensação de insegurança quando o veículo atinge altas velocidades. A suspensão também parece ter sido feita na medida certa. Ela é macia nas curvas e não é dura demais nos buracos e imperfeições das vias.

O motorista tem uma boa visibilidade dianteira. Os espelhos retrovisores laterais, posicionados na extremidade do carro também funcionam bem. Eles são equipados com um sistema que alerta o condutor quando algum outro veículo estiver no ponto cego. Durante os testes realizados pelo Garagem 360, o recurso se mostrou uma mão na roda durante as trocas de faixas. Em termos de visibilidade, o bicho só pega quando o assunto é a visão traseira, que precisa melhorar. O vidro, que já não é muito grande, é ofuscado pelos enormes encostos de cabeça dos bancos de trás.

Vida a bordo

O visual interno do Tracker enche os olhos de quem gosta de carros luxuosos. O volante é equipado com uma série de botões. Eles permitem ativar ou alterar funções do carro (como estações de rádio, volume e piloto automático). Os bancos de couro em dois tons de cinza contam com costuras laranja que dão um toque de esportividade à cabine.

Em termos de design, a parte interior do carro da Chevrolet peca nos acabamentos e detalhes em plástico. O da direção, por exemplo, passa uma sensação de fragilidade e tende a riscar com o tempo.

Raio-X

Chevrolet Tracker

Motorização: 1.4 turbo de 153 cavalos

Torque máximo líquido: gasolina: 24,0 kgfm (235 Nm) @2100 rpm / Etanol: 24,5 kgfm (240 Nm) @2000 rpm

Transmissão: automática de 6 velocidades

Tanque de combustível: 53 L

Porta-malas: 306 litros (normal); 735 litros (com banco traseiro rebatido)

Preço: R$ 92.390 (LTZ)

Pontos positivos: motor forte, visual bacana e tecnologias como o detector de ponto cego e sistema MyLink

Pontos negativos: detalhes em plástico, pouco espaço para os passageiros dos bancos traseiros e falta dos controles de estabilidade (ESC) e tração

No painel, o motorista consegue acompanhar informações sobre a condução, como velocidade atual, consumo médio de combustível e até a vida útil do óleo – ponto que ajuda na manutenção do carro. Os botões que ativam os faróis ficam pertinho do painel (à esquerda do volante). Um deles permite configurar a altura dos feixes de luz.

O sistema MyLink se conecta rapidamente ao smartphone do condutor. Entretanto, a reportagem sentiu falta de um GPS integrado à telinha de sete polegadas. Ela é compatível com os sistemas Android Auto e Apple CarPlay.

Os bancos são confortáveis, mas os passageiros que viajam na parte traseira não têm muito espaço para as pernas. Além disso, rebaixamento do teto cria um problema para pessoas mais altas – quem mede mais de 1,85 m fica a poucos centímetros de encostar a cabeça na parte superior da cabine. Se o carro passar de forma mais brusca em uma lombada, o ocupante pode carimbar o forro.

O que faltou

Mesmo a mais de 100 km/h e na chuva, o Tracker se mostrou bastante estável. Entretanto, o sistema de estabilidade ESC poderia ser uma boa opção para reforçar ainda mais a segurança nas próximas atualizações do modelo.

Outro item que faz falta são os controles de tração, que não estão disponíveis nem como opcionais. Em um carro que passa dos R$ 90 mil, faltaram repetidores de seta nos retrovisores ou nas laterais. Muitos carros mais baratos, como Hyundai HB20 e Volkswagen Gol, já oferecem alguma solução assim. Concorrentes diretos, como o Jeep Renegade, também.

Vale a pena?

O desafio do Tracker LTZ, vendido por R$ 92 mil, é ser contemporâneo do Hyundai Creta, Jeep Renegade e Honda HR-V. Este é o segmento da moda, então concorrentes não faltam ao modelo da Chevrolet. O grande trunfo do SUV compacto é seu motor potente, econômico e bom de guiar. Fora isso, ele tem um design atual e alinhado com os lançamentos recentes da marca, como o Cruze e a família Onix. 

É importante lembrar que existe também a versão de entrada LT, que perde o teto solar, troca as rodas de 18 polegadas pelas de aro 16, e tem faróis e lanternas mais simples, entre outros itens. Ela sai por R$ 82 mil.

Quem quer um SUV, mas não é muito fã dos líderes do segmento, deve dar uma volta no Tracker antes de assinar o cheque com a concorrência. É uma boa opção dentro dos SUVs compactos e seus “defeitos” são esquecidos conforme o ponteiro de velocidade sobe.

 

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