Preço da gasolina cai 16% nas refinarias, mas sobe 37% nos postos e revolta motoristas
Gasolina sobe em 2026: Entenda por que preço nas bombas subiu 37% enquanto as refinarias reduziram valores em 16%
O motorista brasileiro vive um paradoxo matemático neste início de ano. Enquanto a Petrobras celebra reduções sucessivas nos preços de venda da gasolina para as distribuidoras, o valor final exibido nos letreiros dos postos parece seguir um caminho próprio, sempre para cima.
Acompanhe o Garagem360 e entenda o desequilíbrio entre os preços.
Gasolina ficou mais cara?
Nos últimos três anos, o descolamento entre o que sai das refinarias e o que entra no seu tanque atingiu níveis alarmantes, gerando revolta e pressionando a inflação.
Os números oficiais da ANP revelam uma disparidade brutal. Desde dezembro de 2022, o preço da gasolina pura nas refinarias acumulou uma queda nominal de 16,4%, saindo de R$ 3,08 para os atuais R$ 2,57. No entanto, no mesmo intervalo, o preço médio do litro nos postos saltou de R$ 4,98 para R$ 6,33, uma alta real de 37,1%.
Na prática, encher um tanque de 50 litros hoje custa R$ 67,50 a mais do que há três anos, mesmo com o produto bruto estando mais barato na origem. Esse fenômeno acontece porque a gasolina da Petrobras representa apenas cerca de 40% do que você paga na bomba. O restante é “engolido” por uma cadeia de custos que raramente retrocede.
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Peso dos impostos: ICMS de R$ 1,57 neutraliza reduções
O grande vilão desta engrenagem em 2026 é a carga tributária, especialmente o ICMS. No início de janeiro, uma nova atualização das alíquotas ad rem (valor fixo por litro) elevou o imposto estadual para R$ 1,57.
Esse aumento de R$ 0,10 por litro ocorreu quase simultaneamente a um corte de R$ 0,14 anunciado pela Petrobras, anulando quase todo o benefício para o consumidor final antes mesmo de o combustível chegar ao caminhão-tanque.
Além disso, a mistura obrigatória de etanol anidro (que compõe cerca de 27% a 30% da mistura) e as margens de lucro das distribuidoras e revendedores (que hoje giram em torno de 19% do valor final) funcionam como um “amortecedor reverso”: elas absorvem as quedas, mas repassam as altas com agilidade cirúrgica.
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Preço da gasolina vai continuar subindo?
Difícil dizer (ou ser otimista), já que o cenário atual de 2026 escancara o conflito de interesses no setor de energia. O Brasil se consolidou como um gigante exportador de petróleo, mas a estrutura de preços interna continua refém de uma logística 100% rodoviária e de uma sanha arrecadatória dos estados que usam o combustível como “caixa eletrônico”.
Então, não espere que a gasolina volte ao patamar de R$ 5,00 tão cedo. Mesmo com o barril de petróleo estável no mercado internacional, a transição da Reforma Tributária e a necessidade de dividendos para os acionistas da estatal mantêm o preço em um “piso” elevado.
Assim, a única saída real em 2026 é o monitoramento semanal da paridade com o etanol, que voltou a ser competitivo em estados como São Paulo e Mato Grosso devido à safra recorde de cana.
Como está o preço médio no seu bairro hoje? Você já notou o repasse da última queda de R$ 0,14 nas bombas da sua cidade ou o preço continua “congelado” para cima? Comente aqui!
Formada em Administração de Empresas, Jornalismo e mestranda em Comunicação. Apaixonada por setor automobilístico, true crime e livros. Fiz da escrita e produção de conteúdo sua paixão e profissão.


