Nem BYD, nem Renault: Geely EX2 corta preço e bagunça os elétricos no Brasil

O Geely EX2 voltou a mexer com o mercado de carros elétricos no Brasil. O hatch da marca chinesa entrou em uma condição agressiva no programa Move Brasil e passou a custar menos de R$ 100 mil para taxistas.
A ofensiva coloca o modelo em uma posição incômoda para rivais como BYD Dolphin Mini e Renault Kwid E-Tech, que já vinham disputando espaço entre os elétricos mais acessíveis do país.
Geely EX2 corta preço e entra abaixo de R$ 100 mil
A condição mais chamativa vale para o Geely EX2 Pro. O modelo tem preço de tabela de R$ 123.800, mas passa a partir de R$ 99.001 para taxistas, com as isenções previstas para a categoria.
Para motoristas de aplicativo, o valor fica em R$ 117.610. A versão Max também entrou na campanha, com preço a partir de R$ 109.396 para taxistas e R$ 129.960 para motoristas de app.
Na prática, o movimento coloca o EX2 em uma faixa difícil de ignorar. O modelo fica mais barato que muitos carros flex automáticos e encosta em uma zona de preço que antes parecia distante para um elétrico novo.
| Versão do Geely EX2 | Preço de tabela | Taxistas | Motoristas de app |
|---|---|---|---|
| EX2 Pro | R$ 123.800 | R$ 99.001 | R$ 117.610 |
| EX2 Max | R$ 136.800 | R$ 109.396 | R$ 129.960 |
BYD Dolphin Mini ganha pressão direta
A BYD ainda tem força no segmento e mantém o Dolphin Mini como um dos elétricos mais conhecidos do Brasil. Porém, a nova condição do Geely EX2 muda a comparação para quem trabalha com transporte.
O Dolphin Mini aparece em oferta exclusiva para taxistas e motoristas de aplicativo por R$ 109.990. Isso significa que o EX2 Pro, para taxistas, fica quase R$ 11 mil abaixo do rival da BYD nessa condição específica.
A diferença não se limita ao preço. O Geely EX2 também aposta em porte maior, cinco lugares, motor de 116 cv, tração traseira e pacote tecnológico com central multimídia de 14,6 polegadas.
Entre os pontos que fortalecem o EX2 na disputa, estão:
- preço abaixo de R$ 100 mil para taxistas;
- versão Pro abaixo do Dolphin Mini em oferta profissional;
- pacote com cinco lugares e porta-malas versátil;
- estratégia agressiva para motoristas que rodam muito.
Renault perde espaço com fim do Kwid E-Tech
A Renault entra nessa disputa por outro motivo. O Kwid E-Tech, que já foi uma das opções elétricas mais baratas do Brasil, saiu de linha no país.
Com isso, o caminho ficou mais livre para o Geely EX2 assumir o papel de elétrico de entrada dentro da estratégia ligada à marca. O movimento também evita que dois modelos próximos disputem o mesmo consumidor.
Para o comprador, a mudança deixa o mercado mais concentrado em nomes como Geely EX2 e BYD Dolphin Mini. Para as marcas, aumenta a pressão por preço, autonomia, equipamentos e condições especiais.
O recado do EX2 é claro: o elétrico ainda não virou carro popular, mas a briga abaixo dos R$ 120 mil ficou muito mais séria. E, para taxistas, a disputa já rompeu a barreira psicológica dos R$ 100 mil.
Moysés Batista é editor de conteúdo no FDR, com foco em finanças pessoais, benefícios sociais, políticas públicas e direitos do cidadão. Bacharel em Letras pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), atua com foco na produção de conteúdos informativos orientados por dados oficiais e normas do Governo Federal. É responsável por análises e pautação sobre programas sociais, crédito, previdência e consumo, com ênfase em clareza, serviço ao leitor e verificação de informações públicas. E-mail para contato: [email protected]