GM absorve prejuízo bilionário com elétricos e aposta no “lucro real” da combustão

GM ignora perdas bilionárias em elétricos e foca no retorno dos motores a combustão para lucrar em 2026. Veja os planos de Mary Barra e os novos bônus dos funcionários.

A General Motors (GM) encerrou 2025 com um cenário de contrastes: um prejuízo líquido de US$ 3,3 bilhões no quarto trimestre e encargos especiais que somam US$ 7 bilhões. O motivo? Uma reestruturação profunda na China e o realinhamento da sua produção na América do Norte, desviando o foco dos veículos 100% elétricos (EVs) de volta para o que realmente sustenta o caixa — os motores a combustão e os híbridos.

GM absorve prejuízo bilionário com elétricos e aposta no “lucro real” da combustão 

Apesar dos números vermelhos no curto prazo, a montadora está longe de entrar em pânico. Pelo contrário, a confiança é tamanha que a GM elevou suas previsões para 2026, projetando um lucro líquido entre US$ 10,3 bilhões e US$ 11,7 bilhões.

A decisão de pausar ou cancelar projetos como o Chevrolet Bolt EV atualizado faz parte de uma estratégia de US$ 4 bilhões em investimentos para expandir a produção de veículos a gasolina.

GM absorve prejuízo bilionário com elétricos e aposta no "lucro real" da combustão - Foto: Divulgação
GM absorve prejuízo bilionário com elétricos e aposta no “lucro real” da combustão – Foto: Divulgação

Produção Local: O Buick Envision, que atualmente vem da China, passará a ser fabricado em Fairfax (Kansas) a partir de 2028, junto com o Chevrolet Equinox.

Eficiência e Margens: A GM busca margens de lucro de 8% a 10% na América do Norte, um patamar ambicioso que será impulsionado pelo lançamento de novas picapes grandes em 2026 — os verdadeiros “motores de lucro” da companhia.

Mesmo com o lucro líquido anual caindo 55% (fechando em US$ 2,7 bilhões), o desempenho operacional foi considerado “excepcional” pela CEO Mary Barra. Como resultado, mais de 47.000 trabalhadores horistas receberão cheques de participação nos lucros de aproximadamente US$ 10.500, um reflexo da disciplina de custos e da força das vendas de SUVs e picapes.

Blazer e Equinox elétricos – Foto: Divulgação

Software e Autonomia: A Nova Fonte de Receita

A GM não está abandonando a tecnologia; ela está mudando a forma de monetizá-la. A aposta agora reside em veículos definidos por software e serviços de assinatura:

  • Super Cruise: O sistema de condução hands-free já possui uma taxa de adesão de 40% entre os proprietários após o período gratuito.
  • Nível 3 de Autonomia: A próxima geração do sistema promete permitir que o motorista desvie o olhar da estrada em rodovias, aproximando a experiência da autonomia real.
  • Receita Recorrente: Através do OnStar e novos serviços digitais, a GM projeta que o software será uma base sólida para a arquitetura que estreará em 2028, permitindo atualizações remotas (over-the-air) contínuas.

De acordo com análises da MotorTrend, essa guinada pragmática da GM mostra que a transição para o elétrico será mais lenta e cautelosa do que o previsto anteriormente, priorizando a saúde financeira imediata sobre as metas idealistas de eletrificação total.


Leia aqui: Teaser enigmático sugere a chegada de um Toyota SUV 100% elétrico

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Robson Quirino
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Robson Quirino

Sou Robson Quirino. Formado em Comunicação Social pelo IESB-Brasília, atuo como Redator/ Jornalista desde 2009 e para o segmento automotivo desde 2019. Gosto de saber como os carros funcionam, inclusive a rebimboca da parafuseta.