Especial: de renegada a clássica, relembre a trajetória da Ferrari Dino 206/246 GT
Motor V12, cor vermelha e foco no desempenho. Até os anos 60 essa era a receita para uma Ferrari legítima. Tudo começou a mudar com o lançamento da Dino.
Motor V12, cor vermelha e foco no desempenho. Até os anos 60, essa era a receita para uma Ferrari legítima. Tudo começou a mudar com o lançamento da Dino 206 GT, modelo menor e de custo mais baixo que os outros esportivos da marca à época. Porém, embora fosse uma homenagem ao filho do fundador da marca Enzo Ferrari, ela foi renegada a uma marca paralela e sequer recebeu um logotipo com o cavalo rampante.
Mesmo com o desprezo, o modelo marcou a história da icônica montadora. Por isso, ela foi escolhida para inaugurar a seção Especial do Garagem360. Lançada em 1968, a história da linhagem Dino teve início um pouco antes, quando Alfredo Ferrari começou a projetar um novo motor.
Nascido em 1932, Alfredino, como era conhecido, arquitetou nos anos 1950 um motor V6 para os campeonatos de Fórmula 2, enquanto os de 12 cilindros em V eram utilizados para os bólidos de Fórmula 1. Esse bloco foi batizado de Dino em sua homenagem, mas o herdeiro de Enzo não viveu tempo suficiente para ver sua criação nas pistas.
Alfredo morreu em 1956, vitima de uma rara doença muscular degenerativa. Um ano depois, o motor de 1,5l V6 estreava na Formula 2.
Ferrari menor
Após a morte de seu filho, Enzo Ferrari encomendou um projeto especial, que foi projetado em parceria com o estúdio Pininfarina. Sua ideia era criar um modelo menor e com preço mais acessível. O alvo da marca italiana era o Porsche 911, que já fazia sucesso nesta época.
No Salão de Paris de 1965, surgiu o primeiro carro-conceito desse projeto. A Dino 206 Berlinetta Speciale tinha linhas arredondadas e motor V6 de 1,6l na posição central-traseira – atrás dos bancos e na frente do eixo posterior.
[info_box title=”Ficha Técnica”]Ferrari Dino 206/246 GT
Motorização: 2,0l V6 180 cv a 8 mil RPM/ 2,4l V6 a 7.600 RPM (206 GT/246 GT)
Torque máximo líquido: 19 kgfm a 6.500 RPM/ 23 kgfm a 4.800 RPM (206 GT/246 GT)
Transmissão: manual de cinco marchas
Dimensões (206 GT) : 4,17 m x 1,70 m (comprimento x largura)
Dimensões (246 GT) : 4,21 m x 1,70 m (comprimento x largura)
Entre-eixos: 2,28 m/2,34 m (206 GT/246 GT)
Peso em ordem de marcha: 900 kg/1.080 kg (206 GT/246 GT)
[/info_box]A versão final, porém, só foi revelada apenas dois anos mais tarde. Nascia em 1967 a Dino 206 GT. O numeral, como era tradição da Ferrari até pouco tempo, tinha a ver com o motor. Ele era um propulsor de 2,0l (20) de seis cilindros (6). Os 180 cv de potência e o torque de 19 kgfm eram suficientes para levar o modelo até os 235 km/h, número bem expressivo para a época.
Renegada
Por mais que fosse uma homenagem para o filho de Enzo, muitos puristas entendiam que uma Ferrari legítima deveria ter motor V12. Por sorte isso mudou com o tempo – caso contrário, as incríveis 288 GTO e F40 poderiam nem nascer nos anos 1980. Mas na época a Dino foi renegada como uma espécie de submarca.
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Não ostentar o emblema da Ferrari também pode ter contribuído para esse fato. A justificativa oficial para os modelos Dino não levarem o nome da marca italiana era por conta da homenagem ao filho de Enzo.
A 206 GT até tem um escudo amarelo, mas ele leva o apelido de Alfredo, e não o cavalinho rampante. Alguns donos, inclusive, compravam logotipos da marca italiana para colocar em seus exemplares.
Volta por cima
Por sorte a história da linhagem foi longa. Em 1969, o motor de 2,0l era trocado por um de 2,4l. O nome também foi alterado para 246 GT e a potência aumentava em 15 cv, chegando aos 195 cv.
Alguns anos depois, em 1973, a Dino 308 GT4 foi lançada. Sendo um modelo completamente novo, ela deixou o motor V6 e adotou um V8 de 3,0l. A posição central-traseira, que havia sido inaugurada na 206 GT, foi mantida. Essa combinação é utilizada até hoje nas Ferraris de entrada, como na 488 GTB.
Por mais que tenha sofrido por ser uma filha barata e pequena de Maranello, a Dino 206 GT deixou sua marca na história da montadora italiana. Algumas inovações lançadas por ela são utilizadas até hoje. Seu design envelheceu bem e é um dos melhores desenhos de uma macchina de todos os tempos.
Inclusive, o Puma GT guarda muitas semelhanças com a Ferrari Dino 206 GT. Pode ser apenas uma coincidência, mas parece mais uma forte inspiração.
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Na galeria, veja os detalhes da Ferrari Dino e também de outros modelos marcantes da marca italiana.
- Ferrari Dino e outros modelos marcantes – Ferrari Dino 206 GT (1967): apesar de levar o nome do filho de Enzo Ferrari, este foi o único modelo da marca que saiu de fábrica sem o tradicional cavalinho rampante; por conta de seu motor V6 de 180 cv e valor mais “em conta”, o fundador da montadora achava que ele não era digno de ostentar o emblema da empresa |Foto: Georg Sander via VisualHunt / CC BY-NC
- Ferrari Dino 206 GT |Foto: Georg Sander via Visualhunt.com / CC BY-NC
- Ferrari Dino 206 GT |Foto: Toby Lam Photography via VisualHunt.com / CC BY-NC
- Ferrari 250 Lusso Berlinetta (1962): uma das diversas carrocerias que a Ferrari 250 recebeu, a Lusso Berlinetta tinha design mais conservador, mas com um motor V12 de 240 cv embaixo do capô |Foto: CaseyBoylePhotography via Visual Hunt / CC BY-ND
- Ferrari 250 California Spyder (1958): outra carroceria derivada da 250, a California Spyder é um ícone dos anos 1950 da Ferrari |Foto: Georg Sander via Visualhunt.com / CC BY-NC
- Ferrari California Spyder |Foto: tautaudu02 via Visualhunt / CC BY-NC-SA
- Ferrari 250 California Spyder |Foto: mangopulp2008 via Visualhunt / CC BY-NC-ND
- Ferrari Testarossa (1984): lançada em 1984, foi um verdadeiro sucesso nos anos 1980, principalmente por aparecer no seriado norte-americano Miami Vice; sob o capô, trazia um poderoso motor V12 de 4,9 litros e 390 cv de potência |Foto: mjhbower via Visual hunt / CC BY-SA
- Ferrari Testarossa |Foto: vetaturfumare – thanks for 2 MILLION views!!! via VisualHunt / CC BY-SA
- Em 1991, a Ferrari Testarossa passou por uma pequena reestilização na dianteira, além de ter seu nome alterado para 512 TR |Foto: Forza355 via VisualHunt / CC BY-NC-ND
- A Ferrari 512 TR passou por nova alteração em 1994, quando perdeu os fários escamoteáveis na dianteira e teve as lanternas retangulares traseiras trocadas por quatro circulares; novamente o nome foi alterado, dessa vez para F512 M |Foto: Damors via VisualHunt.com / CC BY-NC-SA
- Ferrari F512 M |Foto: oalfonso via VisualHunt.com / CC BY-NC-SA
- Ferrari F40 (1987): considerada por muitos como a maior Ferrari de todos os tempos, a F40 coleciona fãs até os dias atuais; a máquina era movida por um motor V8 biturbo de 2,9 litros e 478 cv, capaz de levá-la aos 324 km/h |Foto: Eddy Clio via VisualHunt / CC BY-ND
- Ferrari F40 |Foto: Alexandre Prévot via VisualHunt / CC BY-NC-SA
- Ferrari F40 |Foto: DryHeatPanzer via Visual hunt / CC BY-NC-SA
- Ferrari F40 |Foto: YackNonch via VisualHunt.com / CC BY-NC-ND
- Ferrari F40 |Foto: Damors via Visual hunt / CC BY-NC-SA
- Ferrari F50 (1995): sucessor da F40, o veículo não é tão querido por alguns fãs, mas nem por isso decepciona em desempenho; seu motor é um V12 de 4,7 litros e 520 cavalos de potência, derivado dos modelos utilizados pela montadora na Formula 1 |Foto: xxxxx77 via VisualHunt.com / CC BY-NC-ND
- Ferrari F50|Foto: Juan Cañizares via Visual hunt / CC BY-NC-ND
- Ferrari F50 |Foto: Brandon Perdeck via VisualHunt / CC BY-NC-ND
- Ferrari 288 GTO (1984): embora a F40 seja um ícone, ela só pôde existir graças à 288 GTO; lançada como versão de homologação para a marca disputar a Classe B de rali, ela acabou se tornando uma versão de rua por conta da extinção da categoria; equipada com propulsor 2.9 V8 biturbo de 400 cv, serviu de conceito base para a F40 |Foto: Brandon Perdeck via VisualHunt.com / CC BY-NC-ND
- Ferrari 288 GTO |Foto: Dave Adams Automotive Images via VisualHunt.com / CC BY-NC-SA
- Ferrari F355 (1994): foi um dos modelos da marca italiana mais vendido de todos os tempos e também dos responsáveis pelo renascimento da Ferrari na década de 1990 |Foto: André Ritzinger via Visual Hunt / CC BY-NC-SA
- Ferrari F355 |Foto: Alexandre Prévot via Visualhunt / CC BY-NC-SA
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Ferrari F355 |Foto:
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via Visual Hunt / CC BY-NC-ND
- Versão Targa da Ferrari F355 |Foto: Christian Junker | Photography via Visualhunt / CC BY-NC-ND
- Ferrari 365 “Daytona” GTB/4 (1968): outro modelo que marcou presença no seriado Miami Vice; com seu design e potente motor 4.4 V12 de 352 cv, fez muito sucesso na década de 1970 |Foto: Rex Gray via Visualhunt / CC BY
- Ferrari 365 “Daytona” GTB/4 |Foto: 98octane via Visualhunt.com / CC BY-NC-ND
- Ferrari 365 “Daytona” GTB/4 |Foto: Motorsport in Pictures via VisualHunt.com / CC BY-NC-SA
- Ferrari 365 “Daytona” GTB/4 |Foto: 98octane via Visualhunt.com / CC BY-NC-ND
Jornalista formado na Universidade Metodista de São Paulo e participante do curso livre de Jornalismo Automotivo da Faculdade Cásper Líbero, sou apaixonado por carros desde que me conheço por gente. Já escrevi sobre tecnologia, turismo e futebol, mas o meu coração é impulsionado por motores e quatro rodas (embora goste muito de aviação também). Já estive na mesma sala que Lewis Hamilton, conversei com Rubens Barrichello e entrevistei Christian Fittipaldi.