Digitalização no mercado automotivo: como isso muda o dia a dia do motorista

Por Luca Cafici *

A pandemia de covid-19 não provocou a digitalização da sociedade. É preciso reconhecer que esse era um fenômeno já em andamento em todo o mundo (em maior ou menor grau, dependendo da evolução tecnológica do país).

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Contudo, também é necessário admitir que o novo coronavírus provocou uma mudança sem precedente, obrigando diferentes setores a adotarem soluções digitais rapidamente para continuarem operando com as restrições impostas pelo isolamento social. Um deles foi o mercado automotivo, que finalmente iniciou sua transformação digital no segmento de compra e venda de veículos – o que incrementa a experiência do próprio motorista na hora de negociar seus carros.

É inegável o impacto dos negócios digitais no mercado automotivo com a pandemia de covid-19. Levantamento da AIM Group indica que nos próximos cinco anos, quatro em cada cinco ofertas de automóveis (80%) incluirão alguns elementos do varejo on-line em seus processos de negociação – principalmente nos mercados mais desenvolvidos.

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Ainda segundo o estudo, as margens das vendas on-line são iguais ou até melhores do que as obtidas em negociações mais tradicionais. Além disso, dados de 2018 da Deloitte já mostravam que, nos Estados Unidos, 42% dos motoristas desejavam comprar um automóvel on-line sem visitar algum revendedor no processo.

Setores inteiros precisaram se reinventar – e o mercado automotivo, tradicionalmente reticente com transações digitais, precisou se adaptar à nova realidade. No início da pandemia, ou as negociações aconteciam digitalmente, ou ficavam paradas (com perdas financeiras gigantescas). Com quase um ano de covid-19, contudo, o receio deu lugar a uma nova forma de compra e venda de automóveis.

Isso fez com que empresas que atuassem justamente na oferta de novos modelos de negócios para o setor crescessem de forma significativa. No mundo, há várias startups de venda de carros pela web que se beneficiaram disso.

No Reino Unido, a Cazoo ganhou espaço importante. Nos Estados Unidos, a Carvana conseguiu atingir 2% de todo o market share na negociação de automóveis usados, enquanto que a Tesla faz o mesmo com os novos. O SwiftCourt agiliza os contratos digitais, enquanto que o Coches.com na Espanha agiliza as negociações C2C, ou seja, entre os próprios consumidores.

A necessidade explica (em partes) a digitalização do mercado automotivo para compra e venda de carros. Mas não é o único fator. Afinal, a digitalização que chegou aos revendedores de veículos também é uma realidade do outro lado do balcão, isto é, do motorista que negocia. Hoje, grande parte das atividades que ele desempenha já é feita pela web, seja no computador ou no smartphone – e espera que essa realidade chegue a este setor também.

A partir de 2021, por exemplo, sites e aplicativos reúnem diferentes serviços relacionados à venda de automóveis que podem ser feitos on-line. Empresas de limpeza e higienização, por exemplo, enviavam seus profissionais até a casa dos motoristas para limparem os automóveis contra a pandemia de covid-19.

Outros nichos aproveitaram os canais digitais para continuarem operando, como as organizações que realizam delivery de praticamente tudo: da contratação do mecânico em casa até a troca de bateria, passando pelos processos de documentação, entre outros. Um exemplo: o Detran de São Paulo passou a emitir o Certificado de Registro de Veículo (CRV) em formato totalmente digital e junto ao Ceificado de Licenciamento (CRLV). Se para emitir a documentação do carro antes da transferência já é possível contar com a digitalização, por que não possibilitar que a negociação aconteça nesse meio?

As necessidades dos clientes devem estar no centro das decisões de qualquer empresa que deseja impactar o consumidor – no mercado automotivo não é diferente. Quem identifica o que o motorista deseja consegue criar uma campanha que atenda a seu anseio e vontade. As melhores startups têm essa visão intrínseca em sua operação, demonstrando um foco maior no cliente e, consequentemente, fornecendo o melhor serviço. É uma relação mútua de confiança que melhora a experiência do comprador e reduz os entraves que ainda o afasta das negociações on-line no mercado de automóveis.

Falar de novo normal chega a ser clichê, mas isso não impede de reconhecer que o mundo mudou ao longo dos últimos meses. Se as soluções digitais, para relacionamento ou para consumo, eram vistas como acessórios em diversos setores econômicos, agora se se tornaram estratégia principal de negócio em praticamente todas as empresas, inclusive para quem trabalha com automóveis. Quem ganha com isso são os motoristas, cujos anseios são atendidos de forma rápida e eficiente. O mercado automotivo finalmente entrou no futuro!

* Luca Cafici é CEO da InstaCarro, plataforma que realiza a intermediação na venda de veículos

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