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De Kia Rio a Lotus brasileiro: as maiores mentiras do mundo automotivo

Créditos: Foto: Divulgação
4 julho, 2019
Maria Beatriz Vaccari e Leo Alves

Algumas histórias do mundo automotivo foram praticamente feitas para 1º de abril. As fake news variam desde modelos que foram prometidos, mas nunca chegaram ao Brasil, até fraudes, omissões graves e projetos nacionais que prometiam muito e entregavam pouco. O Garagem 360 separou uma lista com os melhores casos.

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Mentiras do mundo automotivo

1. Kia Rio no Brasil 

Adiada diversas vezes, a chegada do Kia Rio ao Brasil já é tratada como lenda por muitos fãs do mundo automotivo. A novela começou em 2016, quando a Kia lançou uma nova geração do modelo e afirmou que ele chegaria às concessionárias nacionais até o final do ano. Depois, a montadora alegou um atraso na fábrica do México e confirmou o carro para 2017, mas ele nunca deu as caras.

Em 2018, a Kia levou o Rio ao Salão do Automóvel de São Paulo e confirmou a chegada do modelo em 2019. Entretanto, ela destacou que valorização do dólar em relação ao real poderia continuar atrapalhando os planos de importação de veículos. Com a moeda norte-americana avaliada em aproximadamente R$ 3,80, resta esperar para ver se o compacto chega ou não ao Brasil até o final do ano.

2. Emme 422T 

A complexa história do Emme 422T começou em 1996, quando o modelo foi parar nas páginas da Revista Auto Esporte, que o definiu como “o novo sedã brasileiro de luxo, com motor Lotus”. Lançado oficialmente em 1997, no Brasil Motor Show, o modelo seria fabricado pela Megastar Veículos. A empresa tinha se instalado em Pindamonhangaba, em São Paulo, em um terreno cedido pela prefeitura, que aprovou uma série de benefícios para que a montadora inaugurasse sua linha de produção na cidade.

O veículo seria vendido em três versões: duas com motores 2.0 desenvolvidos pela Megastar e uma com um propulsor Lotus 910 turbo de 264 cavalos – o mesmo usado no esportivo Espirit. Vale destacar que a versão mais apimentada tinha até o logotipo da montadora inglesa.

Em 1998, a empresa começou a vender o modelo e até abriu um escritório em São Paulo (SP). O problema é que, no ano seguinte, após entregar pouco mais de dez veículos aos compradores, a Megastar Veículos fechou e desapareceu do mapa sem dar qualquer tipo de satisfação.

Na época, algumas pessoas até tentaram procurar os responsáveis, mas eles nunca foram encontrados. Nem a prefeitura de Pindamonhangaba sabia informar o que tinha acontecido com Megastar Veículos, que deixou sua fábrica completamente abandonada. Além disso, foi descoberto que a empresa brasileira não tinha um vínculo oficial com a Lotus, que nunca se pronunciou sobre o caso. A suspeita é de que ela comprava os motores descartados pela montadora (como os que tinham defeitos de fabricação) e usava as unidades aproveitáveis para produzir o Emme 422T.

3. Ford Pinto 

O Ford Pinto, que foi barrado no Brasil por conta do nome sugestivo, protagonizou uma das mentiras mais absurdas (e perigosas) do mundo automotivo. O carro tinha um grave problema: caso sofresse uma colisão traseira, o tanque de gasolina podia quebrar e causar uma explosão.

Antes de colocar o modelo no mercado, a Ford já sabia da falha, mas fez as contas e percebeu que indenizar possíveis mortes e casos de queimaduras sairia bem mais barato do que regularizar a linha de produção. No final, depois de mortes e ferimentos graves, a montadora convocou as unidades para recall e teve que pagar milhões em indenizações.

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4. IBAP Democrata 

Nos anos 1960, o empresário Nélson Fernandes teve a visionária ideia de desenvolver carros modernos, para a época, genuinamente brasileiros. Para realizar seu projeto, ele fundou em 1963 a Indústria Brasileira de Automóveis Presidente (IBAP), cuja fábrica ficaria em São Bernardo do Campo (SP).

O plano inicial era criar três modelos inéditos: um popular, um utilitário e um de luxo, o Presidente Democrata. Este, foi o que ficou eternizado na história da indústria brasileira. O projeto buscava desenvolver duas carrocerias, sedã de quatro portas e cupê de duas portas. Em ambas, o motor seria traseiro de 2,5 litros e seis cilindros.

Para viabilizar o negócio, Fernandes pensou em um modelo de negócio baseado em ações. Os acionistas teriam participação nos lucros da empresa, além de descontos na hora de comprar um carro. Com os investimentos, a IBAP conseguiu produzir cinco veículos, que foram utilizados para tentar atrair novos sócios.

Porém, esses foram os únicos modelos fabricados, todos como protótipos. Poucas pessoas acreditaram no sonho de Fernandes, que também passou a ser investigado pela Polícia Federal e pelo Banco Central. Até mesmo uma CPI foi feita para que o empresário provasse que sua empresa era legítima.

Essas desconfianças fizeram com que a maioria dos acionistas desistissem do projeto. Sem o investimento, a fábrica não conseguiu produzir outros veículos, encerrando suas atividades em 1968. Após 22 anos do encerramento, Fernandes foi inocentado pela justiça.

5. Moto movida a água 

Em 2015, o portal UOL divulgou uma reportagem com o título “Moto que anda até com água do Tietê faz 500 km por litro“. O artigo contava a história de um funcionário público de Itu, no interior de São Paulo, que decidiu adaptar uma moto e conseguiu fazer com que o veículo funcionasse com água, em vez de gasolina ou etanol.

A ideia revolucionária, que teria potencial para transformar completamente o mercado automotivo que conhecemos hoje, começou a ser contestada por leitores e especialistas, que duvidavam do projeto. Para piorar a situação, o criador da geringonça se negava a explicar como algumas partes do sistema funcionavam, alegando que ainda não tinha patenteado a tecnologia.

No mesmo dia, o portal de notícias entrevistou especialistas para tentar descobrir se o sistema era cientificamente possível. Para resumir, os cientistas concluíram que algumas partes do sistema eram viáveis, mas que, por usar uma bateria, a moto era elétrica, e não movida a água.

6. Diesel limpo da Volkswagen 

Em 2009, a Volkswagen decidiu que iria produzir carros mais “ecológicos”. Com isso, a empresa atraiu diversos motoristas preocupados com o meio ambiente. Ao longo dos anos, as vendas voltaram a crescer, e a pegada ecológica começou a chamar a atenção de especialistas, que queriam entender como a montadora conseguia alcançar emissões tão baixas. A resposta foi chocante: ela não conseguia.

Os profissionais descobriram que o software usado pela Volkswagen para medir a poluição gerada pelos carros foi fraudado, entregando dados falsos. Quando a bomba estourou, em meados de 2015, a montadora já tinha vendido milhares de carros com a tal tecnologia ecológica.

No fim das contas, além de assumir a mutreta e enfrentar um dos maiores papelões da história automotiva, a Volkswagen teve que desembolsar bilhões de euros para pagar multas e ressarcir os clientes afetados.

7. Pegadinhas automotivas 

Antigamente, algumas companhias automotivas aproveitavam as brincadeiras de 1º de abril para divulgar lançamentos fictícios. O problema é que alguns jornalistas não percebiam que as notícias eram falsas e acabavam publicando tudo como se fosse verdade.

A BMW, por exemplo, chegou a fabricar um protótipo real de uma picape. O modelo, que tinha frente de M3 e motor V8, poderia entrar facilmente para a lista de carros mais feios do mundo. Já a Nissan resolveu apostar em algo mais maluco: um “botão academia” que desativa vários sistemas do carro (como a direção hidráulica) para que o motorista faça exercício dirigindo.

Recalls bizarros 

Na galeria, confira alguns carros que, assim como o Ford Pinto, passaram por recalls bizarros:

 

 

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