Chery prepara 6 carros abaixo de R$ 100 mil para atacar Mobi, Kwid e novos populares no Brasil

O maior movimento chinês no Brasil pode não vir da BYD, e sim da Chery: o conglomerado chinês planeja lançar seis carros abaixo de R$ 100 mil por aqui, distribuídos entre suas várias marcas.
A investida mira o coração do mercado, o segmento dos carros populares, hoje dominado por nomes como Mobi e Kwid.
Exército de marcas, não só uma
Vale entender o tamanho da operação, porque não se trata de uma única marca. O Grupo Chery vai operar no Brasil com sete marcas até 2028.
São elas: Omoda, Jaecoo, Luxeed, Exeed, Lepas, Icaur e Freelander, além da própria Chery e da Jetour, que seguem por conta própria.
É como se um só conglomerado abrisse várias frentes de batalha ao mesmo tempo. Cada marca ataca um público, e a soma delas forma uma ofensiva coordenada difícil de enfrentar.
A confirmação veio com o anúncio da chegada da novata Icaur, prevista para 2027.
Seis carros por menos de R$ 100 mil
O ponto que mais interessa ao bolso do brasileiro é a aposta nos veículos de entrada. O grupo projeta ter seis modelos no chamado segmento A00, o dos carros mais baratos, todos com preço abaixo de R$ 100 mil.
Segundo a diretora de marketing da Omoda e Jaecoo, Alessandra Sousa, a meta é ter um modelo de entrada para cada marca.
Mas atenção: essa oferta “barata” ficará restrita a quatro marcas, Omoda, Jaecoo, Lepas e Icaur. As outras três (Luxeed, Exeed e Freelander) serão posicionadas como premium, ou seja, mais caras.
Por que isso ameaça Mobi, Kwid e companhia
Aqui está o impacto direto para o mercado. Hoje, o segmento de carros populares está escasso e caro: sobraram poucos modelos abaixo de R$ 100 mil, como o Fiat Mobi e o Renault Kwid, e mesmo eles vêm subindo de preço ano após ano.
A entrada de seis novos concorrentes nessa faixa, todos de um grupo com força financeira enorme, promete reacender a guerra de preços justo onde o brasileiro mais sente no bolso.
Para quem busca um carro novo barato, mais oferta tende a significar preços melhores e mais opções, uma disputa que só tende a beneficiar o consumidor.
A ambição por trás do plano
Os seis populares são apenas a ponta de um projeto gigantesco. A meta do Grupo Chery é vender 500 mil carros por ano no Brasil até 2031, um número que colocaria o conglomerado na briga direta pela liderança do mercado.
Para chegar lá, o plano prevê a expansão para mil concessionárias e a abertura de fábricas em território nacional.
Ou seja, não é uma investida de importação passageira: é uma aposta de longo prazo para fincar raízes no país, com produção local e rede de vendas capilarizada.
O plano da Chery mostra que a “invasão” chinesa está apenas começando e vai muito além dos SUVs e elétricos caros que dominam as manchetes.
A próxima fronteira é o carro popular, o que pode transformar de vez a rotina de quem compra o primeiro veículo.











