Caminhoneiros chamam auxílio do governo de R$ 400 de “esmola”

Entidades do setor estudam repasses do frete e possível greve dos caminhoneiros
Entidades do setor estudam repasses do frete e possível greve dos caminhoneiros (Foto: Pixabay)

O governo federal reciclou a proposta de auxílio aos caminhoneiros no valor de R$ 400/mês e está colhendo a insatisfação dessa categoria profissional. Nesta quarta-feira (22), o presidente da Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, o Chorão, atacou duramente a proposta. Veja detalhes.

Caminhão

“Esmola”, caminhoneiros sobre auxílio do Governo

“Ontem (21), o governo federal recebeu R$ 8,8 bilhões dos lucros da Petrobras, os acionistas receberam R$ 24 bilhões. Agora, [o presidente Jair] Bolsonaro me vem com a proposta de R$ 400 de voucher para os caminhoneiros”, disse Chorão. “É uma esmola”, afirmou.

Em outubro do ano passado, o benefício já havia sido anunciado como forma de mitigar os efeitos da alta do diesel, mas não avançou. Segundo Chorão, que classificou a proposta como “vergonhosa”, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), seria o responsável por retomar a ideia.

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“Acho que o Arthur Lira, principalmente ele, não tem nenhum amigo caminhoneiro. Antes de passar essa vergonha deveria conhecer a realidade da categoria. Ele está de brincadeira, isso é passar vergonha. O caminhoneiro não precisa de esmola. A gente precisa de dignidade para trabalhar”, desabafou Chorão, em entrevista à revista Carta Capital.

O sindicalista destacou ainda que, com o atual preço do diesel, que chega a R$ 8,63 em alguns postos, o valor discutido na proposta do governo não é suficiente sequer para abastecer uma caminhonete.

“Um caminhão faz a média de 2 km/l – o meu, de nove eixos, faz ainda menos, 1,5 km/l. Um tanque vai 600 litros. Então, o que vamos fazer com 400 reais?”, questionou Landim. “Ontem mesmo fui abastecer uma caminhonete e deu R$ 437 por 60 litros. Então, ele (Lira) está de brincadeira”

“Governo está brincando com a categoria”

Proposta de Bolsonaro desagrada caminhoneiros (Foto: Alan Santos/Presidência da República)

Plinio Dias, presidente do Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC), afirma que a proposta não tem cabimento. “O governo está brincando com a categoria, já que R$ 400 hoje não dá nem para 100 litros de diesel, nem cobre os pedágios de uma viagem”, reclama. 

“Eles (integrantes do governo) estão totalmente fora de noção sobre o que é o transporte rodoviário. Enquanto o presidente Bolsonaro não ouvir os legítimos caminhoneiros que desde 2021 tentam avisar que a nossa situação está cada vez mais precária, não vai chegar a lugar algum”, atacou, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo.

O principal representante da classe no Congresso também criticou a ideia do auxílio. Presidente da Frente Parlamentar em Defesa do Caminhoneiro Autônomo e Celetista, o deputado Nereu Crispim (PSD-RS) diz que Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, se superaram. 

“Essa proposta é um deboche, desespero total, estão como baratas tontas”, critica Crispim. “Pariram uma esmola eleitoreira que não paga a metade de uma recapagem de pneu. É preciso ter respeito”.

Proposta aguarda parecer 

De acordo com a Folha de São Paulo, os detalhes da proposta foram acertados na terça-feira (21) em uma reunião entre o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, e os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). A informação foi confirmada por técnicos e integrantes do Palácio do Planalto.

A proposta aguarda ainda um parecer da Advocacia Geral da União (AGU), pois há o receio de que a criação do auxílio aos caminhoneiros viole a lei eleitoral. A alternativa seria a inclusão do vale combustível em uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para afastar os questionamentos eleitorais. 

Diesel
Imagem ilustrativa (Foto: Pixabay)

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Paulo Silveira
Paulo SilveiraJornalista com 20 anos de experiência profissional como repórter nas principais redações de jornais do Brasil, como Gazeta Mercantil, Folha SP, Estadão e Jornal do Brasil e em cargos de coordenação, edição e direção. Formado em Jornalismo pela Caśper Líbero.
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