“Boicotem os elétricos chineses”, diz político sobre novo acordo comercial do Canadá

Ontário reage ao acordo Canadá-China que reduz tarifas para 49 mil carros elétricos. Doug Ford pede boicote para proteger 500 mil empregos do setor automotivo nacional.

O cenário automotivo no Canadá entrou em estado de alerta esta semana. O primeiro-ministro de Ontário, Doug Ford, convocou uma reunião de emergência com o governo federal para a próxima segunda-feira (26 de janeiro de 2026), visando mitigar os impactos de um polêmico acordo firmado entre o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, e o governo da China.

“Boicotem os elétricos chineses”, diz político sobre novo acordo comercial do Canadá

O pacto, anunciado na última sexta-feira, estabelece uma cota de importação de 49.000 veículos elétricos chineses anuais com uma tarifa reduzida de apenas 6,1%. Em troca, a China concordou em reduzir drasticamente as taxas sobre a canola canadense (de 85% para 15%) e outros produtos agrícolas.

A reação da indústria foi imediata e severa. Doug Ford, acompanhado por líderes do setor em Queen’s Park, afirmou que o acordo é um “golpe” contra as 500 mil famílias que dependem do ecossistema automotivo no país.

Doug Ford quer mudanças no novo acordo comercial entre China e Canadá - Foto: Brittanica
Doug Ford quer mudanças no novo acordo comercial entre China e Canadá – Foto: Brittanica

Perda de Turnos: Flavio Volpe, presidente da Associação de Fabricantes de Autopeças (APMA), explicou que o volume de 49 mil carros equivale a um turno inteiro de trabalho em uma planta de Ontário.

Desemprego: A estimativa é de que a entrada desses veículos resulte na perda de 1.000 empregos diretos e até 5.000 postos em fornecedores terceirizados.

“Vantagem Indevida” e Segurança Nacional

Lana Payne, presidente nacional do sindicato Unifor, criticou a falta de contrapartidas. Segundo ela, empresas que não investem um centavo em solo canadense estão recebendo acesso facilitado ao mercado, enquanto montadoras locais cumprem metas rigorosas com os trabalhadores.

Foto: Divulgação

Além da questão econômica, Ford levantou preocupações sobre a segurança de dados e o relacionamento com os Estados Unidos. Com o governo Trump mantendo tarifas altas contra a China, o primeiro-ministro de Ontário teme que o Canadá seja visto como uma “porta dos fundos” para produtos chineses, o que poderia levar a retaliações americanas contra os carros fabricados em Ontário.

Apelo ao Consumidor: “Abordagem Equipe Canadá”

Em um tom nacionalista, Doug Ford pediu que a população ignore os novos modelos de baixo custo vindos da Ásia.

“Boicotem os veículos elétricos chineses. Apoiem as empresas que fabricam veículos aqui. É simples assim. Temos que permanecer unidos.”

O governo federal defende o acordo como uma forma de trazer veículos elétricos acessíveis (abaixo de CAD$ 35.000) para o consumidor canadense e catalisar futuros investimentos de joint-ventures chinesas no país em até três anos.

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Robson Quirino
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Robson Quirino

Sou Robson Quirino. Formado em Comunicação Social pelo IESB-Brasília, atuo como Redator/ Jornalista desde 2009 e para o segmento automotivo desde 2019. Gosto de saber como os carros funcionam, inclusive a rebimboca da parafuseta.