Renault mantém botões mesmo com custo maior; Euro NCAP passa a cobrar controles físicos em 5 funções

A Renault decidiu ir na contramão da tendência de concentrar quase todos os comandos do carro em telas.
A marca afirma que continuará usando botões físicos para atalhos e funções importantes, mesmo reconhecendo que essa solução custa mais do que transferir comandos para menus digitais.
A escolha ganha força justamente quando o Euro NCAP endurece, em 2026, sua avaliação da interface entre motorista e veículo.
O protocolo passa a valorizar controles de acesso direto para funções essenciais e coloca a redução de distrações no centro da nota de segurança.
Renault diz que botão ajuda motorista a manter os olhos na via
Glen Sealey, diretor-geral da Renault na Austrália, explicou que os controles físicos fazem parte de um princípio da marca.
Segundo ele, atalhos para volume, mídia e outras tarefas tornam o uso mais simples e evitam que o motorista precise navegar continuamente por telas.
O executivo também reconheceu um ponto que explica por que tantas fabricantes migraram comandos para displays: botões custam mais.
Mesmo assim, a Renault pretende preservá-los e combinar essa solução com recursos de voz e conectividade.
O Symbioz exemplifica essa lógica ao manter comandos físicos para funções-chave mesmo em uma cabine com serviços digitais e integração com smartphones.
Euro NCAP mira 5 comandos básicos usados ao dirigir
O Euro NCAP passou a avaliar com mais rigor a posição, a clareza e a facilidade de uso dos controles.
Em seu material de 2026, a entidade destaca cinco funções primárias que não devem ficar escondidas em submenus:
- buzina, setas, pisca-alerta, limpadores do para-brisa e faróis.
| Função | Por que importa |
|---|---|
| Buzina | Resposta imediata em alerta |
| Setas | Sinalização sem navegar em menus |
| Pisca-alerta | Acesso rápido em emergência |
| Limpadores | Uso rápido com mudança de clima |
| Faróis | Controle direto de iluminação |
A entidade pede que as fabricantes ofereçam entradas físicas diretas para comandos importantes ou, conforme a função, mantenham acesso fixo e previsível na interface.
Isso não transforma o Euro NCAP em órgão regulador: trata-se de um critério de pontuação nos testes de segurança, capaz de influenciar a classificação por estrelas.
Tela grande continua, mas ergonomia passa a valer mais
A mudança não significa o fim das centrais multimídia.
O novo protocolo também considera tecnologias avançadas, monitoramento do motorista e sistemas de assistência.
A diferença é que uma cabine sofisticada não ganha vantagem se obrigar o condutor a desviar a atenção para tarefas básicas.
Para as montadoras, isso cria um equilíbrio mais difícil.
Telas permitem reduzir componentes, atualizar menus por software e concentrar recursos em uma única superfície.
Já controles físicos ocupam espaço e adicionam peças, porém entregam referência tátil e podem ser acionados sem a mesma dependência visual.
Nesse cenário, a decisão da Renault deixa de parecer apenas conservadora e passa a combinar com uma direção adotada pela própria avaliação europeia de segurança.
O desafio será manter botões onde eles realmente ajudam sem transformar a cabine em um excesso de comandos.
Para o motorista, a consequência é simples:
- a disputa entre tela e botão começa a ser medida também pelo tempo e pela atenção necessários para executar funções essenciais enquanto o carro está em movimento.










