Nissan Sentra vira alvo de reclamações por falta de peças mesmo na garantia

O Nissan Sentra, um dos sedãs médios mais tradicionais do mercado brasileiro, virou dor de cabeça para parte de seus proprietários.
O motivo não está no motor nem no câmbio, mas no pós-venda: multiplicam-se as reclamações sobre a demora na entrega de peças de reposição.
O problema atinge inclusive carros que ainda estão dentro dos três anos de garantia oferecidos pela marca.
O assunto, que já vinha se acumulando em plataformas de defesa do consumidor como o Reclame Aqui, ganhou força recentemente ao ser destacado pela imprensa.
Nissan: meses de espera e peça “sem previsão”
Os relatos públicos seguem um padrão que se repete. Em um dos casos registrados no Reclame Aqui, o dono de um Sentra Exclusive zero-quilômetro conta que a câmera de ré apresentou defeito poucos meses após a compra.
O diagnóstico na concessionária foi rápido, mas a solução, não: o pedido da peça, prometido inicialmente para 15 dias, se arrastou por meses sem posição da fábrica.
Em outro registro, um proprietário relata que a concessionária chegou a admitir que o componente estava em falta na fábrica e sem qualquer previsão de chegada, deixando o reparo em aberto por tempo indeterminado.
Há ainda queixas sobre peças que não são vendidas separadamente, como o difusor central de ar, oferecido apenas como conjunto completo, o que encarece o conserto para perto de R$ 2 mil quando a garantia é negada.

O que diz a Nissan
Nas respostas públicas às reclamações, a Nissan tem repetido a mesma justificativa: a instabilidade na disponibilidade de matéria-prima global afeta o fornecimento de peças não apenas da marca, mas de toda a indústria automotiva.
A empresa pede compreensão dos clientes e afirma que os reparos em garantia são realizados quando constatado defeito de produto e cumprido o plano de revisões.
O discurso, porém, não tem acalmado os consumidores.
Para quem depende do carro no dia a dia, a espera indefinida significa veículo parado no pátio da concessionária ou rodando com defeito, situação especialmente frustrante em um sedã que custa bem mais de R$ 150 mil nas versões atuais e carrega a fama de robustez dos japoneses.
Agravante: carro importado
Um fator ajuda a explicar o gargalo: o Sentra vendido no Brasil vem importado do México, o que torna a reposição de componentes dependente da logística internacional.
Qualquer soluço na cadeia de suprimentos se transforma em semanas — ou meses — de espera para o consumidor final.
No Reclame Aqui, o índice recente da Nissan do Brasil reflete o desgaste: a montadora resolveu menos da metade das reclamações recebidas no último semestre avaliado, com tempo médio de resposta de 26 dias.
Para o dono de Sentra que aguarda uma peça coberta pela garantia, o recado é claro: o problema existe, é reconhecido pela própria marca e, por enquanto, segue sem prazo para acabar.
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