Gasolina no governo Lula chega a R$ 7,50 e encosta no valor da era Bolsonaro
Saiba qual é o valor da gasolina atualmente, o que disse o governo Lula e qual era o preço na era do Bolsonaro
O preço da gasolina voltou a preocupar motoristas em algumas regiões do Brasil.
Em Recife, o litro do combustível chegou a R$ 7,50 em alguns postos, valor que reacendeu o debate sobre os custos durante os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro.
O aumento chamou atenção porque ocorreu mesmo sem anúncio recente de reajuste nas refinarias da Petrobras.
A situação levou órgãos de defesa do consumidor a investigar possíveis irregularidades no mercado.
Além disso, a comparação com os valores registrados durante o governo Bolsonaro voltou ao centro das discussões sobre o preço dos combustíveis no país.
Procon autua postos por aumento considerado injustificado
O Procon Recife autuou 12 postos de combustíveis nas zonas Norte e Sul da cidade após identificar aumento considerado injustificado no preço da gasolina.
Nos últimos dias, consumidores relataram reajustes rápidos nas bombas, mesmo sem qualquer anúncio oficial de aumento pela Petrobras.
Em alguns estabelecimentos, o litro da gasolina comum chegou a R$ 7,50.
Segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço médio da gasolina em Pernambuco era de R$ 6,52 em fevereiro.
Isso significa que alguns postos passaram a cobrar cerca de R$ 1 a mais em comparação com o valor médio anterior.
Diante da situação, o Procon informou que continuará realizando fiscalizações para verificar se os aumentos foram aplicados sem justificativa adequada.
Petrobras afirma que não houve aumento recente
A Petrobras informou que não realizou aumento recente nos preços dos combustíveis vendidos às distribuidoras.
De acordo com a estatal, o último reajuste foi justamente uma redução anunciada em janeiro.
A empresa também explicou que não atua diretamente na venda ao consumidor final.
Seu papel envolve:
- produção de petróleo
- refino
- venda para distribuidoras
Segundo a companhia, a estratégia atual busca reduzir o impacto imediato das oscilações do mercado internacional sobre os preços no Brasil.
A estatal afirma que considera fatores como capacidade de refino e logística para manter períodos de maior estabilidade nos valores cobrados no país.
Distribuidoras dizem que mercado é livre
Representantes do setor de combustíveis afirmam que os preços podem variar porque o mercado brasileiro funciona em regime de livre concorrência.
O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Pernambuco (Sindicombustíveis), Alfredo Pinheiro Ramos, reconheceu que não houve reajuste da Petrobras.
Segundo ele, os aumentos podem ter ocorrido nas distribuidoras, enquanto os postos apenas repassam os valores.
Já o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis (Sindicom) afirmou que cada agente do mercado define seus próprios preços e margens.
Isso significa que fatores logísticos, custos operacionais e estratégias comerciais podem influenciar diretamente o valor final ao consumidor.
Governo Lula cita cenário internacional para explicar pressão nos preços
O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que é difícil controlar os preços dos combustíveis diante do cenário internacional.
Segundo ele, tensões geopolíticas e conflitos internacionais têm provocado grande volatilidade no mercado global de energia.
Alckmin destacou que, apesar de o Brasil ser exportador de petróleo bruto, o país ainda importa derivados, o que impacta diretamente o preço final.
Em entrevista à TV Brasil, ele explicou:
“São preços estabelecidos em geopolítica. Embora a gente seja exportador de petróleo bruto, a gente importa derivado.”
Nos últimos meses, o barril de petróleo chegou a ultrapassar US$ 110 no mercado internacional, refletindo o impacto de conflitos e tensões entre países produtores.
Posteriormente, a cotação recuou e voltou a ser negociada próxima de US$ 90.
Preço da gasolina na era Bolsonaro
Dados da Agência Nacional do Petróleo mostram que os preços da gasolina também atingiram níveis elevados durante o governo Jair Bolsonaro.
Entre 2019 e 2022, o maior valor registrado para a gasolina comum foi de R$ 8,99, nos meses de maio e junho de 2022.
No caso da gasolina aditivada, o valor máximo chegou a R$ 9,28 em julho de 2022.
Mesmo assim, os números mais recentes indicam que os preços continuaram subindo em alguns momentos do governo Lula.
Investigações sobre o mercado de combustíveis continuam
Diante das variações de preço, órgãos de defesa do consumidor e autoridades públicas passaram a acompanhar o mercado com mais atenção.
A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), ligada ao Ministério da Justiça, solicitou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que avalie se existem práticas que possam prejudicar a livre concorrência.
Além disso, a vereadora do Recife Liana Cirne protocolou uma representação no Ministério Público de Pernambuco pedindo investigação sobre os valores praticados nos postos da cidade.
O objetivo é verificar se houve aumento abusivo ou prática irregular na formação dos preços.
Enquanto isso, motoristas seguem atentos às oscilações nas bombas, que continuam sendo influenciadas por fatores internacionais, decisões comerciais e condições do mercado interno.

