Como o “gato” pode se tornar uma lombada pra BYD no Brasil?

Roubos de carros elétricos crescem no Brasil e modelos da BYD entram no radar. Entenda como o “gato” de energia pode influenciar esse cenário.

O crescimento das vendas de carros elétricos no Brasil trouxe um efeito colateral inesperado. Modelos da BYD, especialmente o Dolphin e o Dolphin Mini, começaram a aparecer com mais frequência em registros de roubo e furto em grandes cidades.

BYD Dolphin Mini estacionado na rua

Como o “gato” pode se tornar uma lombada pra BYD no Brasil? ─ Imagem: Divulgação/BYD

Parte dessa tendência está ligada a uma mudança na logística do crime urbano. Investigadores apontam que o interesse por veículos elétricos pode estar associado à possibilidade de recarga dentro de áreas com ligações clandestinas de energia, popularmente conhecidas como “gatos”.

Embora o fenômeno ainda seja relativamente pequeno quando comparado ao total de roubos de veículos no país, os dados recentes mostram um crescimento que chama atenção.

Roubos de carros elétricos estão aumentando

Os registros de ocorrências envolvendo carros eletrificados vêm subindo nos últimos anos.

No Rio de Janeiro, dados da Secretaria de Segurança Pública e de seguradoras, por exemplo, apontam que 675 roubos e furtos de veículos elétricos foram registrados entre janeiro e outubro de 2025. O número já supera todo o total contabilizado em 2023.

Nesse mesmo período, o crescimento de ocorrências envolvendo elétricos foi de cerca de 30%, enquanto os roubos de veículos em geral aumentaram aproximadamente 24%.

Em São Paulo, a tendência também aparece. Empresas de rastreamento veicular indicam que os casos envolvendo elétricos e híbridos dobraram entre 2024 e 2025, passando de 44 para 88 registros.

Entre os modelos eletrificados mais visados no estado, o BYD Dolphin aparece como o segundo mais citado, atrás apenas do Toyota Corolla Cross híbrido.

Quando a cultura do gato cruza o caminho do elétrico

Um fator que tem chamado atenção das autoridades é a possibilidade de recarga dentro de lugares com infraestrutura elétrica irregular ─ os conhecidos “gatos”.

Pois, diferente dos carros a combustão, que precisam ir a postos de gasolina para abastecer, os elétricos podem ser carregados em qualquer ponto de carregamento ─ mais fácil de instalar do que um posto.

Inclusive, investigações policiais no Complexo da Penha e no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, já identificaram carregadores domésticos instalados em locais com gato.

Na prática, isso cria um cenário em que o veículo pode permanecer operando (de graça) dentro de áreas dominadas, sobretudo, pelo crime organizado, sem precisar sair para reabastecimento.

Interior do BYD Dolphin Mini

Como o “gato” pode se tornar uma lombada pra BYD no Brasil? ─ Imagem: Divulgação/BYD

Especialistas apontam três fatores que tornam os elétricos atraentes nesse contexto:

  • Possibilidade de recarga local, sem exposição em postos de combustível

  • Baixo ruído, o que facilita deslocamentos discretos

  • Alto desempenho, com aceleração rápida mesmo em trajetos curtos

Além disso, registros policiais indicam que veículos podem ser usados em funções logísticas, como transporte interno ou movimentação dentro de territórios controlados.

Por que a BYD aparece com mais frequência

A BYD hoje possui a maior participação no mercado de carros elétricos no Brasil, o que naturalmente aumenta sua presença nas estatísticas.

Modelos como Dolphin, Dolphin Mini e Yuan Plus estão entre os elétricos mais vendidos no país. Como muitos deles são utilizados por motoristas de aplicativo ou em grandes centros urbanos, tornam-se mais fáceis de localizar e abordar.

Outro fator que pesa é o valor de alguns componentes.

A bateria Blade, tecnologia própria da marca, pode custar mais de R$ 90 mil em substituição completa, o que cria interesse no mercado ilegal de peças.

Esse conjunto de fatores ajuda a explicar por que veículos da marca aparecem com frequência em levantamentos de seguradoras e empresas de rastreamento.

Dolphin na mira e rivais ganhando vantagem no seguro

Outro efeito indireto dessa tendência começa a aparecer fora das estatísticas policiais: o preço do seguro.

Com o aumento de ocorrências envolvendo elétricos, seguradoras passaram a recalibrar o risco desses veículos, principalmente em capitais como Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador.

No caso do BYD Dolphin, cotações recentes de mercado indicam que o seguro anual pode variar entre R$ 4.000 e R$ 7.000, dependendo da cidade, perfil do motorista e local de estacionamento.

Esse valor pode representar até 6% do preço do carro por ano, índice considerado elevado para veículos compactos. Porém, alguns fatores explicam esse custo:

  • Valor alto da bateria, que pode ultrapassar R$ 90 mil em caso de troca

  • Escassez de peças, já que muitos componentes ainda dependem de importação

  • Crescimento recente de roubos, especialmente em grandes centros

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Dolphin Mini | Foto: Divulgação (BYD)

Enquanto isso, alguns rivais híbridos ou a combustão acabam apresentando seguros mais baratos, justamente por terem peças mais difundidas no mercado nacional, como

  • Toyota Corolla Cross híbrido

  • Fiat Pulse

  • Chevrolet Onix

costumam ter apólices com valores menores ou mais estáveis em diversas seguradoras.

Para consumidores que estão comparando custos totais de propriedade, esse detalhe começa a entrar na conta.

Apesar de ainda representarem uma parcela pequena dos roubos de veículos no Brasil, os carros elétricos começam a chamar atenção das autoridades e do mercado de seguros.

O crescimento de ocorrências envolvendo modelos populares, como o BYD Dolphin, de fato, revela uma nova dinâmica urbana ligada à expansão dessa tecnologia. Ao mesmo tempo, fatores como custo de peças, valor da bateria e riscos regionais passam a influenciar cada vez mais o custo total de ter um elétrico no país.

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