BYD em pânico: vendas despencam 41% e carros travam no emplacamento

Saiba como está o desempenho da BYD no Brasil e no restante do mundo e veja os problemas enfrentados com clientes brasileiros

A BYD atravessa um momento delicado no cenário internacional.

As vendas globais da montadora despencaram 41% em fevereiro de 2026 na comparação com o mesmo mês de 2025.

Ao mesmo tempo, no Brasil, consumidores relatam dificuldades para emplacar veículos recém-faturados.

Os dados divulgados pela própria fabricante mostram a dimensão da retração.

Em fevereiro de 2025, a BYD vendeu 322.846 veículos no mundo.

Já em fevereiro de 2026, o volume caiu para 190.190 unidades. A redução foi de 41,09%.

No acumulado de janeiro e fevereiro, o cenário também é negativo.

  • Janeiro e fevereiro de 2025: 623.384 unidades
  • Janeiro e fevereiro de 2026: 400.241 unidades

A retração no bimestre foi de 35,7%.

O resultado é o pior para um mês de fevereiro desde 2020, quando a pandemia provocou colapso de 80,5% nas vendas globais da marca.

Híbridos plug-in da BYD lideram a queda

A retração foi puxada principalmente pelos híbridos plug-in.

Em fevereiro de 2025, foram comercializadas 193.331 unidades desse tipo.

No mesmo mês de 2026, o número caiu para 108.243, recuo de 44%.

Os modelos totalmente elétricos também registraram baixa.

As vendas passaram de 162.788 unidades para 124.902, queda de 36,3%.

Especialistas apontam que a desaceleração está ligada principalmente ao mercado chinês, onde houve redução de incentivos governamentais para veículos eletrificados e maior controle sobre descontos considerados agressivos.

A guerra de preços interna também pressiona margens e estoques.

Fábrica da BYD – Foto: divulgação

Problemas no emplacamento no Brasil também viram dor de cabeça para a BYD

Além da retração global, a BYD enfrenta questionamentos no Brasil relacionados ao registro de veículos.

A revista QUATRO RODAS apurou 14 casos semelhantes na plataforma Reclame Aqui entre 6 e 24 de fevereiro. A maioria dos carros havia sido faturada entre 16 e 23 de janeiro e permanecia sem conseguir ser emplacada.

Procurada, a BYD confirmou “morosidade no emplacamento de alguns veículos”. Segundo a fabricante, o problema ocorreu devido à necessidade de realizar ajustes em sistemas e rotinas operacionais para tornar os processos mais eficientes e ágeis.

Essas mudanças teriam provocado instabilidades no registro de modelos na BIN, a Base de Índice Nacional.

A empresa afirma que as alterações já foram concluídas e que trabalha para regularizar os emplacamentos pendentes no menor prazo possível.

Questionada sobre possível risco de multas aos clientes por atraso, a montadora declarou que acompanha o tema com prioridade para garantir o cumprimento do prazo legal e a formalização correta do processo.

Brasil segue forte em vendas

Apesar do cenário internacional adverso, o desempenho no Brasil permanece expressivo.

Considerando apenas veículos elétricos e híbridos, a BYD lidera o mercado nacional em 2026.

Segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico, a marca já emplacou 9.801 unidades no ano, concentrando 41,3% do mercado de eletrificados.

A Toyota aparece em segundo lugar, com 3.944 unidades e 16,6% de participação.

No ranking geral da Fenabrave, que inclui todos os tipos de veículos, a BYD ocupa a quinta posição, com 9.755 emplacamentos no acumulado do ano, superando marcas tradicionais como Jeep, Honda, Renault, Toyota e Nissan.

No varejo, o Dolphin Mini foi o modelo zero km mais vendido em fevereiro, considerando carros de passeio e comerciais leves.

Ranking de fevereiro no varejo:

  • BYD Dolphin Mini: 4.094 unidades
BYD

Em janeiro, BYD emplacou quase 10 mil veículos | Foto: Divulgação (BYD)

  • Volkswagen Tera: 3.856 unidades
  • Fiat Strada: 3.214 unidades
  • Hyundai Creta: 3.129 unidades
  • Chevrolet Tracker: 3.023 unidades

Pressão aumenta sobre a BYD

A combinação de queda expressiva nas vendas globais e problemas operacionais no Brasil coloca a BYD sob pressão.

Enquanto o mercado brasileiro mantém números robustos, o cenário internacional indica desaceleração relevante, especialmente nos híbridos plug-in.

O próximo trimestre será decisivo para avaliar se a retração foi pontual ou se marca o início de uma fase mais desafiadora para a montadora no cenário global.

E você, como avalia esse cenário da BYD no Brasil e no mundo? Comente e compartilhe a sua opinião com outros leitores do Garagem360.

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Matheus Azevedo
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