O avanço dos carros modernos trouxe mais tecnologia, mas também começou a complicar algo que sempre foi simples: engatar marcha. O CAOA Chery Tiggo 5X é um dos exemplos dessa mudança que já está gerando alerta entre motoristas e autoridades.
A discussão não é sobre desempenho ou consumo. O problema está no básico: entender como dirigir.
As montadoras começaram a abandonar o câmbio tradicional, com alavanca conhecida, e passaram a apostar em novos formatos.
No Tiggo 5X e no CAOA Chery Arrizo 6, o sistema usa uma manopla estilo joystick.
Tiggo 5X – Foto divulgação
Já a BYD segue outro caminho, com seletor em formato de esfera, presente em modelos como o BYD Song Pro.
O resultado disso é direto:
Motoristas não reconhecem o funcionamento de imediato
A troca de marcha deixa de ser intuitiva
O tempo de adaptação aumenta
Situações reais do Tiggo 5X mostram o risco
O problema não é apenas teórico. Existem casos concretos que mostram o impacto dessas mudanças.
Um exemplo envolve um Nissan Rogue alugado. Uma motorista não conseguiu selecionar a marcha corretamente e acabou ficando presa dentro do carro, precisando retornar à locadora para pedir ajuda.
Ou seja, uma ação básica virou um obstáculo real.
Autoridades já investigam casos
A preocupação também chegou aos órgãos de segurança.
Nos Estados Unidos, a National Highway Traffic Safety Administration já investiga incidentes ligados a esses sistemas.
Entre os problemas analisados estão:
Dificuldade de identificar a marcha selecionada
Falta de resposta clara do sistema
Erros operacionais que podem gerar acidentes
Em um dos casos avaliados, houve até registro de vítima fatal associada ao uso incorreto do câmbio.
Exemplo prático mostra falha de design
Outro caso envolve a Chrysler Pacifica.
Nesse modelo, o câmbio usa um botão giratório posicionado ao lado do controle de volume do som.
Na prática:
O motorista pode confundir os comandos
Ajusta o som quando tenta trocar a marcha
Perde tempo de reação
Esse tipo de decisão de design aumenta o risco, principalmente em situações de trânsito intenso.
Falta de feedback é o principal problema
Segundo especialistas, o maior erro desses sistemas está na ausência de feedback.
Ou seja:
O motorista não sente claramente a mudança de marcha
Não há resposta física como no câmbio tradicional
A operação depende mais de atenção visual
Isso aumenta a chance de erro, principalmente para quem dirige um carro diferente pela primeira vez.
E no Brasil, há risco?
Até agora, não existem registros oficiais de acidentes no Brasil ligados a esse tipo de câmbio.
Mesmo assim, o alerta já está aceso.
Com mais carros adotando essas soluções, a tendência é que o problema apareça com mais frequência.
Matheus Azevedo é jornalista formado pelo Centro Universitário UNA, em Belo Horizonte. Atua com o digital desde quando saiu da faculdade. É apaixonado por SEO e, sobretudo por carros, finanças e dados. Entende que todos podem entender números. Contudo, é papel do jornalista transformá-los em informações mais claras e organizadas para ajudar o leitor a ter um conteúdo mais completo e informativo. E-mail: [email protected]