Mais baratos do que um pneu novo, estes produtos divergem pelo processo de fixação da banda de rodagem 

Na hora de colocar a mão no bolso para realizar a troca dos pneus, muitos condutores acabam optando por um produto mais barato como os remoldados e os recauchutados. Mas, mesmo com toda a tecnologia empregada na produção deste tipo de pneu, há quem garanta que o novo ainda é a melhor opção.

Alberto Mayer, presidente da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP) explica que os remoldados – também chamados de remolds – duram metade do tempo que um modelo zero, ou seja, se com o novo o motorista roda de 50 mil a 60 mil quilômetros, com o remold ele vai rodar de 25 mil a 30 mil quilômetros.

Como ensina o executivo, este tipo de equipamento é feito a partir do processo de reaproveitamento de pneus desgastados, reconstruídos por meio da técnica de vulcanização. “Inicialmente é feita a raspagem da banda de rodagem e das laterais (flancos) do produto a ser reformado, o que leva à eliminação de marca, modelo, dimensões, índices de carga e velocidade e série de fabricação. Em seguida novas banda de rodagem, laterais e inscrições são aplicados na velha carcaça”, relata.

Foto: Divulgação
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Pneus remoldados podem ser encontrados a partir de R$ 130 e duram cerca de 30 mil quilômetros rodados

Ainda segundo Mayer, o pneu remold é seguro desde que seja reformado em oficinas que tenham máquinas especializadas e mão de obra e matéria prima de qualidade. Mas, antes de fechar negócio, é importantíssimo saber se a empresa utiliza produtos com o selo do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).

A Crystone Pneus, localizada em Petrópolis, no Rio de Janeiro, é fabricante de remoldados e possui mais de 25 opções para diversos carros de passeio e utilitários de cargas. Joaquim Agante, gerente comercial da companhia, garante que o produto, além de barato – custa cerca de 50% menos que um novo -, oferece segurança durante o trajeto. Lá, o preço parte de R$ 130.

“Os remoldados são produzidos com carcaças examinadas. Depois disso, seguem para uma máquina que faz a raspagem da banda de rodagem e, logo, recebem uma nova camada de borracha. Por último, o produto é encaminhado para as prensas vulcanizadoras, onde é fixada a nova banda de rodagem e também as laterais do pneu”, diz o gerente comercial. E Agante comenta que os produtos têm outra vantagem: economizam aproximadamente 20 litros de petróleo se comparado com a produção de um novo pneu.

Recauchutados

Foto: Divulgação
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Pneus recauchutados são cobertos com uma camada de borracha, colada sobre a parte desgastada

Diferentemente dos remoldados, os recauchutados recebem apenas uma nova camada de borracha, e a fixação é feita por meio da colagem. Ricardo Azevedo, proprietário da Só Pneus Auto Mecânica, de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, avalia que no processo de fabricação, assim como no do remodelado, é necessário cuidado.

“Esse tipo de pneu é coberto com uma camada de borracha colada na parte que está desgastada. Neste caso, recomendo que o cliente opte pelo produto somente na tração traseira, pois se algo soltar, o motorista continuará em movimento com um produto desgastado”, conta Azevedo.

O profissional revela que não tem conhecimento de problemas em nenhum pneu que tenha sido recauchutado. Mas ele recomenda que a compra seja feita apenas em estabelecimentos que entendam da técnica. Em sua agência, o produto pode ser encontrado a partir de R$ 120 e a durabilidade vai depender dos cuidados que o condutor tiver com o veículo.

Antônio Rozato, supervisor do Valetão Pneus, agência especializada em venda de pneus Pirelli, também da capital paulista, não é a favor de recauchutados e remodelados. “São itens reformulados por meio de pneus usados que já rodaram aproximadamente 50 mil quilômetros”, diz. Para ele, ao optar por produtos do tipo, o motorista precisa estar ciente de que não é possível saber de que marca o pneu era antes de receber uma nova camada de borracha e nem o estado em que se encontrava. Na empresa, o preço dos pneus novo parte de R$ 280.

De olho nos pneus

O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) prevê punição para o motorista que for autuado conduzindo um veículo cujos pneus estão em mau estado de conservação. A infração resulta na perda de cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e multa de R$ 127,69.

Para evitar possíveis gastos, independentemente do tipo de pneu que o condutor deseja adquirir, é importante que ele realize periodicamente o alinhamento e o balanceamento – a cada 10 mil quilômetros rodados. Além disso, o motorista precisa realizar a calibragem correta dos pneus, que deve ser feita, no máximo, a cada 15 dias, e respeitando as recomendações contidas no Manual do Proprietário.

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