A indústria automotiva ainda não desistiu dos motores a combustão e a nova aposta da Renault com a Geely mostra exatamente isso. Em vez de abandonar a gasolina, a estratégia agora é consumir muito menos.
Se essa solução realmente ganhar escala, o impacto pode ser direto: menos consumo de combustível e, consequentemente, menos receita para distribuidoras como Ipiranga e Petrobras.
Novo motor da Renault aposta em eficiência extrema
O projeto foi desenvolvido na Espanha pela Horse, joint venture entre Renault e Geely, em parceria com a Repsol.
O resultado é o motor H12 Concept, que apresenta consumo inferior a 3,3 litros por 100 km. Na prática, isso coloca o modelo em um nível muito acima da média atual dos carros a gasolina.
Além disso, ele emite cerca de 76 g/km de CO₂ e atinge eficiência térmica de 44,2%, enquanto motores convencionais ficam entre 35% e 40%.
Tecnologia da Renault já foi testada no mundo real
Diferente de muitos conceitos, esse motor não ficou só no papel.
Ele foi testado em condições reais, percorrendo o trajeto entre Valladolid e Móstoles, na Espanha. Isso mostra que a proposta já funciona fora do laboratório.
O projeto parte de um motor 1.2 já conhecido da Renault, usado em modelos como Clio, Austral e Duster, mas com uma série de melhorias.
Foto: Xataka
Mudanças vão além do motor
O ganho de eficiência não vem de um único ponto.
O conjunto recebeu ajustes na recirculação de gases (EGR), novo turbocompressor, sistema de ignição mais eficiente e uma transmissão híbrida integrada.
Essa transmissão incorpora um motor elétrico e reduz perdas mecânicas, ajudando diretamente no consumo final.
No total, o sistema pode consumir até 40% menos combustível do que a média dos carros a gasolina vendidos na Europa em 2023.
Combustível renovável muda o cenário
Outro ponto importante está no combustível.
O motor foi testado com a gasolina Nexa 95, desenvolvida pela Repsol a partir de resíduos orgânicos, como óleos usados e gorduras animais.
Esse combustível não utiliza petróleo e pode ser usado em motores a gasolina atuais sem necessidade de adaptação.
Por que isso preocupa o mercado de combustível
Se essa tecnologia avançar, o impacto pode ser significativo.
Carros mais eficientes consomem menos combustível. E se, além disso, passarem a utilizar combustíveis renováveis, a dependência de gasolina tradicional diminui.
Na prática, isso significa menos volume vendido nos postos.
O fator que pode acelerar essa mudança
Hoje, cerca de 97% da frota europeia ainda utiliza motores a combustão.
Ou seja, qualquer melhoria nesse tipo de motor tem efeito imediato, sem depender da troca total da frota por elétricos.
Além disso, a Horse já tem capacidade para produzir cerca de 5 milhões de motores por ano, o que pode acelerar a adoção da tecnologia.
O novo motor desenvolvido por Renault e Geely mostra que a combustão ainda tem espaço mas de um jeito diferente.
Se essa solução ganhar escala, o impacto não será apenas técnico, mas econômico. Com carros consumindo muito menos combustível, empresas como Ipiranga e Petrobras podem, sim, começar a sentir pressão.
Matheus Azevedo é jornalista formado pelo Centro Universitário UNA, em Belo Horizonte. Atua com o digital desde quando saiu da faculdade. É apaixonado por SEO e, sobretudo por carros, finanças e dados. Entende que todos podem entender números. Contudo, é papel do jornalista transformá-los em informações mais claras e organizadas para ajudar o leitor a ter um conteúdo mais completo e informativo. E-mail: [email protected]