Recorde: carros elétricos cravam 16,8% de participação no mercado brasileiro em janeiro
Veículos eletrificados batem recorde de 16,8% de participação em janeiro de 2026. Veja modelos líderes e impacto dos novos impostos
O mercado automotivo brasileiro iniciou 2026 com um marco sem precedentes: os veículos eletrificados responderam por 16,8% dos emplacamentos totais em janeiro. Segundo dados da Anfavea, o avanço é impulsionado pela consolidação de marcas chinesas e pelo crescimento recorde da produção nacional de híbridos.
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Venda de carros elétricos bate recorde
Os elétricos estão com tudo! O desempenho de janeiro reflete uma mudança estrutural no consumo do brasileiro. Enquanto em janeiro de 2025 a participação desse segmento era de apenas 10,3%, o salto para quase 17% demonstra que a eletrificação deixou de ser um nicho para se tornar protagonista do varejo.
Veja só os dados recentes da Anfavea:
- Total de eletrificados: 27 mil unidades emplacadas.
- Produção nacional: 9,6 mil veículos foram fabricados no Brasil, um recorde para a indústria local.
- Híbridos nacionais: 35% do total de eletrificados vendidos já saem de linhas de montagem brasileiras.
Além disso, mesmo com a volta gradual de impostos, os emplacamentos de carros vindos da China saltaram de 10,4 mil para 16,8 mil na comparação anual.
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Quais os carros elétricos mais vendidos?
De acordo com a consultoria Bright Consulting, o ranking dos elétricos mais procurados no início deste ano foi dominado por modelos compactos e com forte apelo tecnológico:
| Posição | Modelo | Unidades emplacadas |
| 1º | BYD Dolphin Mini | 2.800 unidades |
| 2º | BYD Dolphin | 1.500 unidades* |
| 3º | Geely EX2 | 1.100 unidades |
*Nota técnica: Embora alguns relatórios de mercado citem volumes divergentes, os dados oficiais da Anfavea e Bright Consulting confirmam a liderança da BYD no segmento BEV.
Fim da isenção e novo cenário tributário
O mês de janeiro também marcou o fim de um ciclo de incentivos. No último dia 31, terminou o prazo de isenção para veículos importados via sistema CKD (totalmente desmontados). A medida, que atende a pleitos por isonomia industrial, reinsere esses modelos no cronograma de elevação tarifária.
Confira abaixo as alíquotas vigentes (fevereiro/2026):
- Elétricos (BEV): 25%
- Híbridos (HEV): 30%
- Híbridos Plug-in (PHEV): 28%
- Alíquota teto: Todos os eletrificados importados atingirão 35% em janeiro de 2027
Mercado geral e o pograma “Move Brasil”
Apesar do otimismo no setor de elétricos, o mercado geral de veículos licenciados registrou uma leve queda de 0,4% (170,5 mil unidades). O destaque negativo ficou com os pesados (ônibus e caminhões), que viram as vendas caírem mais de 30%.
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Para reverter esse cenário, o governo lançou o programa Move Brasil. Em apenas um mês, o BNDES já aprovou R$ 1,3 bilhão em financiamentos para a renovação de frotas, o que deve impulsionar a recuperação dos veículos comerciais ao longo do primeiro semestre de 2026.
O recorde de 16,8% em janeiro é o sinal mais claro de que a infraestrutura de recarga e a confiança do consumidor atingiram um ponto de inflexão em 2026. O fim da isenção CKD não deve frear as vendas, mas sim acelerar o processo de nacionalização, como já visto na fábrica de Camaçari.
O Brasil entra definitivamente na era da eletrificação em massa, onde o desafio agora se desloca do preço de aquisição para a sustentabilidade da rede de suporte e o impacto dos novos impostos na competitividade do próximo ano.
Agora me conta: entre um elétrico puro e um híbrido nacional, qual seria a sua escolha hoje?
Formada em Administração de Empresas, Jornalismo e mestranda em Comunicação. Apaixonada por setor automobilístico, true crime e livros. Fiz da escrita e produção de conteúdo sua paixão e profissão.

