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Opinião: Tetracampeão, Lewis Hamilton é o maior fenômeno depois de Schumacher

Créditos: Foto Steven Tee/Fotos Públicas

A vida de Lewis Hamilton não foi fácil em 2017. Campeão neste domingo, durante o GP do México, a conquista antecipada pode até dar a impressão que foi tranquila. Não foi. Pela primeira vez em 4 anos, a Mercedes teve uma concorrente à altura e com um dos melhores pilotos do grid disputando ponto a ponto a liderança da tabela. Isso até o GP da Itália, já que os eventos que aconteceram nas três provas subsequentes foram os responsáveis pelo cenário atual.

Com o quarto título no bolso, Hamilton pode ser considerado o maior fenômeno depois de Michael Shumacher. Primeiro negro a conquistar um título mundial na categoria, ele já mostrou a que veio logo na primeira temporada. O ano era 2007, a F-1 se despedia de Schumacher, que curtia sua primeira aposentadoria, e via ascender um novo candidato a papa títulos; Fernando Alonso. O espanhol era o atual bicampeão, a maior estrela do momento e chegava à McLaren cheio de pomba e circunstância, após quatro temporadas na Renault.

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Era claro quem era o mandachuva do momento. Quando a equipe inglesa anunciou sua dupla de pilotos, todos os olhos do mundo estavam no campeão de 2005 e 2006. Porém, ao seu lado, um corredor negro de cabelo raspado e sorriso simpático — com uma leve falha nos dentes dianteiros — buscava seu lugar ao Sol. Após ter sido apadrinhado por Ron Denis, que era o então chefão da escuderia, quando ainda era criança, Hamilton tinha a chance de ouro de ser… um mero coadjuvante.

Ninguém na face da Terra apostava que o britânico brigaria pelo título logo em seu primeiro ano. Qualquer terráqueo, e provavelmente os marcianos e o Império de Darth Vader, apostariam todas as fichas em Alonso. Eis que começa a temporada na Austrália. Kimi Raikkonen vence em sua estreia pela Ferrari e vê a dupla da McLaren completar o pódio. Lewis chegou em terceiro em sua primeira corrida.

A temporada seguiu e a rivalidade entre os dois pilotos do carro prateado só aumentou. Lewis venceu quatro corridas naquele ano (Canadá, EUA, Hungria e Japão), e chegou ano GP da China com chances de ser campeão antecipadamente. Porém, quis os deuses do automobilismo que ele ficasse preso na caixa de brita da entrada do pitstop naquela corrida, abandonasse e levasse a decisão para Interlagos. No Brasil, porém, ele teve problemas no começo da prova, caiu para último e, mesmo com o sétimo lugar, acabou perdendo o título para Kimi Raikkonen por um ponto.

Hora da virada

No ano seguinte, já sem Alonso na equipe, Hamilton assumiu o posto de primeiro piloto apenas em seu segundo ano na categoria. Esse campeonato ficou marcado para os brasileiros por conta da disputa com Felipe Massa. Foi uma temporada em que os dois corredores oscilaram muito, desperdiçando pontos importantes.

Mesmo com todo o esforço do brasileiro, Lewis acabou sendo campeão do mundo, naquele final dramático em Interlagos. Campeão, ele era um dos favoritos ao título de 2009, mas as profundas mudanças no regulamento viraram o grid de cabeça para baixo, fazendo que a McLaren tivesse um carro mediano, enquanto a surpreendente Brawn GP dominava a temporada com Jenson Button.

Entre 2010 e 2012, Hamilton seguiu fiel ao time que o revelou, somando vitórias e se tornando um dos grandes dessa geração. Apesar de sempre ter um carro competitivo na McLaren, o bicampeonato não vinha. Insatisfeito, o britânico queria mais. Somente um título não era suficiente. Foi quando a Mercedes fez uma proposta que, na época, parecia loucura. Então uma força emergente, a equipe não tinha conseguido se firmar entre as grandes até aquele momento.

Hamilton pensou, viu que era a chance de seguir seu caminho próprio e foi em busca de sua felicidade. O que parecia impossível, não era mais. O inglês não estaria mais no time de Working a partir de 2013.

Domínio e derrota

Enquanto Sebastian Vettel e a RedBull enfileiravam quatro títulos consecutivos, a Mercedes trabalhava duro. Montou uma estrutura forte e se preparou para outra grande mudança no regulamento. A partir de 2014, os motores deixariam de ser os V8 de 2,4 litros. Em seu lugar, uma unidade de potência híbrida, com um propulsor a combustão V6 turbo de 1,5 litro, combinado com outros dois elétricos. Complexos, eles são difíceis de serem entendidos até hoje – vide o fracasso da Honda e as quebras constantes da Renault.

A equipe alemã, por sua vez, havia conseguido montar o melhor conjunto mecânico. Em 2014, Rosberg até ameaçou Hamilton, mas o título acabou ficando mesmo com o inglês. No ano seguinte, o britânico dominou a categoria, superando o número de vitórias de Ayrton Senna no GP da Rússia. O tricampeonato foi conquistado no GP dos Estados Unidos, com três provas de antecedência. Ali, parecia que em 2016 Lewis teria mais um ano tranquilo. Só que Rosberg resolveu estragar a festa.

No ano passado, Nico começou a temporada de maneira avassaladora, ganhando as quatro corridas iniciais. A luta seguiu até a última prova, com os dois pilotos alternando a ponta durante vários momentos da temporada. Porém, o abandono de Hamilton no GP da Malásia, após seu motor estourar, praticamente garantiu o título de Rosberg, que foi confirmado na corrida de Abu Dhabi.

Volta por cima

O alemão, após igualar o feito de seu pai – que foi campeão do mundo em 1982, resolveu pendurar o capacete e saiu da categoria. Neste ano, uma nova mudança nas regras, com os carros mais largos e rápidos, equilibrou novamente o jogo. A Ferrari estava na briga, e Vettel queira seu quinto título. Tudo caminhava bem para o tetracampeão até o GP de Cingapura. O abandono, junto com a vitória de Hamilton, complicou a vida de Sebastian.

Para aumentar ainda mais seu azar, na Malásia o piloto da escuderia vermelha sofreu com problemas no motor, chegando em quarto na corrida. Na prova seguinte, no Japão, uma falha em uma vela tirou de Vettel a chance de lutar com Lewis, que seguia imbatível. O milagre que o alemão precisava não veio. Hamilton é tetracampeão do mundo, com muitos méritos.

Esse longo resumo dos 10 anos da carreira do competidor prova porque ele é o maior fenômeno depois de Schumacher. Fernando Alonso talvez seja um piloto mais completo, mas paga o preço por seu temperamento explosivo. Sebastian Vettel tem valor, já que ninguém ganha quatro campeonatos sem merecimento. Além do mais, é bom lembrar, o alemão ganhou sua primeira prova com uma modesta Toro Rosso, em 2008. E isso não é pouco.

Só que Hamilton consegue ir além de qualquer outro piloto no grid. Ele, talvez, seja o maior ser humano que sentou em um carro depois de Schumacher. O agora tetracampeão é muito veloz em classificações, tanto que é o maior pole position da história. Em números de vitórias, ele já é o segundo maior vencedor, e parece ser o único capaz de ultrapassar as 91 conquistas do alemão heptacampeão. Até aqui, o britânico cruzou a linha de chegada em primeiro 62 vezes.

Além disso, sua capacidade de se manter concentrado, mesmo nos momentos mais complicados das temporadas, merece destaque. Após a derrota de 2007, Lewis não se abala facilmente. Em 2008, perdia o título até a última curva de Interlagos, mas conseguiu ultrapassar Timo Glock para garantir sua primeira conquista. Em 2014, soube segurar a pressão de Rosberg, e neste ano conseguiu se manter vivo na disputa, mesmo quando parecia que Vettel iria se isolar na ponta da tabela.

O título está em boas mãos. Resta agora torcer para que em 2018 a Ferrari siga forte, a RedBull tenha um bom motor, já que tem uma excelente dupla de pilotos, e que a McLaren volte a ser competitiva. Porque a Mercedes com Hamilton é praticamente imbatível.

Foto: LAT Images/ Fotos Públicas
Verstappen venceu, mas título de Hamilton ofuscou sua brilhante vitória no México

GP do México

Confira abaixo como ficou a classificação do GP do México, que teve Max Verstappen como vencedor, com Valtteri Bottas em segundo e Kimi Raikkonen completando o pódio.

Foto: Reprodução/F1.com
Classificação GP México 2017
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