Ônibus elétricos crescem 70% enquanto urbanos a diesel caem 25%; mercado pode fechar 2026 em 19,5 mil

O mercado brasileiro de ônibus deve encerrar 2026 menor, mas com uma mudança clara no segmento urbano.

Executivos do setor apontam que os ônibus elétricos acumulam avanço de 70%, enquanto os modelos urbanos a diesel recuam 25%.

A Mercedes-Benz trabalha com uma projeção de aproximadamente 19,5 mil ônibus emplacados no ano.

Se a estimativa se confirmar, o volume ficará cerca de 18% abaixo das aproximadamente 23,8 mil unidades registradas em 2025.

Juros altos, crédito restrito e menor participação das compras governamentais estão entre os fatores que limitam o mercado.

19,5 mil ônibus colocariam 2026 abaixo de 2025

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A projeção de 19,5 mil unidades parte de Walter Barbosa, vice-presidente da área de ônibus da Mercedes-Benz.

A expectativa considera um segundo semestre mais fraco, especialmente porque compras governamentais que ajudaram o mercado no início do ano perdem força a partir de julho.

Outros segmentos também recuam.

Segundo os números apresentados no setor, os ônibus rodoviários caíram 32%, enquanto os veículos destinados a fretamento recuaram 22%.

  • mercado de 2025: cerca de 23,8 mil ônibus;
  • projeção para 2026: 19,5 mil;
  • urbano a diesel: queda de 25%;
  • ônibus elétricos: avanço de 70%.
Indicador Resultado
Ônibus em 2025 ~23,8 mil
Projeção 2026 ~19,5 mil
Variação implícita cerca de -18%

Elétricos avançam mesmo com mercado total mais fraco

A eletrificação segue na direção oposta ao mercado tradicional.

O crescimento de 70% citado por executivos mostra expansão relevante, embora a participação dos elétricos ainda seja pequena diante do total de ônibus vendidos no país.

Outro levantamento mostra a velocidade dessa mudança.

A ABVE registrou 589 ônibus elétricos no primeiro semestre de 2026, alta de 92,5% sobre as 306 unidades do mesmo período de 2025.

O percentual difere dos 70% porque se refere a outro recorte e período.

São Paulo concentra parte importante dessa aceleração, beneficiada por programas de renovação de frota e maior infraestrutura.

Fora dos grandes centros, custo de aquisição, recarga e financiamento ainda limitam uma expansão mais rápida.

Juros e menos compras públicas pressionam o segundo semestre

O setor vê a taxa de juros como um dos principais obstáculos para recuperar volume.

Financiamentos mais caros afetam operadores privados, que dependem de crédito para renovar frotas.

A menor disponibilidade de programas como Move Brasil e Refrota também reduz estímulos.

A Volkswagen Caminhões e Ônibus ainda considera possível superar 20 mil unidades em 2026, enquanto Volvo e Mercedes trabalham com cenário mais cauteloso.

Assim, a faixa entre 19,5 mil e pouco mais de 20 mil virou referência para o fechamento do ano.

O contraste é claro: o mercado total perde força, mas os elétricos ganham espaço.

A próxima etapa dependerá de financiamento, infraestrutura e previsibilidade para que municípios e operadores ampliem a renovação das frotas.

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