O paradoxo dos híbridos: Seu carro pode poluir até 62% mais se você não usar a tomada
Estudo revela que híbridos plug-in emitem até 62% mais poluentes se a bateria não for carregada. Entenda por que a falta de recarga torna seu carro "verde" em um vilão ambiental.
Os veículos híbridos plug-in (PHEVs) são vendidos como o “melhor de dois mundos”: a economia do motor elétrico para o dia a dia e a liberdade da gasolina para viagens longas. No entanto, um novo estudo da revista científica Transport Policy revela um lado sombrio: sem o hábito de carregar a bateria, esses carros se tornam mais poluentes e menos eficientes do que modelos tradicionais.
Seu carro pode poluir até 62% mais se você não usar a tomada
A grande diferença de um híbrido plug-in para um híbrido comum é o tamanho da bateria. Para oferecer autonomia elétrica, esses carros carregam centenas de quilos extras. Um Kia Niro PHEV, por exemplo, é 113 kg mais pesado que sua versão convencional; já um Mitsubishi Outlander PHEV chega a pesar 320 kg a mais que o modelo apenas a combustão.
Quando você não carrega o carro na tomada, o motor a gasolina precisa trabalhar dobrado para carregar esse “peso morto”, resultando em um consumo muito mais elevado e um esforço mecânico constante.

Os números da poluição “invisível”
De acordo com os pesquisadores, o uso do PHEV pode ser dividido em dois modos:
Depleção de Carga (CD): O ideal, onde a bateria impulsiona o carro e reduz as emissões em até 60% em relação a carros comuns.
Manutenção de Carga (CS): Onde o motor a combustão faz todo o trabalho.
O estudo alerta que, no pior cenário — quando o dono nunca carrega o veículo —, as emissões disparam de forma alarmante comparadas ao funcionamento normal:
- Óxido de Nitrogênio (NOx): +62%
- Hidrocarbonetos: +70%
- Dióxido de Carbono (CO2): +46%
Híbrido Plug-in ou Convencional?
A conclusão dos especialistas é clara: se você não tem onde carregar o carro diariamente ou não pretende adaptar sua rotina à tomada, o híbrido plug-in é um investimento ruim. Nesses casos, um híbrido convencional (que carrega sozinho durante as frenagens) é muito mais eficiente, leve e menos poluente no mundo real.
A tecnologia plug-in só é “verde” se houver compromisso do motorista. Sem o cabo, o que era para ser uma solução sustentável acaba virando um gerador de poluição sobre rodas.
Sou Robson Quirino. Formado em Comunicação Social pelo IESB-Brasília, atuo como Redator/ Jornalista desde 2009 e para o segmento automotivo desde 2019. Gosto de saber como os carros funcionam, inclusive a rebimboca da parafuseta.