O “Check-up” do Futuro: Como a ciência está aprendendo a reformar baterias de carros elétricos
Cientistas descobrem causa de falhas em baterias de EVs e testam técnica que restaura 76% da capacidade. Confira a análise do Jornal do Carro sobre o futuro da reciclagem.
A longevidade das baterias é a principal dúvida de quem pretende comprar um veículo elétrico (EV). Recentemente, uma ponte científica entre os EUA e a China começou a decifrar por que baterias de alta tecnologia (monocristalinas) podem falhar precocemente e, mais importante, como é possível “curar” essas células sem precisar descartá-las.
O “Check-up” do Futuro: Como a ciência está aprendendo a reformar baterias de carros elétricos
Pesquisadores do Argonne National Laboratory (EUA) descobriram que o problema das baterias de níquel alto não é apenas químico, mas mecânico. Mesmo em baterias modernas, projetadas para serem mais resistentes, as reações dentro das células ocorrem de forma desigual.
Imagine uma esponja que incha e encolhe toda vez que você carrega o carro: se um lado da “esponja” inchar mais que o outro, ela começa a rachar. Esse estresse mecânico é o que rouba a autonomia do seu carro ao longo dos anos.

Enquanto os americanos identificaram a “doença”, os chineses testam o “remédio”. No segundo semestre de 2025, cientistas da Universidade Huazhong revelaram que é possível reinjetar íons de lítio em estruturas danificadas usando uma técnica de sais fundidos.
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O resultado: Cátodos de baterias que seriam descartadas recuperaram mais de 3/4 de sua capacidade original.
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O alvo: Além das baterias de níquel, as de Fosfato de Ferro-Lítio (LFP) — muito comuns em modelos de entrada no Brasil — também estão sendo alvo de métodos de regeneração por oxirredução (redox).

Empresas como BYD e CATL (que fornecem baterias para a maioria das marcas globais) já fazem parte de um ecossistema que liga a reciclagem de matérias-primas ao refinamento químico. Para o consumidor, isso significa que, no futuro, a troca de uma bateria degradada pode não significar uma peça nova, mas sim uma bateria regenerada com custo muito inferior.
A conclusão dos estudos é otimista: a maioria das baterias “aposentadas” ainda possui estrutura física suficiente para ser restaurada. O desafio agora é tornar esse processo de “cura” barato o suficiente para ser aplicado em larga escala.
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Sou Robson Quirino. Formado em Comunicação Social pelo IESB-Brasília, atuo como Redator/ Jornalista desde 2009 e para o segmento automotivo desde 2019. Gosto de saber como os carros funcionam, inclusive a rebimboca da parafuseta.