Os táxis pretos, símbolos de Londres, podem estar em risco de desaparecer. Segundo um relatório do Centre for London, publicado em março e citado pela Autocar UK, se as tendências atuais continuarem, o icônico serviço pode sumir das ruas da capital em apenas 20 anos. O estudo aponta diversos fatores que ameaçam a sobrevivência da profissão, desde a concorrência com aplicativos como Uber até os altos custos operacionais.
Icônicos táxis pretos de Londres podem estar com os dias contados
O relatório destaca que a pandemia de Covid-19 fez com que muitos motoristas abandonassem o serviço, agravando a diferença de frota em relação aos táxis particulares.
Atualmente, existem 96.000 veículos de aluguel contra apenas 14.500 táxis licenciados. Além disso, o documento aponta o “aumento substancial” nos custos de aquisição e operação dos novos táxis elétricos, como o LEVC TX, o fim do programa de subsídio governamental e a dificuldade do notório “Knowledge of London”, o rigoroso treinamento de rotas que os aspirantes a taxistas devem dominar.
Em resposta ao cenário alarmante, a Transport for London (TfL) divulgou um plano de 14 pontos para apoiar o setor nos próximos cinco anos.

Reconhecendo o papel vital dos táxis na rede de transporte sustentável da cidade, o plano promete garantir o acesso a faixas de ônibus sempre que possível, combater a prática de contratação ilegal de táxis de fora da área licenciada, melhorar o treinamento para motoristas e, o mais importante, tornar o “Knowledge of London” menos intimidador para novos candidatos.
A TfL também se comprometeu a pressionar o governo para que continue subsidiando os táxis elétricos, reduza o IVA nos pontos de recarga públicos e remova impostos do preço de compra dos veículos.
Opiniões Divididas e o Futuro da Profissão
Apesar dos desafios, as opiniões dos motoristas sobre a situação são divididas. Um motorista anônimo, em entrevista, expressou sua frustração com as limitações de tráfego, como as ciclovias e as restrições de acesso a certas ruas. “A TfL está tentando se livrar de nós”, disse ele, citando o aumento de uma corrida típica de £ 15 para £ 25 nos últimos anos.
No entanto, há quem veja oportunidades no cenário atual. Mohamed B, de 21 anos, o mais jovem taxista de Londres, decidiu se tornar um durante o lockdown da Covid-19, aproveitando o tempo livre para estudar o “Knowledge of London”. Ele passou nos testes com apenas 19 anos, mostrando que, para os mais determinados, a profissão ainda é viável.
O futuro dos táxis pretos em Londres permanece incerto. Enquanto alguns acreditam que a tradição está ameaçada, outros veem um caminho para a adaptação e a sobrevivência, com o apoio da tecnologia e de políticas públicas que reconheçam a importância cultural e social desses veículos na paisagem londrina.
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