Essa marca europeia era tão perigosa que precisou de intervenção do governo

Conheça a história do Skoda Estelle, o carro que forçou o governo britânico a intervir em seu design devido a falhas graves de segurança e estabilidade nos anos 70.

A história da indústria automotiva é repleta de sucessos, mas poucos episódios são tão dramáticos quanto o do Skoda Estelle. No final da década de 70, o que deveria ser um lançamento popular transformou-se em um debate sobre segurança nacional no Reino Unido, levando o governo britânico a uma medida inédita: intervir diretamente na engenharia de uma fabricante estrangeira.

Skoda era tão perigosa que precisou de intervenção do governo nos anos 70

Enquanto o resto da Europa migrava para a tração dianteira, a Skoda, limitada pela falta de verba do estado comunista da antiga Tchecoslováquia, foi obrigada a reaproveitar um chassi de 1964 sob a carroceria do novo Estelle 120L.

A combinação de motor traseiro com um sistema de eixos oscilantes criou uma armadilha dinâmica. Em termos técnicos, o centro de rolagem da suspensão ficava acima dos cubos das rodas. Na prática, isso causava o temido “levantamento“: em curvas acentuadas, a roda externa podia se dobrar sob o carro, fazendo-o capotar subitamente.

Essa marca europeia era tão perigosa que precisou de intervenção do governo – Foto: Divulgação

O Veredito: “Você deixaria sua filha dirigir isso?”

A imprensa especializada da época foi implacável. Testes da revista Autocar descreveram a dirigibilidade como algo que exigia habilidades quase profissionais para evitar tragédias.

A situação escalou de tal forma que o Departamento de Transportes do Reino Unido realizou testes próprios, emitindo um alerta raro sobre a “tendência a sobreviragem severa” do modelo.

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Pressionada, a Skoda protagonizou um dos processos de engenharia mais curiosos da história. Em 1978, as modificações para tornar o carro mais seguro foram coordenadas via telefone e teletipo, entre um hotel em Londres e um centro de computação na Tchecoslováquia.

As mudanças incluíram um “kit de dirigibilidade” que elevou o limite de derrapagem do veículo, tornando a transição nas curvas mais previsível. Somente após essas alterações, impostas por exigência governamental, o Estelle pôde continuar sua trajetória no mercado britânico com um nível mínimo de segurança.

Acha que hoje em dia algum carro ainda chegaria às lojas com falhas tão graves? Comente sua opinião!

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Robson Quirino
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Robson Quirino

Sou Robson Quirino. Formado em Comunicação Social pelo IESB-Brasília, atuo como Redator/ Jornalista desde 2009 e para o segmento automotivo desde 2019. Gosto de saber como os carros funcionam, inclusive a rebimboca da parafuseta.