Elétrico usado perde até 46,2% do valor e abre vantagem de preço sobre híbridos e carros a combustão

Carros elétricos usados continuam perdendo valor em ritmo muito mais acelerado do que híbridos e modelos a combustão no Brasil.
Segundo o IBV Auto, índice do banco BV que acompanha os preços de veículos leves usados no país, os elétricos ano 2023 já acumulam desvalorização de 46,2%.
O patamar é bem acima do registrado por outras tecnologias — e que começa a abrir uma vantagem de preço interessante para quem busca um carro usado eletrificado.
Elétricos perdem quase o dobro de valor que os híbridos
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O levantamento mostra uma diferença expressiva entre as tecnologias de propulsão.
Enquanto os elétricos ano 2023 acumulam perda de 46,2% do valor original, os híbridos comparáveis registram desvalorização de 26,9%, e os carros a combustão equivalentes perdem 21,4% no mesmo período.
Ou seja, a depreciação dos elétricos é quase o dobro da observada nos veículos híbridos, e mais que o dobro da registrada nos modelos tradicionais.
Por que os elétricos perdem tanto valor
Alguns fatores específicos explicam essa desvalorização mais acentuada:
- Concorrência crescente das marcas chinesas, que lançam modelos elétricos novos e mais baratos a um ritmo acelerado.
- Queda nos preços dos elétricos 0 km, movimento puxado justamente pela pressão competitiva entre montadoras.
- Evolução tecnológica rápida das baterias, que torna modelos mais antigos rapidamente defasados em autonomia e eficiência frente aos lançamentos recentes.
Esses fatores combinados fazem com que um elétrico com poucos anos de uso perca valor de forma muito mais acentuada do que aconteceria com um carro a combustão do mesmo período.
Um exemplo prático dessa desvalorização
O caso do Nissan Leaf ilustra bem esse movimento: um exemplar ano/modelo 2022 já pode ser encontrado por menos de R$ 90 mil no mercado de usados — um valor bem distante do preço de lançamento do modelo, refletindo diretamente essa depreciação acelerada característica dos elétricos.
O que acontece com o mercado de usados em geral
A forte queda de valor dos elétricos ocorre em um momento de desaceleração geral do mercado de seminovos no Brasil.
Segundo o IBV Auto, o índice de preços dos usados subiu apenas 0,07% em julho, a menor variação mensal desde março de 2025, depois de uma alta de 0,57% em junho.
No acumulado dos primeiros sete meses do ano, o indicador avança 3,56%, enquanto em 12 meses a alta perdeu força, passando de 6,87% para 6,10% — ainda acima da inflação medida pelo IPCA no período, mas em clara trajetória de desaceleração.
Os fatores que travaram os preços dos usados
Segundo o economista-chefe do banco BV, Roberto Padovani, a quase estagnação dos preços em julho reflete um conjunto de pressões econômicas: a concorrência mais forte das montadoras chinesas, a queda nos preços dos carros novos, o crédito ainda restritivo, a desaceleração do mercado de trabalho e o aumento da inadimplência entre as famílias brasileiras.
Quais modelos mais subiram e mais caíram
Entre os veículos que mais contribuíram para a alta do índice em julho estão o Chevrolet Celta (+2,62%), o Fiat Palio (+2,20%) e o Nissan Kicks (+1,92%).
Já na ponta contrária, o Volkswagen Fox (-2,01%), o Jeep Compass (-1,74%) e o Chevrolet Onix (-1,11%) exerceram a maior pressão de baixa — um sinal de que a desaceleração já afeta até modelos de grande volume de negociação no mercado nacional.
O panorama por região do país
O Nordeste registrou a maior queda média nos preços em julho, de -0,19%, enquanto apenas as regiões Centro-Oeste (+0,29%) e Sul (+0,22%) tiveram alta no mês.
No total, 16 dos 27 estados brasileiros registraram recuo nos preços dos usados — um contraste importante com o cenário de junho, quando praticamente todo o país havia registrado alta.
O que isso significa para quem quer comprar ou vender
Para quem pensa em comprar um carro usado, o momento parece favorável, especialmente entre os elétricos.
A desvalorização acentuada abre espaço para encontrar modelos eletrificados por preços bem mais competitivos frente a equivalentes híbridos ou a combustão.
Já para quem pretende vender um carro elétrico usado, o cenário reforça a importância de ajustar as expectativas de preço à realidade atual do mercado, que segue penalizando essa categoria de forma mais intensa do que as demais.









