E aí, BYD e Geely? donos revelam frustrações com carros elétricos

E aí, BYD e Geely? donos revelam frustrações com carros elétricos

A ascensão meteórica das gigantes chinesas no Brasil trouxe uma onda de entusiasmo com a mobilidade sustentável, mas o cenário em maio de 2026 mostra que o “encantamento” inicial está enfrentando um teste de realidade.

Embora marcas como BYD e Geely continuem expandindo suas operações, um novo estudo da consultoria EY revela que a empolgação com os veículos elétricos esfriou para quase 40% dos brasileiros, que agora relatam frustrações.

O gargalo da infraestrutura: Onde carregar?

A maior reclamação de quem já possui ou planeja comprar um elétrico não está necessariamente no carro em si, mas no ecossistema ao redor dele.

De acordo com a pesquisa, a falta de uma rede de recarga robusta é o principal motivo de desistência ou adiamento da compra:

  • 36% dos consumidores citam a dificuldade de instalar ou acessar um carregador em casa ou no trabalho.

  • 33% reclamam da escassez de postos de recarga públicos.

  • 21% apontam a má qualidade e a operação instável dos carregadores públicos como um fator de desmotivação.

Para marcas que dominam as vendas, como as mencionadas no título, o desafio deixa de ser apenas entregar um veículo tecnológico e passa a ser a garantia de que o cliente terá onde “abastecer” sem estresse.

Custos ocultos e o receio com as baterias

Além da infraestrutura, o bolso do consumidor brasileiro continua pesando na balança. Mesmo com preços cada vez mais competitivos, a manutenção a longo prazo gera insegurança.

O estudo aponta que 28% dos entrevistados temem o alto custo de substituição da bateria no futuro.

Outros 21% demonstram preocupação com os custos de reparação e serviços pós-venda, temendo que a tecnologia avançada dos elétricos resulte em faturas salgadas na hora do conserto.

Esse clima de cautela fez com que a intenção geral de compra de veículos no Brasil caísse 4% em relação ao ano passado.

O paradoxo da tecnologia conectada

Os brasileiros amam tecnologia, mas com ressalvas. No universo dos carros conectados, o interesse é pragmático: 55% priorizam sistemas de navegação e 54% buscam recursos de segurança.

No entanto, a frustração aparece na complexidade e nos custos:

  • 33% temem distrações excessivas ao volante causadas pelas telas.

  • 32% reclamam do custo elevado dos serviços de conectividade por assinatura.

  • Há ainda um medo latente de falhas tecnológicas e acidentes envolvendo assistentes de condução (ADAS).

A mensagem do mercado para as montadoras que lideram essa transição é clara: a inovação precisa vir acompanhada de infraestrutura e previsibilidade de custos.

Sem isso, o sonho do carro elétrico pode continuar sendo adiado por boa parte dos motoristas.

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Esaú Júlio é jornalista formado pela UNICAP. Ex-Globo Esporte (TV Globo) | NE10 (SJCC) — Blog do Torcedor & Política. Passagens por BlogDoZá e Futebol Brasil. Redes sociais: IG: @esaujs | X: @Esau_Julioo