Proibido por lei, uso gás de cozinha em automóveis era popular há 20 anos

Proibido por lei, uso gás de cozinha em automóveis era popular há 20 anos

Leo Alves
Do Garagem360

29/05/2018 | 16:10


Atualizada às 15h37

O uso gás de cozinha em automóveis já foi popular no Brasil. Em 1998, a Folha de S.Paulo dizia que 25 mil veículos da região de Irecê (BA) utilizavam esse gás como combustível. O texto explica que muitos moradores faziam adaptações caseiras em seus automóveis na tentativa de economizarem dinheiro. Isso porque um botijão custava R$ 9 (R$ 41,57 corrigido pelo IGP-M) e era capaz de rodar até 170 km. Esse valor, na época, não colocava nem 10 litros de gasolina ou etanol no tanque – e nem chegava perto da autonomia do combustível alternativo.

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Embora pareça vantajoso, essa adaptação é proibida pelo Código de Trânsito Brasileiro desde 1998. Porém, apenas em 2017 a resolução nº 673 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) reiterou que o Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) só pode ser utilizado como combustível em empilhadeiras. O Gás Natural Veicular (GNV) é o único permitido em automóveis. Mesmo assim, a instalação só pode ser feita em oficinas autorizadas pelo Inmetro. Além disso, o veículo precisa passar por revisões periódicas para saber como está o sistema.

Riscos gás de cozinha em automóveis

Por ser proibido, a conversão de um veículo para utilizar GLP geralmente é precária. Não é difícil encontrar textos e vídeos que ensinam o processo. Todos os procedimentos são improvisados e contam as tradicionais gambiarras para fazer o motor funcionar. Com isso, o risco de acontecer um acidente é muito grande.

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Mesmo tendo sido popular até os anos 1990, ainda há pessoas que se arriscam e fazem a conversão em seus carros. Em 2012, um carro foi detido em Botuverá (SC) por estar sem placa e com um botijão de gás dentro do cofre do motor. Três anos depois, um VW Gol explodiu em um posto de Campo Grande (SC). Segundo o site Capital News, o incidente aconteceu enquanto o frentista abastecia o veículo com GNV. Porém, havia uma ligação feita com gás de cozinha, o que causou a explosão. Mesmo com o veículo destruído, ninguém se feriu.

Multa por utilizar gás de cozinha em automóveis

A resolução nº673 do Contran diz que o utilizar gás de cozinha em automóveis é uma infração grave. Com isso, caso seja flagrado, o motorista perde cinco pontos na carteira, além da multa de R$ 195,23. O veículo também é retido para regularizar a situação.

Mesmo com o preço galopante dos combustíveis, não compensa comprometer a segurança dos veículos para economizar alguns Reais. Se for o caso, é melhor procurar alguma oficina credenciada para a instalação do GNV. Tudo como manda a lei.

Na galeria, veja os veículos testados pelo Garagem360.