Conheça o Drift, a corrida de derrapagem

Quem assistiu a Velozes & Furiosos 3 – Desafio em Tóquio, filme de 2006, provavelmente sabe bem como o drift funciona. Para quem não conhece, trata-se de uma modalidade na qual os carros fazem derrapagens de traseira em curvas, andando basicamente de lado. Durante as manobras, o eixo traseiro do veículo acompanha o trajeto da curva, dando a impressão de que ele está deslizando na pista.

“Neste tipo de pilotagem, o motorista intencionalmente causa a perda de tração das rodas traseiras, enquanto mantém o controle do automóvel em alta velocidade. Isso acontece desde a entrada até a saída da curva”, explica Patrícia Mayumi, diretora comercial da BSB Drift, que atua como escola e equipe de drift em Brasília, no Distrito Federal.

A modalidade nasceu no Japão em meados da década de 1970 e logo se popularizou, mas a fama mundial só veio graças ao lançamento de filmes e jogos inspirados neste universo. “No Brasil, ele chegou na virada do século. Muitos pilotos que praticavam no Japão vieram morar aqui, e alguns, inclusive, importaram seus carros para continuar treinando”, diz a profissional.

Drift faz com que os veículos "deslizem" nas curvas | Foto: Divulgação/BSB Drift

No drift, os veículos “deslizem” nas curvas | Foto: Divulgação/BSB Drift

O esporte

Apesar de ter surgido para a diversão, o drift acabou virando um esporte e, atualmente, conta com diversas equipes e campeonatos em vários países. Nos Estados Unidos, por exemplo, o mais conhecido é a Fórmula D. O Japão é a casa do D1GP. E no Brasil existe a Fórmula Drift Podium Race.

Mas essas competições são bem diferentes das de outras modalidades automobilísticas, pois nelas o vencedor não ganha por ter completado a prova em menos tempo. A intenção aqui é julgar quem tem as melhores técnica, velocidade e linha. “Os carros batalham de dois em dois, um bem ao lado do outro. É um espetáculo muito impressionante de ser ver ao vivo”, afirma a diretora comercial da BSB Drift.

Cursos

Durante os cursos, alunos recebem instruções de pilotos experientes | Foto: Divulgação/BSB Drift

Durante os cursos, alunos recebem instruções de pilotos experientes | Foto: Divulgação/BSB Drift

Quem quer praticar a modalidade não pode sair por aí tentando sem orientação. Nestes casos, é fundamental usar veículos especialmente modificados – a Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) exigem que eles sejam equipados com gaiola de proteção, extintor de acionamento rápido, cinto de segurança de cinco pontas e banco em formato de concha.

Também é necessário que o carro tenha tração traseira e suspensão adaptada. Fora isso, as derrapagens só podem ser praticadas em lugares autorizados como pistas de autódromos e escolas especializadas.

A BSB Drift oferece dois tipos de cursos: em dupla e individual. As aulas em dupla são realizadas em um final de semana, e as particulares podem ter um ou dois dias de duração. Os estudantes são acompanhados por instrutores profissionais e recebem todos os acessórios necessários para treinar com segurança. Os valores variam de R$ 4.100 a R$ 7.600. No final dos treinamentos, a escola ainda oferece aulas e acompanhamento mensal para quem deseja seguir carreira ou praticar com regularidade.

Veículos devem ser modificados conforme as normas da CBA | Foto: Divulgação/BSB Drift

Veículos devem ser modificados conforme as normas da CBA | Foto: Divulgação/BSB Drift

Outro local onde é possível aprender e praticar a técnica é na Drift Show, de Guarulhos, na Grande São Paulo. Lá, as aulas são ministradas pelo piloto Sérgio Hanazono e divididas em três categorias (iniciante, médio e profissional). Os preços são divulgados apenas sob consulta.

Nos dois locais, para poder pilotar é necessário ter pelo menos 15 anos  – e a devida autorização dos pais ou responsáveis -, e os interessados também têm de passar por avaliações físicas e psicológicas. 

Gustavo Pereira, de 31 anos e que trabalha na área de tecnologia da informação, ingressou neste universo praticando em simuladores e, há pouco menos de um ano, começou a ter aulas na escola de Brasília. “Conheci a técnica assistindo vídeos na internet, e aí quis aprender a controlar o carro no ‘descontrole’”, diz o morador da capital federal, que pretende se aperfeiçoar no esporte para poder participar de alguns campeonatos.

 

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Maria Beatriz Vaccari
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