Combinação de celular com direção pode resultar em multa e acidentes

Serviços 19 de março de 2015 Rodrigo Loureiro 0

Infração é considerada gravíssima e prevê pagamento de R$ 85,13 e perda de quatro pontos na CNH

Celular e direção definitivamente não combinam. Além de render multa de R$ 85,13 e perda de quatro pontos na carteira nacional de habilitação, usar o aparelho ao volante pode ser extremamente perigoso. O que acontece é que o motorista, quando faz ou recebe uma ligação, mesmo que opte pelo viva-voz ou soluções semelhantes, fica com a atenção comprometida e passa a ter reações mais lentas.

E a situação fica ainda mais grave nos casos de envio e leitura de mensagens de texto, pois o condutor deixa de olhar para a frente, se desconecta totalmente do trânsito e perde a visão periférica. Segundo a Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), a chance de colisão nestes momentos é 23 vezes maior.

Para Eduardo Biavati, sociólogo e consultor de trânsito, a melhor maneira de usar o telefone móvel enquanto dirige é deixá-lo desligado no banco traseiro do carro, longe do alcance.”Teclar é pior do que falar, porque a pessoa precisa das mãos para digitar, e é impossível fazer as duas coisas ao mesmo tempo com segurança. O melhor mesmo é não usar o telefone”, enfatiza.

Na opinião do especialista, a punição monetária é muito baixa e não intimida os motoristas a pararem de cometer a infração. “O valor da multa não chega nem a R$ 100 e não há nenhum tipo de penalidade complementar para casos de reincidência. O condutor que for pego uma vez, acha que não vai acontecer novamente e, se acontecer, não será a pior coisa do mundo”, diz.

Histórias

Mesmo sabendo dos riscos, muita gente cultiva o hábito de usar o celular enquanto dirige. Só para se ter uma ideia, no ano passado, a Companhia Brasileira de Trafego (CET) aplicou 382.803 multas por esse motivo em São Paulo, crescimento de 2,7% em relação a 2013, quando foram registradas 372.726 infrações.

O auditor de qualidade Nicholas Agria, de 26 anos, morador de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, faz parte destas estatísticas. Mesmo após ter sido autuado e sofrido um leve acidente, ele continua dirigindo e mexendo no aparelho ao mesmo tempo. “Uso o telefone para entrar no Waze (aplicativo GPS), tirar fotos do trânsito para postar nas redes sociais, conversar… Sei que estou errado, mas é difícil controlar”, comenta.

Outra motorista que se arrisca é a estudante paulistana Julia Dompieri, de 20 anos. Em 2013, enquanto usava um aplicativo de conversas em seu smartphone, ela colidiu com o veículo a sua frente após o semáforo abrir. “Foi uma batida leve. Eu acelerei sem perceber que o outro carro ainda não havia andado”, relembra. A universitária sabe que o erro dificilmente aconteceria se estivesse com a atenção totalmente voltada para o trânsito, no entanto, admite que continua usando o telefone móvel enquanto dirige.

 

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