Caoa Chery reduz potência do Tiggo 7 e Tiggo 8 para fugir dos impostos

Interior do Tiggo 8

A Caoa Chery fez uma mudança silenciosa em parte da sua linha de SUVs no Brasil. Os modelos Tiggo 7 e Tiggo 8 passaram por redução de potência para se enquadrar em faixas mais favoráveis de imposto.

A alteração afeta versões importantes da marca e tem relação direta com o IPI Verde, sistema que considera critérios como potência, eficiência, combustível, emissões e produção nacional para definir a carga tributária dos veículos.

Tiggo 7 e Tiggo 8 perderam potência

A mudança atinge o Tiggo 7 Sport, o Tiggo 7 Pro e o Tiggo 8 Pro.

No Tiggo 7 Sport, o motor 1.5 turbo flex passou de 150 cv para 143 cv. Já no Tiggo 7 Pro e no Tiggo 8 Pro, o motor 1.6 turbo GDI caiu de 187 cv para 180 cv.

Apesar da perda nos números de potência, o torque foi mantido. Ou seja, a força entregue em retomadas e arrancadas tende a sofrer menos impacto no uso diário.

Modelo Potência anterior Potência atual Motor
Tiggo 7 Sport 150 cv 143 cv 1.5 turbo flex
Tiggo 7 Pro 187 cv 180 cv 1.6 turbo GDI
Tiggo 8 Pro 187 cv 180 cv 1.6 turbo GDI

Por que a Caoa Chery reduziu a potência dos SUVs?

A redução tem explicação tributária. Com a nova calibração, os SUVs ficam posicionados exatamente no limite de faixas menores de potência usadas no cálculo do IPI.

No caso do Tiggo 7 Sport, a queda para 143 cv evita que o modelo entre na faixa acima de 144 cv. Já o Tiggo 7 Pro e o Tiggo 8 Pro, agora com 180 cv, escapam da faixa que começa em 181 cv.

Na prática, a montadora perde alguns cavalos no papel, mas pode compensar com uma cobrança menor de imposto. Isso ajuda a preservar o preço dos SUVs em um mercado cada vez mais disputado.

A estratégia por trás da mudança

A decisão mostra como as marcas estão ajustando seus carros para se adaptarem às novas regras tributárias.

Em vez de alterar visual, pacote de equipamentos ou posicionamento, a Caoa Chery mexeu na calibração dos motores. A mudança é pequena, porém suficiente para evitar uma tributação maior.

Novo Chery Tiggo 8

Imagem: Divulgação/CAOA Chery

Redução pode ajudar SUVs contra rivais

A medida chega em um momento em que o segmento de SUVs médios está muito pressionado. Tiggo 7 e Tiggo 8 disputam espaço com modelos como Jeep Compass, Toyota Corolla Cross, BYD Song Plus e GWM Haval H6.

Nesse cenário, qualquer diferença de preço pesa na decisão do consumidor. Por isso, manter os SUVs em uma faixa tributária mais vantajosa pode ser tão importante quanto oferecer potência elevada.

A redução também evita que o carro fique mais caro apenas por ultrapassar poucos cavalos em uma tabela de imposto. Para o consumidor, a perda pode ser pouco perceptível na condução, especialmente porque o torque foi mantido.

Tiggo 5X ficou fora da mudança

O Tiggo 5X não entrou na mesma redução de potência. A explicação está ligada ao enquadramento tributário do modelo, que pode ser beneficiado por outros critérios, como maior índice de produção nacional.

Com isso, a Caoa Chery ajusta apenas os SUVs que corriam maior risco de pagar mais imposto pela potência declarada.

A mudança reforça uma nova realidade do mercado brasileiro: potência, preço e imposto agora caminham juntos. Para a Caoa Chery, perder alguns cavalos pode ser uma forma de manter o Tiggo 7 e o Tiggo 8 mais competitivos nas lojas.

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moysesbatista
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moysesbatista

Moysés Batista é editor de conteúdo no FDR, com foco em finanças pessoais, benefícios sociais, políticas públicas e direitos do cidadão. Bacharel em Letras pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), atua com foco na produção de conteúdos informativos orientados por dados oficiais e normas do Governo Federal. É responsável por análises e pautação sobre programas sociais, crédito, previdência e consumo, com ênfase em clareza, serviço ao leitor e verificação de informações públicas. E-mail para contato: [email protected]