BYD atrai clientes com descontos agressivos, mas vira alvo de reclamações após atrasos nas entregas

A BYD consolidou sua posição no Brasil através de uma agressiva estratégia de preços e bônus de fábrica, atraindo milhares de consumidores interessados em migrar para a mobilidade híbrida e elétrica em maio de 2026.
No entanto, o forte volume de pedidos gerou um efeito colateral que está preocupando o mercado.
A montadora chinesa passou a ser alvo de uma onda de reclamações formais e processos judiciais movidos por clientes, especialmente do público PCD (Pessoas com Deficiência), que relatam atrasos de vários meses na entrega dos veículos zero-quilômetro.
O impasse expõe um gargalo na operação logística e no faturamento das unidades, transformando o sonho do carro novo em uma longa espera preenchida por respostas evasivas nas concessionárias.
Campanhas agressivas impulsionam vendas da marca no país
O principal chamariz da BYD para dominar o topo das tabelas de vendas diretas reside nos abatimentos generosos concedidos àqueles que possuem direito a isenções fiscais.
Modelos altamente desejados como o SUV híbrido Song Pro GL chegam a ser comercializados pelo valor reduzido de R$ 147.990,00 na modalidade PCD.
Outro exemplo de forte apelo comercial é o sedã King GS, oferecido com condições especiais na casa dos R$ 160.000,00.
Essas condições muito abaixo da média do mercado tradicional atraíram um fluxo massivo de compradores de CPF.
Muitos clientes entregaram seus carros usados como entrada e aceitaram longos planos de financiamento bancário com o objetivo de garantir os veículos eletrificados, confiando nos prazos inicialmente estipulados pelas lojas.
Clientes relatam atrasos superiores a 150 dias e falta de transparência
A grande insatisfação que vem se espalhando pelas redes e órgãos de defesa do consumidor envolve a extensão desmedida do tempo de espera.
Relatos consolidados em diversas regiões do país apontam que compradores chegam a aguardar entre 130 e mais de 160 dias para receber os automóveis pagos.
A situação gera prejuízos financeiros severos, afetando diretamente motoristas autônomos que dependem do veículo para trabalhar e cidadãos com mobilidade reduzida que necessitam do transporte adaptado no dia a dia.
O cerne das reclamações aponta para uma falha de comunicação e uma severa falta de transparência no processo de intermediação entre as concessionárias e a fábrica da BYD:
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Demora no Vínculo do Chassi: Processos judiciais revelam que um dos principais motivos para o travamento das entregas é a demora da montadora em reconhecer os pagamentos e repassá-los para o chassi específico do veículo.
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Bloqueio de Faturamento: Sem a validação interna da fábrica, as concessionárias ficam impossibilitadas de emitir a nota fiscal de faturamento, impedindo o emplacamento, a liberação e o transporte do carro para a loja.
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Troca de Cores Compulsória: Para tentar mitigar a falta de estoque crônica, lojistas chegam a sugerir a alteração da cor escolhida originalmente no contrato, prometendo maior agilidade que muitas vezes também não se cumpre.
Disputa jurídica e a postura da montadora sobre os prazos
Diante das promessas descumpridas e da ausência de previsões concretas, diversos consumidores decidiram buscar amparo no Poder Judiciário.
O movimento divide-se entre compradores que exigem liminares de urgência para forçar a entrega imediata do bem e clientes que preferem rescindir o contrato de compra, exigindo a devolução integral dos valores investidos corrigidos.
Questionada formalmente sobre os episódios de atrasos excessivos, a BYD argumenta que analisa e responde a cada caso de forma estritamente individualizada junto às autoridades competentes.
Em suas defesas no âmbito judicial, a fabricante adota uma linha técnica, classificando os episódios como meras discussões logísticas cotidianas e não abalos morais passíveis de indenização.
Alegando ainda que os contratos padrão de venda direta costumam não estipular uma data rígida e específica para a entrega final do produto.
Esse cenário serve como um importante alerta para os novos compradores do mercado de eletrificados, reforçando a necessidade de exigir prazos detalhados por escrito e checar minuciosamente o histórico de entrega das redes de distribuição antes de assinar o pedido definitivo.
Esaú Júlio é jornalista formado pela UNICAP. Ex-Globo Esporte (TV Globo) | NE10 (SJCC) — Blog do Torcedor & Política. Passagens por BlogDoZá e Futebol Brasil. Redes sociais: IG: @esaujs | X: @Esau_Julioo