Brasil chega a 25,4 mil carregadores e rede rápida cresce 33% em 3 meses

A infraestrutura de recarga para carros elétricos no Brasil está em ritmo de expansão acelerada.
O país ultrapassou a marca de 25,4 mil pontos públicos e semipúblicos de recarga, segundo levantamento da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) em parceria com a Tupi Mobilidade Elétrica.
O destaque fica por conta dos carregadores de recarga rápida, que avançaram 33% em apenas três meses, ritmo que confirma a virada de perfil da rede nacional.
O tamanho da rede atual
O total de pontos de recarga espalhados pelo país segue crescendo em um ritmo que impressiona até os especialistas do setor.
Os dados mais recentes confirmam essa aceleração.
A infraestrutura nacional chegou a 25.455 pontos em maio de 2026, um crescimento de 20,9% em relação aos 21.060 registrados em fevereiro do mesmo ano.
Ou seja, em apenas três meses, a rede avançou quase tanto quanto costumava crescer em um ano inteiro, segundo a avaliação dos próprios responsáveis pelo levantamento.
O avanço da recarga rápida
Dentro desse crescimento geral, um tipo específico de carregador se destacou ainda mais: os equipamentos de carga rápida, conhecidos como DC.
Eles vêm mudando o perfil de toda a rede brasileira.
Os carregadores de carga rápida passaram de 6.479 para 8.606 unidades em apenas três meses, um crescimento de 32,8%.
Com isso, a participação dessa tecnologia na rede nacional subiu de 30,8% para 33,8% do total.
Atualmente, do total de pontos existentes, 66% oferecem recarga lenta (AC) e 34% já são de recarga rápida (DC).
Um crescimento de 167% no último ano
Olhando para um período mais longo, o avanço dos carregadores rápidos se torna ainda mais evidente.
A comparação anual escancara a mudança de perfil da infraestrutura brasileira.
Em fevereiro de 2025, o Brasil tinha apenas 2.430 carregadores rápidos e ultrarrápidos, número que saltou para 6.479 em fevereiro de 2026, um crescimento de 167% em 12 meses.
Um ano antes, esse tipo de equipamento representava apenas 16% da rede nacional, e no início de 2024 nem chegava a um dígito de participação.
Segundo a ABVE, essa transformação mostra que o Brasil deixou a fase de teste da eletromobilidade e entrou na fase de construção de escala.
Por que a recarga rápida cresce tanto
O avanço acelerado dos carregadores DC não acontece por acaso, e reflete uma combinação de fatores que tornaram esse tipo de equipamento mais viável.
A tecnologia também evoluiu bastante.
Segundo Davi Bertoncello, diretor de Comunicação da ABVE, o crescimento é puxado por uma nova geração de carregadores ultrarrápidos, com potências que já chegam a 480 kW.
O efeito da lei paulista dos condomínios
Um fator específico ajudou a reanimar outro segmento da rede que vinha perdendo força: os carregadores de recarga lenta.
A explicação está em uma mudança na legislação.
A ABVE relaciona a reação dos carregadores lentos (AC) à entrada em vigor da Lei 18.403/2026.
A lei, sancionada em São Paulo, garante aos moradores de condomínios o direito de instalar carregadores em vagas privativas.
A medida eliminou uma das principais barreiras históricas à recarga residencial e semipública, destravando um segmento que antes enfrentava resistência de síndicos e administradoras.
As regiões que mais avançaram
O crescimento da infraestrutura não se concentrou apenas nos grandes centros, e mostrou avanços expressivos até em regiões menos tradicionais para a eletromobilidade.
O Norte liderou a expansão total, com crescimento de 31,1%, e também liderou o avanço dos carregadores rápidos, com alta de 51%, a maior entre todas as regiões.
Centro-Oeste e Sul vieram na sequência, com crescimento total de 23,7% e 23,4% respectivamente, ambos puxados por forte avanço da recarga rápida.
Já o Sudeste, maior base instalada do país, cresceu 18,1%, ritmo mais moderado, mas ainda concentrando o maior volume absoluto de carregadores do Brasil.
Mais municípios com acesso à recarga
Outro reflexo positivo dessa expansão é a chegada da infraestrutura a cidades que antes não contavam com nenhum ponto de recarga.
A eletromobilidade deixa de ser restrita às capitais.
O alcance geográfico cresceu.
Atualmente, 1.832 municípios brasileiros já possuem infraestrutura de recarga disponível, um aumento de 11,1% em relação aos 1.649 registrados em fevereiro.
O maior avanço em cobertura municipal veio do Centro-Oeste, com alta de 21,7% no número de cidades atendidas, seguido pelo Nordeste, com 10,2%.










