Conheça a história do VW Fusca que saiu do Brasil e acompanhou a Copa do Mundo de 2018
Neste mês, a produção nacional do Volkswagen Fusca completa 60 anos. Em janeiro de 1959, a fábrica de São Bernardo do Campo (SP)...
Em janeiro de 1959, a fábrica de São Bernardo do Campo (SP) começou a fabricação daquele que se tornaria um ícone mundial, sendo o principal responsável pelo sucesso da marca alemã. No Brasil, o VW Fusca liderou o mercado entre o começo da década de 1960 e o início dos anos 1980.
História VW Fusca
Vendido no País desde o início dos anos 1950, a fabricação original do Fusca durou até 1986. Porém, por conta de um pedido do então presidente Itamar Franco, ele voltou a ser fabricado entre 1993 e 1996, quando saiu de linha definitivamente. Com tanto tempo de mercado, o besouro marcou a vida e a paixão automobilística de muitas pessoas no País – e no mundo.
É o caso do fotógrafo Nauro Júnior. Sua paixão pelo Volkswagen começou ainda na infância e só cresceu ao longo dos anos. Aumentou tanto que no ano passado ele viajou pela Rússia a bordo de um. “Minha história com o Fusca começou há 47 anos. Meu pai comprou um quando eu era criança e tenho toda a lembrança de ter passado a infância e a adolescência em um”, relembra. “Quando tirei minha habilitação e tinha dinheiro para comprar um carro, foi justamente um Fusca que escolhi.”
Antes de acompanhar a Copa do Mundo, porém, Nauro já tinha viajado com o besouro por diversos países. O “Segundinho” é um modelo 1968, com motor de 1.300 cc, sendo o responsável por essas aventuras. Ao todo a expedição Fuscamérica percorreu 17 nações desde 2013, andou mais de 60 mil km e visitou três continentes.
Segundinho, porém, entrou na vida de Nauro e Gabi Mazza de uma maneira inusitada. “Eu percebi que a gente precisava de um segundo carro. Na época, eu tinha um iPhone de última geração e ofereci ele pelo carro. O dono achou meio inusitado, então dei o celular e mais R$ 500 para comprar o Fusca”, conta.
Antes de ir para a Rússia, Segundinho já tinha viajado por diversos países. Aqui, ele estava na Cordilheira dos Andes |Foto: Nauro Júnior/Divulgação
Missão Rússia
O dia 8 de julho de 2014 foi histórico para o futebol brasileiro. Neste dia, a seleção sofreu sua maior derrota da história, perdendo da Alemanha por 7 a 1, em pelo estádio do Mineirão. Em meio a decepção do resultado humilhante, surge a ideia de ir acompanhar a Copa da Rússia de Fusca. “O Nauro virou para mim e me disse para fazermos isso. O projeto começou ali, no mesmo dia do 7 a 1. Ele até brincou que era mais fácil a gente chegar lá de Fusca do que o Brasil ser campeão mundial em 2018”, conta Gabi.
Foram quatro anos de planejamento até que em 20 de janeiro de 2018, em pleno Dia Nacional do Fusca, o casal lançou um financiamento coletivo para auxiliar na missão. Eles conseguiram arrecadar 97% do valor desejado, o que foi fundamental para que a expedição desse certo. Em abril, Segundinho embarcou com destino a São Petersburgo. Nauro se juntou ao amigo Caio Passos, que já havia acompanhado em outras aventuras, para iniciar a expedição.
Com a ideia de realizar uma cobertura diferenciada do mundial, a dupla percorreu, a bordo do Segundinho, todas as cidades em que a Seleção Brasileira jogou. E, apesar de todos os cuidados com a manutenção, o Fusca de 50 anos acabou precisando de alguns reparos durante a expedição. “Sempre acontece algum problema. Porém, se fosse com qualquer outro carro, talvez não tivesse esse apelo. Muitas pessoas ajudaram a gente, inclusive um rapaz de um Fusca Clube russo. Ele conhecia nossa história e chegou a viajar 800 km até a Finlândia só para comprar uma peça”, relembra Nauro.
Mutirão na Letônia
O maior perrengue, porém, aconteceu quando a viagem pela Rússia já tinha terminado. Nauro e Caio partiram a Letônia para encontrar Gabi e sua filha. Ao chegarem em Riga, uma roda caiu do Fusca. “Ela estava com problema desde Samara, na Rússia, e a gente foi soldando para conseguir chegar. Com isso, a ponta do eixo não aguentou e quebrou”, explica Nauro.
Novamente, um membro de um Fusca Clube ajudou no conserto, que não foi simples. “Ele criou uma mobilização para conseguir a peça, guinchou meu carro por diversos quilômetros e, na hora de pagar, ninguém cobrou nada. Apenas nos disseram que somos uma inspiração e que jamais deveríamos deixar de viajar com o Segundinho”, afirma Nauro.
E o casal garante que vai continuar com as expedições. Assim como o marido, Gabi também é apaixonada por Fusca e tinha um besouro quando começaram a namorar. Dessa forma, a história de ambos com o Volkswagen vai seguir por muitos anos. Assim como o legado do carrinho, que jamais será esquecido.
Filhos do Fusca
O projeto do Fusca deu origem a diversos outros carros. Na galeria especial, relembre aqueles que podem ser considerados como os filhos do besouro.
- VW Kübelwagen: utilizou a plataforma e mecânica do Fusca durante a II Guerra Mundial, sendo uma das primeiras variações do besouro |Foto: By AlfvanBeem (Own work) [CC0], via Wikimedia Commons
- VW Kübelwagen |Foto: By Joost J. Bakker from IJmuiden (Volkswagen Type 82 KübelwagenUploaded by Oxyman) [CC BY 2.0], via Wikimedia Commons
- Porsche 356: a história de Porsche e Fusca se confunde ao longo dos anos; um dos primeiros modelos da marca alemã utilizava mecânica VW; reza a lenda que até os faróis eram os mesmo do Fusca… |Foto: Divulgação
- Porsche 356 |Foto: Divulgação
- VW Kombi: a “velha senhora” não escondia seu parentesco com o Fusca; até mesmo seu entre-eixos tinha os mesmo 2.400 milimetros do besouro |Foto: Diulgação
- Em 1975 a VW Kombi recebia sua primeira reestilização no Brasil|Foto: Divulgação
- VW Kombi |Foto: Divulgação
- VW Kombi |Foto: Divulgação
- VW Kombi |Foto: Divulgação
- Em 1997, a Kombi recebeu portas corrediças e injeção eletrônica no motor, além da versão luxuosa Carat |Foto: Divulgação
- A última melhoria da Kombi no Brasil foi em 2006, quando ela recebeu motor 1.4 flex e refrigerado a água, aposentando o boxer 1.600 a ar |Foto: Divulgação
- Em 2013 a Kombi se despediu com a série especial Last Edition |Foto: Divulgação
- VW Kombi Last Edition |Foto: Divulgação
- VW Karmann Ghia: utilizava a plataforma e mecânica do Fusca |Foto: By MaGioZal (Own work) [CC BY-SA 3.0 or GFDL], via Wikimedia Commons
- VW Karmann Ghia |Foto: By AlfvanBeem (Own work) [CC0], via Wikimedia Commons
- VW 1600: o popular Zé do Caixão foi uma tentativa da VW de ter um sedã com mais espaço que o Fusca, porém ele não agradou o mercado |Foto: Divulgação
- VW 1600 “Zé do Caixão” |Foto: By Alfacevedoa (Own work) [Public domain], via Wikimedia Commons
- VW Variant: a perua era mais um veículo derivado do Fusca |Foto: Divulgação
- VW TL: o cupê era mais um com parentesco no Fusca |Foto: Divulgação
- VW TL |Foto: By Renzo Maia;cropped and adjusted by uploader Mr.choppers (DSCF2593.JPG) [CC BY 3.0], via Wikimedia Commons
- VW TL |Foto: By Alfacevedoa (Own work) [Public domain], via Wikimedia Commons
- VW Karmann Ghia TC: sucessor do Karmann original, tentou se inspirar nos Porsches da época, mas sem o mesmo sucesso que seu antecessor |Foto: By Renzo Maia;cropped and adjusted by uploader Mr.choppers (DSC00790.JPG) [CC BY 3.0], via Wikimedia Commons
- VW Karmann Ghia TC |Foto: By Jack O’Neill – Own work, CC BY-SA 3.0, Link
- VW SP1/SP2: o esportivo encantava pelo visual, mas decepcionava em desempenho |Foto: By Renzo Maia;cropped and adjusted by uploader Mr.choppers (DSCF0787.JPG) [CC BY 3.0], via Wikimedia Commons
- VW SP2 |Foto: By Andrés Sebastián Miglio – ARGENTINA (My VW SP2) [CC BY-SA 3.0 or GFDL], via Wikimedia Commons
- VW SP2 |Foto: By Benutzer:Brunswyk (Own work (Original text: Benutzer:Brunswyk)) [CC BY-SA 3.0 de], via Wikimedia Commons
- VW Brasília: hatch disfarçado de perua para pagar menos impostos, por conta da legislação da época, fez sucesso durante os nove anos em que ficou em linha |Foto: Divulgação
- VW Brasília |Foto: Por Reginaldo reginaldodecampinas.com – Próprio, Domínio público, Ligação
- VW Brasília |Foto: Por Reginaldo reginaldodecampinas.com – Próprio, Domínio público, Ligação
- VW Brasília |Foto: Por Reginaldo reginaldodecampinas.com – Próprio, Domínio público, Ligação
- VW Variant II: a segunda geração da perua também derivava do Fusca, embora o visual fosse inspirado na Brasília |Foto: Divulgação
- VW Variant II |Foto: By Olimor (Own work) [Public domain], via Wikimedia Commons
- Puma GT: assim como muitos fora de série da época, também usava mecânica e plataforma do Fusca |Foto: CC BY-SA 3.0, Link
Jornalista formado na Universidade Metodista de São Paulo e participante do curso livre de Jornalismo Automotivo da Faculdade Cásper Líbero, sou apaixonado por carros desde que me conheço por gente. Já escrevi sobre tecnologia, turismo e futebol, mas o meu coração é impulsionado por motores e quatro rodas (embora goste muito de aviação também). Já estive na mesma sala que Lewis Hamilton, conversei com Rubens Barrichello e entrevistei Christian Fittipaldi.