Usados são 2,8 vezes os 0 km no crédito de carros enquanto financiamento bate melhor julho desde 2008

O crédito automotivo acelerou em julho de 2026, mas os carros usados continuam dominando as operações.
Entre automóveis e comerciais leves, foram 355.054 usados financiados contra 124.933 veículos novos.
Isso significa que, para cada 0 km comprado a prazo, houve aproximadamente 2,8 usados.
Ao considerar também motos e veículos pesados, o mercado chegou a 674.735 financiamentos no mês.
Foi o melhor julho desde 2008 e representa alta de 5,6% sobre julho de 2025.
No acumulado de janeiro a julho, as operações somam 4,452 milhões, avanço de 10%.
Por que os usados ainda concentram o crédito dos carros?
Nos autos leves, o financiamento totalizou 479.987 unidades em julho, crescimento de 6,1% em um ano.
Os usados responderam por quase três quartos desse volume, mesmo com a reação mais forte dos modelos novos.
A diferença ajuda a explicar o peso do mercado de seminovos no acesso ao carro.
Veículos usados normalmente oferecem preços absolutos menores e uma variedade maior de faixas de valor, o que amplia as possibilidades para quem depende de financiamento.
Isso não significa que o 0 km esteja fraco.
Os financiamentos de novos chegaram a 124,9 mil unidades e avançaram 21% sobre julho de 2025, ritmo superior ao crescimento do conjunto do mercado.
Prazo maior deixa a parcela mais leve ou o carro mais caro?
O prazo médio dos contratos subiu de 45 meses em julho de 2025 para 47 meses em julho de 2026.
Entre veículos com até três anos e os de quatro a oito anos, a média chegou a 51 meses. Nos modelos novos, ficou em 43 meses.
Alongar o prazo pode reduzir o valor de cada parcela, mas aumenta o tempo de exposição aos juros.
Por isso, o comprador precisa olhar o Custo Efetivo Total, e não apenas a prestação anunciada.
Entrada, taxa, tarifas, seguro e quantidade de parcelas definem quanto o carro realmente custará.
Quais usados estão crescendo mais no financiamento?
Os dados mostram movimentos diferentes conforme a idade.
Veículos com até três anos de uso tiveram alta de 11,8% no crédito, enquanto os modelos acima de 12 anos avançaram 15,9%.
Já a faixa de quatro a oito anos caiu 5,2%, e a de nove a 12 anos recuou 11,3%.
Ao mesmo tempo, os preços de transação ajudam a explicar um mercado mais ativo.
Em 12 meses, tanto os 0 km quanto os usados registraram queda média próxima de 4,7%.
Preços menores, prazos mais longos e maior oferta de crédito criam um cenário favorável ao volume.
Para o consumidor, a conclusão é simples: há mais financiamento disponível, mas isso não elimina a necessidade de comparar.
Um usado com parcela menor pode terminar caro se tiver prazo longo, taxa elevada ou exigir manutenção imediata.










