Toyota Yaris Cross corre risco de perder espaço por falhas graves

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O Toyota Yaris Cross sempre teve a seu favor um argumento difícil de contestar: a fama de confiabilidade e a tranquilidade de manutenção barata que a marca japonesa carrega no Brasil.

Mas uma semana de uso no dia a dia mostrou que essa reputação pode não ser suficiente para segurar o modelo diante da forte concorrência chinesa que vem tomando espaço no segmento.

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Um SUV bem resolvido em vários pontos

Antes de falar dos problemas, vale reconhecer os acertos.

O Yaris Cross tem dimensões generosas para a categoria, com 4,31 metros de comprimento e 2,62 metros de entre-eixos, o que garante bom espaço interno e uma ergonomia caprichada dentro da cabine.

A usabilidade também é um ponto forte.

Diferente de vários rivais chineses que concentram quase tudo na tela central, a Toyota manteve botões físicos para funções como abertura do tanque, ajuste de altura do farol e ativação do modo elétrico, tornando o uso mais intuitivo no dia a dia.

O consumo de combustível segue sendo outro trunfo do modelo.

Em uso variado entre estrada e cidade, o SUV híbrido chegou a marcar entre 15 e 21 km/l com gasolina, números puxados pela atuação do motor elétrico em boa parte das situações de trânsito urbano.

Onde aparecem as falhas mais sérias no Yaris Cross?

(Imagem: Divulgação / Toyota)

O problema começa justamente onde o consumidor menos espera em um carro de quase R$ 190 mil: no acabamento e na lista de equipamentos. 

Mesmo em versões mais completas, apenas o vidro do motorista tem função de um toque, e partes do interior soam com folgas e ruídos, incluindo o console central.

A qualidade das câmeras de estacionamento também incomoda.

Apesar de o carro contar com câmeras dianteira, traseira e até para evitar arranhões nas rodas, a resolução baixa das imagens passa uma sensação ultrapassada, distante do que se espera de um modelo lançado recentemente.

Outro ponto que incomoda é o esforço necessário no volante durante manobras em baixa velocidade, como estacionar ou fazer retornos.

A assistência elétrica não ajuda tanto quanto deveria nesses momentos, algo que chama atenção justamente porque leveza ao girar o volante costuma ser padrão até em carros bem mais simples.

Yaris Cross: o ruído que mais incomoda

O maior problema identificado, no entanto, está relacionado ao isolamento acústico.

Assim que o motor a combustão acorda de forma mais repentina, o barulho chega com força até o motorista, num nível que destoa do que se espera pagando quase R$ 190 mil em um carro.

E mesmo pisando de leve no acelerador, com o carro rodando só no elétrico, ainda dá para perceber o som do conjunto puxando o SUV, um detalhe que reforça como o carro poderia abafar melhor os ruídos internos.

Até a cortina que cobre o teto solar contribui para essa sensação, gerando um barulho que não deveria existir em um SUV desse padrão.

Em subidas mais longas, o conjunto mecânico também mostra limitação, com o motor 1.5 se esforçando bastante para manter a velocidade regulamentada nas rodovias, sem entregar o fôlego esperado de um carro dessa categoria.

O verdadeiro risco para a Toyota

O grande ponto de atenção não está em um defeito isolado, mas na soma de pequenas falhas que, juntas, corroem o principal argumento de venda da marca: a sensação de qualidade e acabamento condizente com o preço cobrado.

Rivais chineses, como o Omoda 5, chegam a oferecer o dobro de potência e acabamento superior por valores parecidos, mesmo que ainda gerem dúvidas sobre suporte e revenda no longo prazo.

Para o consumidor mais tradicional, que sempre pagou um pouco mais pela tranquilidade da marca japonesa, esse conjunto de falhas pode ser o gatilho que faltava para considerar outras opções na hora da troca.

Ficha rápida do Yaris Cross Hybrid

  • Preço básico: R$ 172.390
  • Versão avaliada (XRX Hybrid): R$ 189.990
  • Potência combinada: 111 cv
  • Consumo estrada: até 21 km/l com gasolina
  • Porta-malas: 391 litros
  • Entre-eixos: 2,62 metros
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