BYD passa Toyota e Honda; Dolphin Mini vende 2,7 vezes mais que Corolla no semestre

A BYD fechou o primeiro semestre de 2026 à frente de Toyota e Honda no mercado brasileiro de automóveis e comerciais leves.
A marca chinesa somou 99.028 emplacamentos e alcançou 7,29% de participação, contra 79.969 unidades da Toyota e 53.540 da Honda.
O avanço ganha ainda mais peso quando os modelos são colocados frente a frente. O Dolphin Mini chegou a 35.669 registros entre janeiro e junho, volume 2,7 vezes superior às 13.021 unidades do Toyota Corolla.
O elétrico também entrou no grupo dos dez veículos mais vendidos do país, considerando automóveis e comerciais leves.
Dolphin Mini cresce quase 170% em apenas um ano
A mudança de posição não foi construída apenas com a expansão da rede da BYD.
O Dolphin Mini saltou de 13.213 emplacamentos no primeiro semestre de 2025 para 35.669 em 2026. A alta foi de aproximadamente 170%, com 22.456 unidades adicionais em circulação.
O desempenho colocou o elétrico à frente de modelos tradicionais, como Fiat Mobi, Renault Kwid, Chevrolet Tracker e Toyota Corolla Cross.
Dentro do varejo, o resultado é ainda mais relevante, porque 29.665 unidades do Dolphin Mini foram destinadas ao consumidor final, enquanto apenas 6.004 vieram das vendas diretas.
Esse equilíbrio contrasta com vários líderes nacionais, que dependem mais de locadoras e frotas. No caso do Dolphin Mini, mais de oito em cada dez emplacamentos vieram do varejo.
Isso indica procura efetiva nas concessionárias e ajuda a explicar por que o elétrico manteve presença constante no ranking ao longo do semestre.
Song e King ampliam a pressão sobre Toyota e Honda
O crescimento da BYD não depende de um único carro. O Song avançou de 17.486 para 31.524 emplacamentos, uma alta de 80,3%. Já o King passou de 6.254 para 8.196 unidades, crescimento de 31,1% no comparativo anual.
Enquanto isso, o Corolla recuou de 18.396 para 13.021 registros, queda de 29,2%. O Honda Civic convencional apareceu com somente 10 unidades no acumulado, reflexo de uma atuação mais restrita e de um posicionamento distante do mercado de volume.
BYD muda a composição do ranking nacional
O resultado do semestre mostra que a eletrificação deixou de ser apenas um nicho de preços elevados.
A BYD colocou um hatch elétrico entre os dez mais vendidos, um SUV híbrido plug-in no 10º lugar entre os automóveis e um sedã híbrido na segunda posição de sua categoria.
Toyota e Honda continuam fortes em reputação, pós-venda e modelos consolidados, mas agora enfrentam uma rival que combina diferentes carrocerias, tecnologia eletrificada e políticas comerciais agressivas.
A diferença da BYD para a Toyota chegou a 19.059 unidades; sobre a Honda, a vantagem foi de 45.488 veículos.
A disputa também muda a referência de comparação. Em vez de concorrer apenas com outros elétricos e híbridos, a BYD passou a medir forças com marcas generalistas em volume total.
Para as japonesas, a reação exige preços competitivos, maior oferta eletrificada e capacidade de entrega em segmentos de grande circulação.
Moysés Batista é editor de conteúdo no FDR, com foco em finanças pessoais, benefícios sociais, políticas públicas e direitos do cidadão. Bacharel em Letras pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), atua com foco na produção de conteúdos informativos orientados por dados oficiais e normas do Governo Federal. É responsável por análises e pautação sobre programas sociais, crédito, previdência e consumo, com ênfase em clareza, serviço ao leitor e verificação de informações públicas. E-mail para contato: [email protected]










